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Endocrinologia3 novembro 2026

Sisvan aponta alta de 259% em adultos com obesidade

Dados refletem pessoas acompanhadas pelo SUS e não representam a prevalência de obesidade no Brasil
Por Bruna Lupp

Os Registros do Sisvan, do Ministério da Saúde apontam aumento de 259% nos registros de adultos com obesidade no espaço de dez anos, de 3,09 milhões (em 2016) para 11,12 milhões (entre janeiro e outubro de 2026).

Esses números descrevem o acompanhamento nutricional nos serviços de saúde, não a prevalência de obesidade na população brasileira. A distinção é essencial porque o universo de pessoas monitoradas pelo Sisvan varia ao longo do tempo.

Registros do Sisvan ultrapassam 11 milhões de adultos

A proporção de adultos com obesidade entre os acompanhados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) passou de 25,1% em 2016 para 36,4% em 2026. A diferença corresponde a 11,3 pontos percentuais, enquanto o número absoluto de registros com obesidade apresentou crescimento de aproximadamente 259% no período.

O Sisvan reúne informações sobre o estado nutricional da população acompanhada pelos serviços de saúde. Seus relatórios permitem consultar os registros por período, localização geográfica, faixa etária e outras características dos indivíduos monitorados.

Entretanto, os resultados representam a população registrada no acompanhamento nutricional do SUS, e não a totalidade dos brasileiros. Por isso, o aumento de registros não pode ser interpretado como crescimento equivalente da prevalência nacional de obesidade.

Saiba mais: Diagnóstico, estadiamento e manejo da obesidade: síntese de recomendações atuais. 

Como funciona o tratamento da obesidade no SUS?

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Sobrepeso e Obesidade em Adultos estabelece uma abordagem multiprofissional, com intervenções alimentares, estímulo à atividade física e acompanhamento psicológico. A Atenção Primária à Saúde (APS) coordena o cuidado longitudinal e articula o acesso aos demais serviços.

O fluxo do PCDT prevê encaminhamento à atenção especializada para pacientes com IMC igual ou superior a 40 kg/m². Também contempla aqueles com IMC a partir de 35 kg/m² e comorbidades descompensadas. A assistência especializada ocorre de forma compartilhada com a APS, conforme as necessidades clínicas.

Para avaliação de cirurgia bariátrica, a linha de cuidado estabelece critérios adicionais. Pacientes com IMC igual ou superior a 50 kg/m² podem ser encaminhados diretamente, independentemente do tempo de tratamento clínico prévio.

Pessoas com IMC igual ou superior a 50 kg/m² podem ser encaminhadas para avaliação de cirurgia bariátrica independentemente do tempo de tratamento clínico prévio. Para IMC entre 40 e 49,99 kg/m², ou entre 35 e 39,99 kg/m² com comorbidades, a linha de cuidado prevê o encaminhamento quando as possibilidades de tratamento clínico conforme os protocolos tiverem sido esgotadas por pelo menos dois anos.

No tratamento farmacológico, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Sobrepeso e Obesidade em Adultos não contempla medicamentos incorporados especificamente para essa finalidade no SUS. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a semaglutida para pessoas a partir de 45 anos, com obesidade graus II ou III, sem diabetes e com doença cardiovascular estabelecida.

Um ano depois, em setembro de 2026, a pasta solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) uma nova avaliação para a possível incorporação de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida. A solicitação, entretanto, não representa uma decisão de incorporação nem garante a oferta desses tratamentos na rede pública.

Impactos no atendimento da Atenção Primária

Na Atenção Primária, os registros do Sisvan podem subsidiar a identificação de prioridades assistenciais e o planejamento das ações de vigilância nutricional.

A linha de cuidado do Ministério da Saúde prevê acompanhamento longitudinal, avaliação de comorbidades e atuação multiprofissional. Além disso, estabelece a articulação com serviços especializados para pacientes que atendam aos critérios de encaminhamento.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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