Pesquisadores da Universidade do Porto e do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (CESPU), em Portugal, publicaram uma revisão sistemática sobre agrotóxicos na gestação.
O trabalho, divulgado em setembro de 2026 na Environmental Research, reuniu 39 trabalhos com biomarcadores maternos de exposição. A análise associou esses compostos a menor peso ao nascer e a parto prematuro, além de possíveis efeitos metabólicos maternos.
Das 39 publicações, 33 são estudos com 24.532 participantes contabilizados nas amostras, provenientes de 17 países e territórios. Como algumas pesquisas utilizaram coortes compartilhadas, o total não representa necessariamente mulheres distintas.

Peso ao nascer reduzido em 5 de 13 estudos com organofosforados
Os organofosforados (OPs) lideraram as análises de agrotóxicos na gestação, com 13 estudos sobre peso ao nascer. Oito não encontraram associação significativa, mas cinco relataram redução do peso, sobretudo com exposição no segundo ou terceiro trimestre. O padrão sugere maior vulnerabilidade fetal na metade final da gestação.
Estudos associam organofosforados e glifosato ao parto prematuro
Quatro estudos ligaram os OPs a gestações mais curtas, e dois a maior risco de parto prematuro. Glifosato e seu metabólito AMPA (ácido aminometilfosfônico) se associaram à gestação mais curta em três estudos. Para os OPs, os autores citam a inibição da acetilcolinesterase como possível via de efeito sobre a contratilidade uterina.
Na maior coorte, com 4.444 participantes no Japão, a exposição a organofosforados foi associada a maior risco de parto prematuro apenas entre mulheres com baixo consumo de frutas. Segundo os autores, fatores alimentares potencialmente protetores podem atenuar ou mascarar os efeitos adversos da exposição a esses agrotóxicos.
Neonicotinoides elevam o risco de diabetes gestacional?
Os três estudos sobre neonicotinoides, todos realizados na China, identificaram associação com maior risco de diabetes gestacional, o que limita a extrapolação dos resultados para outras populações e contextos de exposição. O metabólito piretroide 3-PBA (ácido 3-fenoxibenzoico) também se associou ao desfecho. O glifosato só mostrou associação em interação com o IMC materno, e os OPs tiveram associação inversa em um estudo.
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A maioria dos estudos usou amostra única de urina, embora OPs, piretroides e neonicotinoides sejam eliminados em horas ou dias. Para caracterizar melhor os efeitos sobre parto prematuro e diabetes gestacional, os autores recomendam biomarcadores repetidos e modelagem de misturas. Diante do uso disseminado desses compostos e da maior vulnerabilidade durante a gestação, os autores destacam a redução da exposição materna a agrotóxicos como uma prioridade de saúde pública e de políticas regulatórias.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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