O certificado digital VIDaaS tem se tornado uma das opções mais procuradas por profissionais da saúde que precisam assinar documentos eletrônicos com validade jurídica — especialmente receitas digitais e prontuários eletrônicos. Com a expansão da prescrição eletrônica e as exigências regulatórias mais recentes, entender como essa solução funciona na prática é fundamental para escolher o modelo mais adequado para sua rotina.
O VIDaaS (certificado digital em nuvem do CFM) não é algo que você “compra direto” como outros certificados — ele vem vinculado ao seu registro no CRM. Diferente dos certificados tradicionais armazenados em token físico, o VIDaaS opera em ambiente de nuvem, oferecendo mobilidade, segurança criptográfica e integração com sistemas médicos.

O que é e como funciona tecnicamente
Ele funciona com uma criptografia assimétrica: o certificado possui duas chaves, uma pública e uma privada. A chave privada é utilizada para assinar documentos, enquanto a pública permite validar essa assinatura. No VIDaaS, quando o profissional realiza uma assinatura, o sistema autentica sua identidade e autoriza o uso da chave privada de forma remota, sem que ela precise sair dos servidores da certificadora.
Esse modelo reduz o risco de perda física de dispositivos e permite o uso em diferentes equipamentos — notebooks, computadores de clínicas e ambientes móveis — dependendo da integração com a plataforma utilizada.
Segurança: como ela é garantida
O VIDaaS, assim como padronizado, inclui criptografia de alto nível, controle de acesso com autenticação multifator e registro de logs de assinatura. Além disso, a assinatura digital garante a integridade do conteúdo: qualquer modificação posterior no documento o invalida automaticamente. Esse conjunto de camadas protege tanto o profissional quanto o paciente, especialmente na emissão de receitas sujeitas a controle especial.
O acesso ocorre mediante autenticação forte, geralmente combinando senha e segundo fator de verificação — seja por código enviado por SMS ou por notificação no aplicativo. Essa etapa garante que apenas o titular utilize o certificado.
Um recurso prático relevante: o VIDaaS permite configurar uma janela de autenticação de 1 a 12 horas, o que significa que o médico pode autenticar uma vez e assinar múltiplas receitas dentro desse período sem precisar confirmar no celular a cada documento. Para quem atende alto volume de pacientes, isso elimina uma das principais preocupações com o uso de certificados em nuvem no dia a dia.
VIDaaS substitui o token físico (A3)?
Sim, em muitos casos. A principal diferença está na forma de armazenamento e acesso. No modelo A3 tradicional, o profissional precisa conectar o token ao computador a cada assinatura, o que pode ser limitante em telemedicina ou em atendimentos em múltiplos locais. Com o VIDaaS, não há dispositivo físico — a assinatura ocorre mediante autenticação online. Ambos possuem validade jurídica equivalente quando emitidos dentro do padrão ICP-Brasil.
A escolha entre eles depende do perfil de uso: quem prefere controle físico do dispositivo pode optar pelo token; quem prioriza mobilidade e agilidade tende a se beneficiar mais do VIDaaS.
O que mudou com a RDC 1.000/2025
A regulamentação da prescrição eletrônica avançou significativamente e impacta diretamente quem usa o VIDaaS na prática clínica. Em vigor desde fevereiro de 2026, a RDC 1.000/2025 estabelece que todos os receituários eletrônicos de controle especial precisam obrigatoriamente do CPF do paciente e de assinatura eletrônica qualificada com certificado ICP-Brasil. Sem esses elementos, a prescrição não avança no sistema.
Outro ponto essencial: a validade dos receituários eletrônicos ficou restrita a serviços integrados ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR), com implementação completa prevista para 30 de setembro de 2026. Após essa data, receitas emitidas sem numeração do sistema ainda poderão ser aceitas por 30 dias. Ou seja, ter o VIDaaS não é suficiente por si só — a plataforma de prescrição utilizada também precisa estar integrada ao SNCR para que as receitas de medicamentos controlados tenham validade plena.
Como usar o VIDaaS na prescrição digital
Para utilizar o VIDaaS na prática clínica, o profissional precisa integrá-lo a uma plataforma compatível com assinatura digital qualificada. O fluxo é direto: o médico inicia o processo de assinatura na plataforma de prescrição, o sistema solicita autenticação junto ao certificado, a identidade é verificada com senha e segundo fator, e a assinatura digital é aplicada ao documento — registrando data, hora e integridade do conteúdo. O arquivo final passa a ter validade jurídica plena.
Vale reforçar um ponto que ainda gera dúvidas: o VIDaaS fornecido pelo CFM pode ser usado em todas as plataformas de prescrição digital do mercado — não é de uso exclusivo nos sistemas do CFM. E médicos não são obrigados a usar o VIDaaS do CFM: é permitido usar qualquer certificado digital ICP-Brasil disponível no mercado.
Quando vale a pena escolher o VIDaaS?
O VIDaaS tende a ser especialmente vantajoso para profissionais que realizam telemedicina com frequência, atendem em diferentes unidades ou precisam de assinatura rápida integrada ao sistema de prescrição. Para clínicas com múltiplos profissionais, a gestão digital também costuma ser mais prática do que a logística de múltiplos tokens físicos.
Para médicos adimplentes junto ao seu CRM, o VIDaaS tem ainda uma vantagem adicional: é o certificado oferecido gratuitamente pelo Conselho Federal de Medicina, dispensando qualquer custo de aquisição ou renovação anual.
Por outro lado, profissionais que preferem controle físico do dispositivo podem optar pelo modelo A3 tradicional — desde que compatível com sua rotina e com a plataforma utilizada.
Como conseguir o certificado VIDaaS
1 – Se você tem CRM ativo e regular, acesse o portal do seu CRM (ex: CREMESP) e procure por “Certificado Digital do CFM”, O certificado é gratuito para médicos pelo Conselho Federal de Medicina.]
2 – Solicite pelo CRM Virtual: Entre no portal de serviços do CRM, solicite emissão do certificado em nuvem, confirme seus dados. Se sua biometria não estiver válida, pode ser necessário agendar validação presencial ou biométrica
3 – Baixe o app VIDaaS. Depois da emissão, instale o app VIDaaS no celular. Faça login e crie sua senha.
4 – Ative para uso. Quando for usar (ex: prescrição):
- Escolhe “assinar com VIDaaS”
- Recebe notificação no celular
- Confirma com senha/biometria
Pronto! O certificado é liberado para uso naquele momento.
Dica prática (muito importante)
Você só vai conseguir usar o VIDaaS dentro de um sistema (ex: prescrição eletrônica tipo Afya Receita Pro ou sistema do CRM). Ele não funciona sozinho — é o “certificado” que valida a assinatura.
#Conteúdo revisado pela editora-médica Ester Ribeiro.
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