A European Association for the Study of Diabetes (EASD) publicou uma nova diretriz clínica para avaliar e manejar o sofrimento emocional no diabetes em adultos com diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2. O documento busca incorporar esse componente à rotina clínica por meio de avaliação estruturada, acompanhamento e intervenções voltadas à redução da carga emocional associada à doença.
A diretriz define esse sofrimento como a carga emocional ligada a viver com diabetes e conduzir o próprio tratamento. Ela pode envolver preocupações, medo, culpa, frustração e tristeza diante de tarefas como uso de medicamentos, monitoramento da glicose, alimentação e atividade física. Dados de uma meta-análise citada pela diretriz indicam que cerca de 36% dos adultos que vivem com diabetes apresentam esse tipo de sofrimento, o que dimensiona a frequência do problema entre esses pacientes. O quadro é distinto do transtorno depressivo maior e não é classificado como uma condição de saúde mental diagnosticável.
As recomendações têm aplicação multidisciplinar e não se restringem à endocrinologia ou à saúde mental. A EASD orienta que os achados da avaliação sejam registrados e compartilhados com profissionais relevantes da equipe, favorecendo a continuidade do cuidado.

Avaliação emocional passa a integrar as consultas
A EASD orienta que profissionais discutam o lado emocional do diabetes em todas as consultas. A abordagem deve incluir perguntas abertas sobre desafios e sobre como a pessoa lida com a condição. Quando necessário, instrumentos válidos e confiáveis podem ajudar a identificar fontes específicas de sofrimento emocional no diabetes.
A avaliação deve ocorrer em intervalos regulares, pelo menos uma vez por ano, além de momentos de mudanças importantes na vida ou no tratamento. Os achados devem ser explorados com o paciente, registrados no prontuário e compartilhados com integrantes relevantes da equipe. Se houver sofrimento elevado, o próximo passo deve ser definido em conjunto.
A perspectiva de quem convive com diabetes também integrou a elaboração do documento. Duas pessoas que vivem com a doença participaram do painel responsável pela diretriz, com o mesmo direito a voto dos demais integrantes. Elas contribuíram para etapas que incluíram a formulação das perguntas clínicas, a interpretação das evidências e a construção das recomendações.
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Evidências ainda limitam parte das intervenções
A diretriz diferencia orientações consideradas boas práticas para avaliação das recomendações de manejo baseadas em evidências de ensaios clínicos. No diabetes tipo 1, por exemplo, a indicação de intervenções psicológicas associadas ao cuidado habitual é condicional e se baseia em evidências de baixa certeza.
Para adultos com diabetes tipo 2, a EASD apresenta recomendações condicionais para intervenções psicológicas, psicoeducacionais e educacionais. Os autores reconhecem, porém, a escassez de estudos de alta qualidade, especialmente em países de baixa e média renda.
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Cuidado centrado na pessoa orienta o acompanhamento
O documento ainda ressalta que profissionais generalistas e especialistas em diabetes devem ter competência para oferecer apoio psicológico e reconhecer quando é necessário acionar suporte especializado. A implementação do cuidado centrado na pessoa ainda depende de treinamento e apoio dos serviços de saúde.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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