A residência multiprofissional em saúde é uma modalidade de pós-graduação lato sensu em serviço, com dedicação exclusiva e bolsa mensal definida em normas federais. Ela foi instituída pela Lei nº 11.129, de 30 de junho de 2005, e é voltada a profissionais de saúde de nível superior de diferentes categorias, como enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outras categorias.
O ingresso pode ocorrer por processos seletivos próprios das instituições ou por seleções nacionais, como o Exame Nacional de Residência em Área Profissional da Saúde (ENARE), utilizado por programas vinculados à rede EBSERH.
A seguir, reunimos os pontos essenciais para entender as regras do programa e planejar a candidatura.

O que é a residência multiprofissional em saúde
A residência multiprofissional em saúde é uma modalidade de pós-graduação lato sensu, desenvolvida em serviço, voltada a profissionais de saúde de nível superior, exceto médicos.
Ela faz parte das residências em área profissional da saúde, instituídas pela Lei nº 11.129/2005.
A regulação fica a cargo da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), vinculada ao MEC. A CNRMS define os critérios mínimos para os programas, credencia as instituições formadoras e acompanha a qualidade das residências em todo o país.
Diferença entre residência multiprofissional e residência médica
A diferença central em relação à residência médica vai além da área de atuação. Os programas multiprofissionais são, por definição, interprofissionais: equipes com dois ou mais profissionais de categorias distintas trabalham juntas no mesmo cenário de prática, com supervisão compartilhada.
Em vez de um residente de enfermagem aprendendo isolado, ele vai acompanhar casos ao lado de um residente de nutrição ou de serviço social. Essa lógica de formação amplia o repertório clínico de forma que nenhuma residência uniprofissional consegue replicar.
Estrutura do programa:
- Duração mínima: 2 anos (5.760 horas)
- Programas de 3 anos: 640 horas
- Carga semanal: 60 horas
- Distribuição: 80% em atividades práticas + 20% em atividades teórico-conceituais
- Ao final: certificado de pós-graduação lato sensu emitido pela instituição formadora, reconhecido pelo MEC como especialização
Quem pode fazer residência multiprofissional?
Podem fazer residência multiprofissional profissionais de saúde com diploma de graduação reconhecido pelo MEC, conforme as áreas previstas nas normas da residência em área profissional da saúde e nos editais de cada programa.
Entre as categorias que podem aparecer nos editais, estão:
- Enfermagem
- Fisioterapia
- Nutrição
- Psicologia
- Farmácia
- Serviço social
- Biomedicina
- Odontologia
- Educação física
- Terapia ocupacional
Um programa de residência em saúde da mulher pode chamar enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos; outro, voltado para oncologia, pode incluir nutricionistas e farmacêuticos.
Por isso, antes de se inscrever, o candidato deve consultar o edital do programa e confirmar três pontos: se sua profissão está contemplada, quantas vagas estão disponíveis e quais são os requisitos para matrícula.
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Residência de enfermagem no modelo multiprofissional
A enfermagem é a categoria com maior oferta de vagas dentro dos programas multiprofissionais. A presença da enfermagem é praticamente universal em qualquer equipe de saúde, o que explica a demanda das instituições por residentes dessa área.
Programas em hospitais de ensino vinculados à EBSERH costumam reservar número expressivo de vagas para enfermagem, especialmente em:
- Terapia intensiva
- Urgência e emergência
- Saúde da criança e saúde da mulher
- Oncologia e transplantes
A residência de enfermagem dentro do modelo multiprofissional é diferente das residências de enfermagem uniprofissionais que existem em paralelo em algumas instituições. Na modalidade multiprofissional, o enfermeiro residente trabalha integrado a uma equipe interprofissional, com volume de casos clínicos complexos e supervisão de referência que a uniprofissional raramente replica em profundidade.
Como entrar na residência multiprofissional em 2026?
A entrada na residência multiprofissional acontece por processo seletivo. Em geral, o candidato precisa acompanhar os editais das instituições, verificar se sua profissão está contemplada e cumprir as etapas previstas para o programa escolhido.
Há duas vias principais de ingresso:
ENARE: o Exame Nacional de Residências é um processo seletivo unificado, realizado em âmbito nacional, usado por instituições participantes para selecionar candidatos para programas de residência médica, multiprofissional e em área profissional da saúde. O exame permite ao candidato concorrer a programas de diferentes instituições, conforme as regras do edital vigente.
O candidato realiza uma única prova e pode se inscrever em programas de diferentes estados usando a mesma nota. A prova inclui questões de conhecimentos gerais em saúde e questões específicas por categoria profissional.
Processos seletivos próprios: universidades, hospitais, secretarias de saúde e outras instituições podem manter seleções independentes, com calendário, etapas, critérios de pontuação e número de vagas definidos em edital próprio.
A prova pode incluir questões de conhecimentos gerais em saúde, conhecimentos específicos da categoria profissional, análise de currículo e outras etapas, conforme cada edital.
A nota mínima para aprovação, o peso de cada etapa e o número de vagas por categoria variam entre programas. Acompanhar os editais das instituições de interesse é a forma mais segura de não perder oportunidades. Saiba mais sobre o ENARE.
Quanto ganha um residente multiprofissional
O residente multiprofissional recebe uma bolsa de R$ 4.106,09 brutos por mês, valor fixado pela Portaria Interministerial MEC/MS nº 9/2021 e vigente desde janeiro de 2022.
O valor líquido, após desconto de 11% de INSS, é de aproximadamente R$ 3.654,42. A bolsa é isenta de Imposto de Renda.
A bolsa não deve ser tratada como salário: a residência é uma formação em serviço, com dedicação exclusiva, e não um vínculo celetista.
Por isso, o residente não tem carteira assinada, FGTS ou 13º salário. Em contrapartida, a bolsa é mantida durante o período regular do programa e a residência segue as regras próprias previstas nas normas e no regimento institucional.
A dedicação exclusiva também precisa ser considerada. A residência em área profissional da saúde tem carga horária de 60 horas semanais, duração mínima de dois anos e exige disponibilidade integral para as atividades do programa.
Principais áreas da residência multiprofissional
Os programas de residência multiprofissional se organizam em eixos temáticos dentro da saúde. A tabela abaixo apresenta as principais áreas, as profissões que geralmente integram cada programa e o perfil de oferta de vagas.
| Área | Profissões frequentemente incluídas | Duração | Perfil de oferta |
| Saúde da Família e Comunidade | Enfermagem, Psicologia, Nutrição, Serviço Social, Educação Física | 2 anos | Alta — concentrada em municípios do interior |
| Urgência e Emergência | Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Farmácia | 2 anos | Média — em hospitais de referência |
| Terapia Intensiva | Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Farmácia | 2 anos | Alta — em hospitais de ensino |
| Saúde da Mulher | Enfermagem, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição | 2 anos | Média — em maternidades de ensino |
| Saúde Mental | Psicologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional, Enfermagem | 2 anos | Média — em CAPS e hospitais psiquiátricos |
| Oncologia | Enfermagem, Farmácia, Nutrição, Psicologia, Serviço Social | 2 anos | Média — em centros oncológicos |
| Saúde da Criança e do Adolescente | Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Terapia Ocupacional | 2 anos | Média — em hospitais pediátricos |
| Reabilitação | Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicologia | 2 a 3 anos | Baixa a média — em centros especializados |
A oferta de vagas por área muda a cada edital. Programas vinculados à EBSERH são atualizados anualmente pelo ENARE; os programas institucionais próprios seguem calendários independentes.
Vale a pena fazer residência multiprofissional?
Fazer residência multiprofissional pode valer a pena para profissionais que buscam especialização prática, experiência supervisionada e maior inserção em serviços de saúde
A decisão, porém, deve considerar o contexto completo: a residência exige dedicação exclusiva, carga horária de 60 horas semanais e pagamento de bolsa, sem vínculo celetista, FGTS ou 13º salário.
Na prática, o principal ganho está na formação. Durante o programa, o residente atua em cenários reais de cuidado, acompanha casos clínicos, participa de discussões em equipe e desenvolve competências específicas da área escolhida.
Para concurso público
A residência é um dos títulos mais pontuados em editais de saúde. Em muitos casos, é critério de desempate ou pré-requisito para vagas de alta complexidade no SUS. O certificado de pós-graduação lato sensu emitido ao término equivale formalmente a uma especialização e abre acesso a concursos que exigem pós-graduação como requisito de ingresso ou progressão.
Para carreira acadêmica
A combinação residência multiprofissional e mestrado é a trajetória mais comum entre profissionais que buscam docência ou gestão em saúde. Programas de mestrado em saúde coletiva, enfermagem e áreas afins valorizam candidatos com residência concluída.
Para o mercado privado
Hospitais de alta complexidade, clínicas especializadas e operadoras de saúde que trabalham com serviços de alta complexidade reconhecem a residência como diferencial de seleção.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre residência multiprofissional e residência médica?
A residência médica é exclusiva para médicos, regulada pela Comissão Nacional de Residência Médica, com acesso pela prova do Ministério da Saúde (R1). A residência multiprofissional é voltada para outras dez profissões da saúde, regulada pela CNRMS e com acesso pelo ENARE ou por processos seletivos próprios das instituições.
Preciso de experiência prévia para entrar na residência multiprofissional?
Não é obrigatório. O único pré-requisito formal é o diploma de graduação reconhecido pelo MEC. Na prática, candidatos com experiência clínica ou envolvimento em iniciação científica tendem a se sair melhor tanto nas provas quanto nas etapas de análise de currículo dos programas que as incluem.
Posso trabalhar durante a residência multiprofissional?
Em regra, não. A dedicação exclusiva é exigida pelo regime. Há exceções para atividades de docência ou pesquisa, mas que dependem de aprovação formal da coordenação. Tentar conciliar emprego com residência sem autorização é motivo de desligamento do programa.
O ENARE cobre todas as instituições que oferecem residência multiprofissional?
Não. O ENARE centraliza a seleção apenas para os programas vinculados aos hospitais da EBSERH. Universidades estaduais, hospitais filantrópicos e outras instituições realizam seus próprios processos seletivos, com datas e critérios independentes.
Quanto tempo dura a residência multiprofissional?
A duração mínima é de dois anos, correspondendo a 5.760 horas. Alguns programas têm três anos de duração (8.640 horas). A carga semanal é de 60 horas, com 80% em prática clínica e 20% em atividades teóricas.
A bolsa da residência multiprofissional tem desconto de Imposto de Renda?
Não. A bolsa é isenta de IR, equiparada a bolsa de estudo para fins tributários. Na declaração anual, deve constar em “Rendimentos isentos e não tributáveis”, código 72.
A residência multiprofissional vale como especialização para concursos?
Sim. O certificado de pós-graduação lato sensu emitido ao término é reconhecido como especialização pelo MEC e aceito como título de especialista pela maioria dos editais de concurso público na área da saúde.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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