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Ginecologia e Obstetrícia14 agosto 2026

Estetrol/drospirenona: eficácia, ciclo e segurança contraceptiva

Revisão sistemática avalia estetrol/drospirenona quanto à eficácia, controle do ciclo, segurança e possíveis benefícios não contraceptivos.

Nova revisão sistemática reúne as evidências disponíveis sobre o contraceptivo combinado contendo estetrol 15 mg e drospirenona 3 mg. 

O desenvolvimento de contraceptivos hormonais busca manter elevada eficácia anticoncepcional associada a um perfil favorável de segurança e tolerabilidade. Nesse contexto, o estetrol (E4), um estrogênio natural produzido pelo fígado fetal durante a gestação, passou a integrar uma nova formulação de contraceptivo oral combinado com drospirenona (DRSP). 

Uma revisão sistemática publicada em 2026 avaliou a eficácia contraceptiva, o controle do ciclo, a segurança e os benefícios não contraceptivos da combinação estetrol 15 mg/drospirenona 3 mg. A certeza da evidência para cada desfecho foi classificada pela metodologia GRADE. A revisão seguiu as recomendações do PRISMA e pesquisou as bases PubMed/MEDLINE, Scopus e Google Scholar até fevereiro de 2026. Foram incluídas 25 publicações, entre estudos de fase II e III, análises agrupadas e estudos mecanísticos, em adolescentes e mulheres em idade reprodutiva. 

Saiba mais: Efeitos do novo contraceptivo oral contendo estetrol e drospirenona 

Eficácia contraceptiva e controle do ciclo na revisão 

Os estudos incluídos demonstraram elevada eficácia contraceptiva do E4/DRSP, além de bom controle do ciclo menstrual, com padrões previsíveis de sangramento e perfil de tolerabilidade considerado aceitável. Os autores consideraram moderada a certeza das evidências para eficácia contraceptiva, controle do ciclo menstrual, eventos adversos comuns e desfechos laboratoriais relacionados aos efeitos hemostáticos e metabólicos. 

Saiba mais: CBGO 2026 – Contraceptivos de curta ação: desafios no aconselhamento clínico 

Como o E4/DRSP se compara às formulações com etinilestradiol? 

Nos estudos sobre mecanismos de ação que compararam o E4/DRSP com contraceptivos contendo etinilestradiol (EE), a combinação com estetrol apresentou menor impacto sobre marcadores hemostáticos e endócrino-metabólicos. As diferenças mais consistentes foram observadas para a resistência à proteína C ativada e para os parâmetros de geração de trombina, que sofreram menor alteração com E4/DRSP do que com formulações contendo EE. Entretanto, os autores ressaltam que esses resultados se referem a marcadores substitutos e não permitem estabelecer conclusões sobre o risco tromboembólico clínico. 

Dismenorreia entre os benefícios não contraceptivos 

Entre os possíveis benefícios além da contracepção, a evidência mais robusta foi observada para o tratamento da dismenorreia. Esse resultado foi sustentado por um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, sendo o único benefício não contraceptivo para o qual os autores encontraram evidência de alta certeza. Em contrapartida, a evidência para endometriose e outros sintomas menstruais foi considerada baixa. 

Risco tromboembólico clínico ainda permanece incerto 

Embora a revisão demonstre resultados consistentes para eficácia contraceptiva, controle do ciclo e desfechos laboratoriais, os dados disponíveis ainda não permitem estabelecer conclusões sobre o risco tromboembólico clínico. Apesar dos resultados observados nos marcadores hemostáticos, a evidência disponível para esse desfecho foi classificada como muito baixa. 

Saiba mais: Contraceptivos orais combinados: como avaliar o risco de tromboembolismo venoso 

O que a revisão acrescenta à prática 

Esta revisão sistemática mostra que o contraceptivo oral combinado contendo estetrol 15 mg e drospirenona 3 mg apresentou elevada eficácia contraceptiva, bom controle do ciclo menstrual, padrões previsíveis de sangramento e perfil de tolerabilidade satisfatório. Os estudos sobre mecanismos de ação também demonstraram menor impacto sobre marcadores hemostáticos e endócrino-metabólicos quando comparado a formulações contendo etinilestradiol. Assim, embora o E4/DRSP represente uma formulação inovadora entre os contraceptivos hormonais combinados, a evidência disponível sobre o risco tromboembólico clínico permanece muito baixa, necessitando de mais estudos.

Autoria

Foto de Ronaldo Oliveira

Ronaldo Oliveira

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Vale do Rio Verde, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade Estadual de Montes Claros. Professor da Universidade de Ribeirão Preto. Medicina Fetal pela FMRP - USP. Mestre e Doutor pela FMRP - USP.

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