Autoridades de saúde do Reino Unido alertaram para a ocorrência de casos graves de pancreatite, incluindo óbitos, associados ao uso de medicamentos indicados para obesidade e diabetes, como Wegovy e Mounjaro. O comunicado foi divulgado pela Medicines and Healthcare products Regulatory Agency (MHRA), que destacou a importância de que profissionais de saúde e pacientes estejam cientes dos riscos, ainda que os eventos mais severos sejam considerados incomuns.
A recomendação se aplica a medicamentos que atuam mimetizando o hormônio intestinal GLP-1, como o Wegovy, e também àqueles que imitam simultaneamente o GLP-1 e o GIP, caso do Mounjaro. Ambos os fármacos já carregam advertências semelhantes em outros países, incluindo os Estados Unidos, e vêm sendo amplamente utilizados tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no controle do peso.
Notificações incluem mortes e casos de pancreatite necrosante
Segundo a MHRA, foram registradas quase 1,3 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025. Desse total, 19 casos resultaram em morte e outros 24 evoluíram para pancreatite necrosante, condição em que há morte do tecido pancreático. No mesmo período, cerca de 25 milhões de embalagens desses medicamentos foram dispensadas no país, o que reforça que as complicações graves representam uma parcela pequena dos usuários.
Apesar disso, a agência considera fundamental ampliar a vigilância. Pessoas que utilizam medicamentos para obesidade ou diabetes foram orientadas a procurar atendimento médico imediato caso apresentem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas, especialmente se vier acompanhada de náuseas ou vômitos.
Orientações a médicos e posicionamento das farmacêuticas A MHRA também recomendou que médicos investiguem o uso desses medicamentos em pacientes com sintomas compatíveis com pancreatite, já que parte deles pode ter adquirido os fármacos de forma privada, fora dos registros do National Health Service (NHS).
Em nota, a Novo Nordisk afirmou que os medicamentos à base de GLP-1 devem ser utilizados apenas sob supervisão médica e que o balanço entre benefícios e riscos segue positivo. Já a Eli Lilly informou que a pancreatite pode afetar até uma em cada 100 pessoas e recomendou cautela especial em pacientes com histórico prévio da doença, reforçando o compromisso com o monitoramento da segurança e a comunicação adequada aos prescritores.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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