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Ginecologia e Obstetrícia3 novembro 2026

Estudo liga diabetes pré-gestacional à cardiopatia congênita crítica

Análise de mais de 44 milhões de nascimentos investiga a associação entre condições maternas e cardiopatia congênita crítica.
Por Bruna Lupp

A American Heart Association divulgou, em 2 de novembro de 2026, resultados preliminares sobre cardiopatia congênita crítica em nascidos vivos. A análise investigou associações com hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional e outros distúrbios maternos em mais de 44 milhões de nascimentos.

Os pesquisadores examinaram registros nacionais de certidões de nascimento entre 2018 e 2024, nos Estados Unidos, com apresentação prevista no Scientific Sessions 2026, em Chicago. O material divulgado é um resumo científico; o estudo completo ainda não está disponível para avaliação, e os achados não passaram por revisão por pares.

gestante

Hipertensão crônica registra associação com risco 30% maior de cardiopatia congênita

Gestantes com hipertensão crônica apresentaram probabilidade 30% maior de ter filhos com cardiopatia congênita crítica, em comparação àquelas sem hipertensão. O estudo considerou a condição preexistente à gravidez ou diagnosticada antes da 20ª semana gestacional.

A análise de mais de 44 milhões de nascimentos identificou aproximadamente 28 mil recém-nascidos com cardiopatia congênita crítica, equivalentes a 0,06% do total. Essas malformações cardíacas graves exigem cirurgia ou cateterismo cardíaco intervencionista no primeiro ano de vida, além de acompanhamento cardiológico especializado.

Durante o período investigado, a prevalência de hipertensão materna aumentou de 9,4%, em 2018, para 13,9%, em 2024. Paralelamente, a frequência de cardiopatia congênita crítica passou de 5,8 para 6,4 casos por 10 mil nascimentos, considerando 2018 e 2023-2024.

Os pesquisadores ajustaram a análise para características maternas, diabetes, tabagismo, histórico gestacional e duração da gravidez. Entretanto, os registros não permitiram avaliar o controle pressórico, os tratamentos utilizados ou a influência de fatores genéticos sobre os resultados.

Saiba mais: ESC 2025: Diretriz para o manejo de doenças cardiovasculares na gravidez

Como o diabetes pré-gestacional se associa às cardiopatias?

O diabetes pré-gestacional tipo 1 ou tipo 2 apresentou associação com risco 48% maior de defeitos cardíacos graves nos filhos. A comparação considerou gestantes sem diabetes, mantendo a distinção entre associação observada e causalidade.

A análise ajustou os resultados para características maternas, tabagismo, histórico gestacional e duração da gravidez. Ainda assim, os registros não incluíam fatores genéticos, dados de exames pré-natais e detalhes sobre o controle da pressão arterial.

Saiba mais: O que mudou na diretriz brasileira 2026 sobre diabetes e gestação?

Hipertensão gestacional apresenta associação mais fraca

A hipertensão gestacional apresentou aumento relativo de 8% na probabilidade de cardiopatia congênita crítica, inferior ao observado na hipertensão crônica.  Nos casos de  eclâmpsia, a investigação não encontrou associação estatisticamente significativa com esse desfecho.

Por se tratar de um estudo observacional, os resultados não permitem estabelecer uma relação causal entre hipertensão materna e cardiopatias congênitas críticas. Os autores propõem investigar associações com cardiopatia congênita crítica conforme momento do diagnóstico, gravidade e tratamento da hipertensão crônica e gestacional.

Alertas para a prática clínica

É importante destacar que os resultados apresentados integram um resumo científico preliminar, ainda sem publicação do estudo completo ou revisão por pares. Embora os achados reforcem a relevância do acompanhamento da pressão arterial antes e durante a gestação, não estabelecem relação causal com as cardiopatias congênitas críticas.

Além disso, a ausência de informações detalhadas sobre controle pressórico e tratamentos limita a interpretação dos resultados para a prática clínica.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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