A esporotricose, causada por espécies do gênero Sporothrix, é a micose subcutânea mais frequente na América Latina e Ásia, embora o primeiro caso tenha sido descrito por Schenck, em Baltimore, Estados Unidos da América (EUA). A doença afeta ambos os sexos e pode ocorrer em qualquer idade.
Incidência
Atualmente, as principais áreas de endemicidade para esporotricose incluem a América Latina, especialmente Brasil, México, Colômbia, Guatemala e Peru; Ásia, especialmente China, Índia e Japão; e, em menor grau, os EUA e a Austrália. Como a notificação da doença nem sempre é obrigatória, a avaliação epidemiológica global é prejudicada.
A incidência, relatada em 2019 no estado do Rio de Janeiro (RJ), Brasil, foi estimada em dez casos de esporotricose por 100.000 habitantes. Os casos de esporotricose humana expandiram-se exponencialmente no Brasil desde o final da década de 1990, emergindo com a espécie S. brasiliensis transmitida principalmente por gatos. É importante notar que o número de casos é presumivelmente muito maior, pois essa doença não tinha notificação compulsória. Entretanto, esse ano, após a 1ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) de 2025, a esporotricose humana passou a ser doença de notificação compulsória.
A importância do gato doméstico na transmissão zoonótica da esporotricose foi relatada pela primeira vez nos EUA em 1982 e posteriormente em São Paulo (SP), RJ e Rio Grande do Sul (RS), Brasil. Nos últimos anos, estados nordestinos do Brasil, especialmente Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, têm detectado eventos epizoóticos entre a população felina, com a consequente transmissão zoonótica.
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Fatores importantes: Esporotricose
Sporothrix brasiliensis é o principal agente de transmissão zoonótica no Brasil e na Argentina, embora a transmissão zoonótica de Sporothrix schenckii tenha sido descrita no Brasil, EUA, México, Panamá, Argentina, Índia e Malásia. Sporothrix spp. são encontrados em vegetação viva ou em decomposição, excrementos de animais e solo. Os surtos de doenças estão associados à fonte comum de transmissão, como no exemplo clássico das minas de ouro sul-africanas, onde o fungo foi encontrado nas madeiras que sustentavam as minas.
Sporothrix spp. são transmitidos principalmente por inoculação traumática de material contaminado com fragmentos de hifas ou conídios na pele ou mucosa. Raramente, pode ocorrer inalação de propágulos fúngicos e disseminação hematogênica, com ou sem manifestação cutânea, semelhante ao que é visto em outras infecções sistêmicas causadas por fungos dimórficos.
Classicamente, a transmissão ambiental da esporotricose está associada a atividades de manipulação do solo, sejam elas ocupacionais ou de lazer. Na transmissão zoonótica, o fungo é implantado na pele a partir do contato com animais, doentes ou não, que carregam o fungo. O principal animal envolvido nesse processo é o gato doméstico, mas outros animais foram associados, como papagaios e outras aves, esquilos e outros roedores, peixes, cães e insetos. A tolerância térmica de S. brasiliensis parece ser um importante mecanismo de adaptação nos gatos, cuja temperatura corporal média é de 39 °C. Esse fato poderia explicar, em parte, por que esse animal é mais comumente infectado por essa espécie.
Considerações finais
No geral, a doença é benigna. Assim, os dados de mortalidade associados à esporotricose são escassos. A apresentação e o curso clínico da micose dependem da quantidade e profundidade do inóculo, da virulência do patógeno, bem como da resposta imune do hospedeiro.
Devido à epidemia de transmissão zoonótica iniciada no Rio de Janeiro (RJ), a doença apresentou manifestações clínicas incomuns, causando dificuldades terapêuticas não observadas anteriormente. O diagnóstico micológico tem sido aprimorado, principalmente a sorologia e houve contribuições para a epidemiologia molecular e a filogenia de Sporothrix spp.
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