Novos dados apresentados pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) chamam atenção para os efeitos do calor extremo sobre a gravidez, o parto e a saúde dos recém-nascidos. As informações foram divulgadas durante um pronunciamento do secretário-executivo da entidade, com base em uma pesquisa encomendada pela Wellcome a profissionais de saúde materna em cinco países.
Em uma pesquisa com cerca de mil profissionais de saúde de cinco países, 73% relataram perceber, nos últimos cinco anos, aumento de casos ou complicações relacionados ao calor entre gestantes. Outros 81% demonstraram preocupação com os riscos para os próximos cinco anos. Entre os entrevistados, 98% disseram já ter atendido uma gestante cuja saúde acreditavam ter sido afetada pelo calor extremo; para bebês, o percentual foi de 99%.

Profissionais relatam impacto crescente na saúde materna
O documento relaciona a exposição ao calor durante a gravidez a parto prematuro, natimorto, baixo peso ao nascer e complicações maternas. A UNFCCC também destaca que os efeitos não são distribuídos igualmente, principalmente quando gestantes trabalham ao ar livre, vivem em moradias sem condições adequadas de resfriamento ou enfrentam longos deslocamentos para acessar os serviços de saúde.
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Como o calor se relaciona ao parto prematuro?
Um estudo publicado na Environment International ajuda a contextualizar essa preocupação. Os pesquisadores analisaram 103.535 nascimentos em 14 países de baixa e média renda e identificaram 5.882 partos prematuros e 1.210 natimortos. Dados meteorológicos foram associados às informações dos nascimentos para avaliar a exposição aguda a temperaturas elevadas.
Na análise de nascimentos em 14 países de baixa e média renda, temperaturas máximas do ar mais altas nos dias anteriores ao parto se associaram a maior risco de parto prematuro e natimorto.
Os pesquisadores compararam as estimativas com uma temperatura de referência de 20 °C. Os valores apresentados nos gráficos descrevem a exposição ambiental e os resultados do modelo; não definem uma temperatura de segurança ou um ponto de corte clínico aplicável a toda gestante.
Para natimorto, os resultados indicaram aumento do risco entre gestantes que estiveram expostas a temperaturas elevadas nos sete dias anteriores ao parto. A associação não linear entre calor e natimorto mostrou uma faixa de temperatura entre 20 °C e 30 °C na qual as gestantes apresentaram maior suscetibilidade ao desfecho, em comparação com o risco observado na temperatura de referência de 20 °C.
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Dias em que a temperatura cai menos também se associam a riscos
O estudo também encontrou uma associação entre uma menor diferença entre as temperaturas máxima e mínima do dia e maior risco de parto prematuro e natimorto. Uma possível explicação é que haja menos alívio do calor durante a noite, mas o estudo não demonstrou essa hipótese isoladamente.
Uma amplitude inferior a 16 °C esteve relacionada a maior risco de parto prematuro. Para natimorto, a exposição a essa condição em um dia durante a semana anterior ao nascimento foi associada a um risco relativo de 2,1, com intervalo de confiança de 95% entre 1,01 e 4,02.
Os pesquisadores também observaram maior vulnerabilidade entre gestantes residentes em áreas rurais, pertencentes a domicílios com menor renda e com menor nível educacional. Esse resultado converge com a preocupação expressa pela UNFCCC de que condições sociais e de acesso aos serviços podem ampliar os efeitos do calor sobre a saúde materna.
Os dois conjuntos de dados não devem ser interpretados como uma única pesquisa. O levantamento apresentado em 2026 retrata a experiência recente de profissionais de saúde, enquanto o estudo epidemiológico avaliou nascimentos e exposição à temperatura. Em conjunto, porém, as fontes reforçam a associação entre calor extremo na gravidez e desfechos gestacionais adversos, especialmente parto prematuro e natimorto.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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