O sarampo é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa, transmitida de principalmente pela via aérea. Os principais sintomas são febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema. Em pacientes imunocomprometidos (como os transplantados) pode evoluir para formas mais graves, devido uso de medicamentos imunossupressores necessários para manutenção do enxerto.
É uma doença prevenível por vacinação e, diante do recente aumento do número de casos no Estado de São Paulo, a Comissão de Infecção em Transplantes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (COINT/ABTO) e o Comitê de Infecção em Transplantados e Imunodeprimidos da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) publicaram um documento reforçando as orientações de prevenção ao agravo, atualizado em agosto de 2026.

Como prevenir o sarampo em transplantados?
Vacina tríplice viral exige avaliação após transplante
A vacina contra o Sarampo é do tipo vírus vivo atenuado (vacina tríplice viral – Sarampo, Caxumba e Rubéola – SCR). Dessa forma, é contraindicada na população transplantada, por conter vírus vivo atenuado em sua formulação. Diante disso, para que a situação vacinal seja avaliada, o paciente transplantado NÃO deve procurar um centro de vacinação, e sim, entrar em contato diretamente com sua equipe de transplante, devido risco de eventos adversos graves pós-vacinação.
Imunização de conviventes protege pacientes transplantados
A imunização dos contactantes (familiares, conviventes e cuidadores) é de extrema importância para proteção do paciente transplantado. A recomendação atual em São Paulo é a vacinação de qualquer pessoa com menos de 60 anos, independentemente do histórico vacinal prévio. Indivíduos que já tiveram sarampo não precisam de revacinação.
Quando indicar vacinação após transplante de células-tronco hematopoiéticas?
Os pacientes em pré-TCH (Transplante de Células Tronco Hematopoiéticas) devem ter sua situação vacinal avaliada. No pós-TCH, a imunização é indicada de acordo com o tempo decorrido pós-transplante: é contraindicada no primeiro ano; entre o 1º e 2º ano pós-TCH é avaliada de acordo com o risco epidemiológico e, a partir de 2 anos do TCH, a vacina contra sarampo é recomendada naqueles pacientes sem DECH (Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro) ativa, sem recaída da doença de base, sem imunossupressão relevante e com recuperação imunológica adequada.
Exposição ao sarampo exige contato imediato com a equipe de transplante
Caso o transplantado tenha contato com caso suspeito ou confirmado de sarampo, a equipe de transplante deve ser comunicada imediatamente, para avaliação da administração de imunoglobulina humana.
Cuidados essenciais para prevenir o sarampo após transplante
- Orientar ativamente os transplantados a não se vacinarem por conta própria;
- Revisar a situação vacinal de todos os contactantes do paciente;
- Orientar como proceder em caso de exposição ao sarampo;
- Orientar os pacientes a procurarem atendimento médico em caso de: febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza, olhos vermelhos ou conjuntivite.
Autoria

Camila Rangel
Médica graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora em 2018. Infectologista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de 2019 a 2022. Mestra pela Faculdade de Medicina da UFMG em 2025. Infectologista do Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFMG e Auditora Médica da Unimed Federação Minas.
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