A residência médica é uma das fases mais desafiadoras e enriquecedoras da formação de um médico. Entre as diversas especializações, a cirurgia geral se destaca como um dos pilares fundamentais da prática médica, preparando profissionais para atuar em situações que exigem precisão, agilidade e tomada de decisão rápida. Saiba um pouco mais da residência em cirurgia geral aqui nessa matéria.
Seja como um caminho definitivo ou como pré-requisito para outras especialidades cirúrgicas, essa residência oferece uma formação intensa e abrangente, combinando teoria e prática em um ambiente de alto impacto. Ao longo do programa, o residente desenvolve habilidades essenciais para atuar em procedimentos cirúrgicos, emergências médicas e cuidados pós-operatórios, adquirindo experiência tanto em hospitais de grande porte quanto em centros especializados.
Neste guia completo, vamos explorar todos os aspectos da especialização – desde os requisitos e rotina do residente até as principais cirurgias realizadas e as possibilidades de atuação no mercado.
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Duração e formato
A residência em cirurgia geral tem, em média, duração de três anos. Durante esse período, o residente adquire experiência clínica e prática, trabalhando em diferentes áreas da cirurgia. O formato da residência é estruturado em diferentes etapas, com o residente passando por um processo gradual de aprendizagem, desde o acompanhamento de cirurgias até a execução de procedimentos mais complexos.
A residência é uma formação intensiva, com plantões, atendimento de urgências e práticas em ambientes hospitalares de alta complexidade.
Pré-requisitos
Para ingressar na residência em cirurgia geral, o candidato deve ter graduação em medicina e ser aprovado no processo seletivo, que pode incluir provas objetivas, análise curricular e entrevistas. Alguns programas exigem experiência prévia em áreas clínicas, como medicina de urgência, antes da inscrição.
Perfil do cirurgião geral
O cirurgião geral é um profissional que tem um conhecimento abrangente das diversas áreas da cirurgia, lidando com uma ampla gama de procedimentos, desde os mais simples até os mais complexos. O perfil ideal para quem deseja seguir essa especialização envolve aptidão para tomar decisões rápidas, alta capacidade de gerenciamento de crises, além de um bom relacionamento com a equipe e paciência para o aprendizado contínuo. Além disso, a ética profissional e a capacidade de lidar com o estresse são fundamentais.
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Rotina da residência em cirurgia geral
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Primeiro ano (R1)
O primeiro ano da residência é mais focado em acompanhamento e aprendizado. O residente começa a realizar procedimentos simples. A rotina do R1 em cirurgia geral inclui plantões, atendimento de urgências e acompanhamento de casos clínicos.
Este ano é crucial para a adaptação do residente ao ambiente cirúrgico, com ênfase no aprendizado técnico, na observação dos preceptores e na construção da base de conhecimento necessário para a evolução na residência.
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Segundo ano (R2)
No segundo ano da residência, o residente passa a realizar procedimentos de maior complexidade, sob a supervisão de preceptores. Além disso, o R2 passa a ter mais autonomia nas suas decisões, começando a assumir mais responsabilidades na condução do paciente, mas sempre dentro da supervisão, claro. A carga de plantões também aumenta, exigindo maior resistência física e psicológica.
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Terceiro ano (R3)
O terceiro é o ano de consolidação da residência. O R3 em cirurgia geral se torna um profissional mais autônomo, com a capacidade de realizar cirurgias mais complexas, como ressecções oncológicas e procedimentos de emergência, como trauma abdominal.
O residente também passa a supervisionar os mais jovens, auxiliando no treinamento dos R1 e R2, além de participar de discussões científicas, pesquisas e outras atividades acadêmicas.
Principais cirurgias e procedimentos
Cirurgias do R1
O foco estará nas consultas eletivas e avaliações pré-operatórias no ambulatório, além do acompanhamento e internação de pacientes cirúrgicos na enfermaria.
O residente também auxiliará os R2 e R3 em cirurgias eletivas, podendo participar também de procedimentos mais simples, como suturas, drenagens e abordagens iniciais, avaliação e manejo inicial de traumas.
Cirurgias do R2
Ainda que com supervisão de um preceptor, nessa fase, já poderá realizar cirurgias mais simples de forma independente, colecistectomia laparoscópica, ressecção de lesões benignas e cirurgias de trato digestivo e gastrointestinal.
Cirurgias do R3
O R3 de cirurgia geral supervisionará os R2 e R1 no ambulatório e na enfermaria. Ele passará a maior parte do seu tempo no centro cirúrgico, em procedimentos de maior porte, como ressecção de tumores abdominais, cirurgias de grande porte em trauma e transplantes e procedimentos oncológicos.
Centros formadores
- USP
O programa de residência em cirurgia geral da USP é considerado um dos mais concorridos do país. O programa acontece no Hospital das Clínicas da FMUSP, que é o maior complexo de saúde da América Latina. As inscrições são feitas através do site da Fuvest.
- UFRJ
O processo seletivo para a residência médica da UFRJ é composto por uma prova objetiva com 150 questões de múltipla escolha. A formação é uma das mais procuradas do país, tendo ofertado, no edital de 2024, apenas 7 vagas para cirurgia geral.
- Hospital Mater Dei
O Hospital Mater Dei – Unidade Santo Agostinho, em Belo Horizonte, MG, é um dos participantes do Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais (PSU-MG). O PSU-MG é um concurso para médicos formados que desejam ingressar em programas de residência médica.
- SUS-SP
As inscrições para o processo seletivo do SUS-SP são realizadas on-line, por meio do site do Instituto Quadrix. Na edição de 2025, a única fase foi composta por uma prova objetiva de múltipla escolha, com 5 alternativas para cada questão.
- Hospital Israelita Albert Einstein
O Hospital Israelita Albert Einstein oferece uma das principais residências médicas em cirurgia geral do Brasil, com treinamento clínico, práticas em simuladores (CSR) e no CETEC, além de aulas e seminários. As inscrições são realizadas no site da Fundação Vunesp.
Outras instituições
Instituições como Unicamp, Unifesp, IAMSPE, UNESP, Hospital Sírio Libanês, UERJ e UFMS também estão entre os centros formadores mais procurados do Brasil.
Processos seletivos
Os processos seletivos para a residência em cirurgia geral incluem provas objetivas, avaliações práticas e, em alguns casos, entrevistas. A seleção é altamente competitiva, e os candidatos precisam demonstrar um alto nível de conhecimento médico e habilidades clínicas.
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No modelo tradicional de prova prática, podem ser utilizados bonecos ou atores nos procedimentos. Nela, o futuro profissional se depara com um caso clínico simulado ou situação-problema, e precisa realizar anamnese, exame físico, diagnóstico diferencial, conduta médica e outras atividades relevantes para a especialidade.
Já no modelo multimídia, são respondidas questões discursivas ou objetivas sobre casos clínicos apresentados através de imagens, vídeos ou textos, e não há contato direto com pacientes ou atores.
Para fechar a nota da prova prática, que equivale a, pelo menos, 40% da nota final, avaliam-se três critérios: raciocínio clínico, habilidades técnicas e comunicação interpessoal. A prova teórica vale 50%, e a análise de currículo, 10%.
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Campos de atuação
- Carreira em cirurgia geral
Após concluir a residência em cirurgia geral, o profissional tem uma ampla gama de opções de atuação, o que torna essa carreira extremamente flexível. O cirurgião geral pode trabalhar em hospitais públicos e privados, clínicas especializadas, unidades de emergência, e serviços de urgência, realizando desde procedimentos simples até os mais complexos.
Além disso, a carreira oferece a possibilidade de trabalhar como autônomo, atendendo pacientes em consultórios ou atuando em clínicas de cirurgias ambulatoriais. O cirurgião geral também pode se especializar em áreas mais específicas, como cirurgia oncológica, cirurgia laparoscópica, ou cirurgia bariátrica, ou até seguir a carreira acadêmica, ensinando e conduzindo pesquisas.
- Especialidades cirúrgicas
Muitos médicos optam por também se especializarem em áreas avançadas, como cirurgia oncológica, cirurgia cardiovascular, cirurgia torácica e cirurgia pediátrica, entre outras.
A escolha depende dos interesses pessoais e das oportunidades de formação contínua, como fellowships e cursos especializados. Essas especializações ampliam o leque de procedimentos do cirurgião, além de oferecerem novas oportunidades de carreira em hospitais de alta complexidade e centros de referência.
Leia: Qual área escolher: clínica, cirúrgica ou clínico-cirúrgica?
Mercado de trabalho
O mercado de trabalho para cirurgiões gerais é amplamente positivo, com alta demanda tanto em serviços públicos quanto privados. A especialização oferece a oportunidade de atuar em áreas de urgência e emergência, além de abrir portas para especializações futuras.
Se você está considerando a residência em cirurgia geral, este guia é um excelente ponto de partida para entender o que esperar dessa jornada e as inúmeras possibilidades de crescimento na carreira.
A Afya está sempre atenta às novidades do universo da residência médica, trazendo conteúdos atualizados e dicas valiosas para ajudar você nessa jornada. Para não perder nenhuma atualização sobre editais, provas e oportunidades, acompanhe a seção Carreira do nosso site e fique por dentro de tudo!
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