Logotipo Afya
Anúncio
Endocrinologia24 setembro 2026

EASD orienta manejo do sofrimento emocional no diabetes

Nova diretriz detalha avaliação, acompanhamento e intervenções relacionadas à saúde mental para adultos com diabetes tipo 1 ou 2.
Por Redação Afya

A European Association for the Study of Diabetes (EASD) publicou uma nova diretriz clínica para avaliar e manejar o sofrimento emocional no diabetes em adultos com diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2. O documento busca incorporar esse componente à rotina clínica por meio de avaliação estruturada, acompanhamento e intervenções voltadas à redução da carga emocional associada à doença.

A diretriz define esse sofrimento como a carga emocional ligada a viver com diabetes e conduzir o próprio tratamento. Ela pode envolver preocupações, medo, culpa, frustração e tristeza diante de tarefas como uso de medicamentos, monitoramento da glicose, alimentação e atividade física. Dados de uma meta-análise citada pela diretriz indicam que cerca de 36% dos adultos que vivem com diabetes apresentam esse tipo de sofrimento, o que dimensiona a frequência do problema entre esses pacientes.  O quadro é distinto do transtorno depressivo maior e não é classificado como uma condição de saúde mental diagnosticável.

As recomendações têm aplicação multidisciplinar e não se restringem à endocrinologia ou à saúde mental. A EASD orienta que os achados da avaliação sejam registrados e compartilhados com profissionais relevantes da equipe, favorecendo a continuidade do cuidado. 

Doctor using lancet pen and digital glucometer to check diabetic patient's blood sugar level

Avaliação emocional passa a integrar as consultas

A EASD orienta que profissionais discutam o lado emocional do diabetes em todas as consultas. A abordagem deve incluir perguntas abertas sobre desafios e sobre como a pessoa lida com a condição. Quando necessário, instrumentos válidos e confiáveis podem ajudar a identificar fontes específicas de sofrimento emocional no diabetes.

A avaliação deve ocorrer em intervalos regulares, pelo menos uma vez por ano, além de momentos de mudanças importantes na vida ou no tratamento. Os achados devem ser explorados com o paciente, registrados no prontuário e compartilhados com integrantes relevantes da equipe. Se houver sofrimento elevado, o próximo passo deve ser definido em conjunto.

A perspectiva de quem convive com diabetes também integrou a elaboração do documento. Duas pessoas que vivem com a doença participaram do painel responsável pela diretriz, com o mesmo direito a voto dos demais integrantes. Elas contribuíram para etapas que incluíram a formulação das perguntas clínicas, a interpretação das evidências e a construção das recomendações.

Saiba mais: Diretriz SBD 2025: manejo clínico do diabetes

Evidências ainda limitam parte das intervenções

A diretriz diferencia orientações consideradas boas práticas para avaliação das recomendações de manejo baseadas em evidências de ensaios clínicos. No diabetes tipo 1, por exemplo, a indicação de intervenções psicológicas associadas ao cuidado habitual é condicional e se baseia em evidências de baixa certeza.

Para adultos com diabetes tipo 2, a EASD apresenta recomendações condicionais para intervenções psicológicas, psicoeducacionais e educacionais. Os autores reconhecem, porém, a escassez de estudos de alta qualidade, especialmente em países de baixa e média renda.

Veja mais: Prevalência e fatores de risco de depressão em pacientes com diabetes mellitus

Cuidado centrado na pessoa orienta o acompanhamento

O documento ainda ressalta que profissionais generalistas e especialistas em diabetes devem ter competência para oferecer apoio psicológico e reconhecer quando é necessário acionar suporte especializado. A implementação do cuidado centrado na pessoa ainda depende de treinamento e apoio dos serviços de saúde. 

Leia também: ACP 2026: Monitoramento contínuo de glicose no manejo do diabetes

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Psiquiatria