Estudo publicado no JAMA Cardiology associou o uso diário de cigarro eletrônico a menor função vascular em jovens que nunca fumaram. Pesquisadores da Manchester Metropolitan University observaram menor dilatação mediada por fluxo e pior desempenho no teste cardiopulmonar nesse público. O dado é relevante por envolver pessoas sem fatores de risco cardiovascular estabelecidos.
Foram avaliados 58 adultos de 18 a 45 anos entre 2023 e 2025. Eram 17 usuários exclusivos de vape de nicotina, 19 fumantes e 22 pessoas sem exposição. O status foi confirmado por cotinina urinária e monóxido de carbono exalado.

Dilatação mediada por fluxo atinge 5,5% nos usuários ante 8,3% sem exposição
A dilatação mediada por fluxo foi de 5,5% entre usuários de cigarro eletrônico, 4,4% entre fumantes e 8,3% no grupo sem exposição. Segundo os autores, cada queda de 1% neste parâmetro se associa a risco de 8% a 13% maior de eventos cardiovasculares. A estimativa vem de populações mais velhas e de maior risco, o que pede cautela com jovens.
A reatividade da artéria carótida, preditora independente de eventos cardiovasculares, foi menor no vape (0,6%) e no cigarro (-1,4%) do que entre não expostos (4,7%). Os grupos expostos não diferiram entre si, mesmo após ajustes para IMC, VO2 pico, lipídios e atividade física.
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Qual o desempenho de quem usa vape no teste cardiopulmonar?
No teste cardiopulmonar, o VO2 pico relativo foi de 27,9 mL/min/kg entre usuários de vape e de 33,8 mL/min/kg entre não expostos. A aptidão cardiorrespiratória reduzida prediz morbidade e mortalidade por todas as causas.
Entre fumantes, essa diferença não alcançou significância estatística. Já a ventilação minuto e o débito cardíaco ficaram menores nos dois grupos expostos, enquanto a espirometria não diferiu entre os grupos.
Autores separam o uso para redução de danos do consumo por não fumantes
Os autores reconhecem o papel do vape para quem tem dependência estabelecida do tabaco, perfil distinto do estudado. Para eles, os achados reforçam que não fumantes não devem usar o dispositivo.
O desenho transversal impede inferir causalidade. A amostra universitária limita a generalização. Os autores defendem estudos longitudinais antes que os achados orientem discussões sobre redução de danos entre fumantes. Essas pesquisas também são necessárias para esclarecer se o prejuízo vascular associado ao cigarro eletrônico é transitório ou persistente.
O Dr José Kffuri, cardiologista da Afya, destaca a importância do estudo e seus achados, mas faz um alerta: “Trocar o cigarro convencional pelo eletrônico não significa estar livre desta dependência tão nociva. Este estudo traz um sinal de alerta sobre a saúde vascular de adultos jovens. A mensagem final é que parar de fumar é uma das decisões mais importantes para proteger a saúde. Quem fuma vape merece apoio para abandonar o consumo e tratar a dependência, assim como o usuário de cigarros tradicionais. Oriente o paciente a procurar uma equipe de saúde. O SUS oferece tratamento para ajudar nesse processo de cessação”.
Autoria

Luciano Lucas
Editor de conteúdo da Afya. Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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