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Endocrinologia17 junho 2026

Diretriz orienta uso de semaglutida e tirzepatida para tratamento de obesidade

American College of Physicians apresenta hierarquia terapêutica e orientações para mudanças de estilo de vida para tratar doença
Por Redação Afya

O American College of Physicians (ACP) publicou, em 16 de junho, sua primeira diretriz clínica sobre o tratamento farmacológico da obesidade em pacientes adultos em ambiente ambulatorial. Publicada nos Annals of Internal Medicinea diretriz recomenda semaglutida e tirzepatida como opções de primeira linha, em combinação com mudanças no estilo de vida, para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m². 

As recomendações foram desenvolvidas pelo ACP Clinical Guidelines Committee com base em revisão sistemática e metanálise em rede que incluiu ensaios clínicos randomizados publicados até outubro de 2025, utilizando a metodologia GRADE para medir a certeza das evidências.  

Todas as recomendações têm caráter condicional, o que significa que os benefícios provavelmente superam os riscos, mas há incerteza apreciável e as decisões devem ser individualizadas.

Para adultos com obesidade (IMC ≥30 kg/m²), a diretriz estabelece uma hierarquia de quatro linhas: semaglutida e tirzepatida como primeira linha de tratamento (evidência moderada), fentermina-topiramato como segunda linha (evidência baixa), liraglutida como terceira linha (evidência baixa) e naltrexona-bupropiona como quarta linha (evidência baixa). O empate entre semaglutida e tirzepatida na primeira posição reflete um equilíbrio: a tirzepatida produziu maior perda de peso e melhora na qualidade de vida, enquanto a semaglutida demonstrou redução de mortalidade por todas as causas e de eventos cardiovasculares maiores (MACE) em comparação com modificações no estilo de vida isoladas — benefício ainda sem evidência suficiente para a tirzepatida. 

Saiba mais: SURMOUNT-5: tirzepatida é superior à semaglutida para tratamento da obesidade?

Sobrepeso com comorbidade tem indicação diferente de semaglutida e tirzepatida 

Para adultos com sobrepeso (IMC entre 27 e 30 kg/m²) que apresentem diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular estabelecida, a diretriz recomenda semaglutida e tirzepatida como primeira linha de tratamento e liraglutida como segunda linha. Fentermina-topiramato e naltrexona-bupropiona não foram recomendados para essa população por terem evidência insuficiente de benefício além da perda de peso nesse perfil. 

A diretriz destaca restrições importantes para dois medicamentos da hierarquia. A fentermina-topiramato está contraindicada em adultos com doença cardiovascular estabelecida, pois os ensaios clínicos que embasaram sua aprovação excluíram esse perfil, e exige testes mensais de gravidez em mulheres com potencial reprodutivo por ser teratogênica. A naltrexona-bupropiona carrega alerta em caixa preta para ideação suicida e comportamentos suicidas. 

Saiba mais: Diretriz brasileira de tratamento farmacológico da obesidade 2026: o que muda

Quando descontinuar a AR-GLP-1 e o que a diretriz orienta sobre reganho de peso 

O ACP recomenda considerar a descontinuação do tratamento farmacológico quando o paciente não alcança perda de ao menos 5% do peso corporal total na dose máxima tolerada. A diretriz também alerta que o reganho de peso ocorre após a interrupção de semaglutida, tirzepatida e liraglutida (evidência baixa), e orienta que o médico discuta com o paciente a possibilidade de uso vitalício do medicamento. A decisão que deve considerar benefícios, riscos, custos, acesso, comorbidades e preferências individuais. 

A diretriz foi designada como viva, o que significa que o ACP Clinical Guidelines Committee a atualizará conforme novas evidências surgirem, especialmente sobre efeitos de longo prazo, como risco de tumores de células C da tireoide e perda de massa magra associada aos agonistas do receptor de GLP-1.

Saiba mais: Nova diretriz brasileira de tratamento da obesidade publicada pela ABESO 

Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe de jornalismo do Portal Afya.

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Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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