Em 2023, aproximadamente 26,8 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais faziam uso corrente de nicotina, representando 15,5% da população, mostram os dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad). O caderno temático também mostrou que o cigarro tradicional permanece sendo o mais utilizado (12,2%), entretanto, os cigarros eletrônicos já foram consumidos por cerca de 5,3% da população.
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De acordo com a pesquisa, 3,7% da população fumante faz uso exclusivo de dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs), também conhecidos como vapes. Já 2% dessa população faz o uso tanto de vapes como de cigarro tradicional.
Segundo o IPEC, o número de usuários de cigarro eletrônico cresceu de 500 mil em 2018 para mais de 2,8 milhões de fumantes em 2023. O aumento expressivo do uso do DEF pode ter como causa a facilidade de acesso ao produto. O LENAD demonstrou que 77,8% da população percebe como fácil ou muito fácil o acesso aos DEFs e entre os usuários adolescentes, 80,7% acham fácil conseguir o dispositivo.
Apesar do crescimento, a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidas pela ANVISA no Brasil desde 2009.
Uso ampliado dos dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs)
O levantamento destacou que 8,8% da população com 14 anos ou mais já fizeram uso de dispositivos eletrônicos de fumar (DEFs) pelo menos uma vez na vida, o que representa mais de 11 milhões de pessoas. Dentre as pessoas que experimentaram os DEFs, 63,6% continuam a usar atualmente, ou seja, mais da metade das pessoas que experimentaram mantiveram o uso de dispositivo.
Esse número fica ainda mais preocupante quando se trata de adolescentes. Quase 80% dos jovens que experimentaram vape se converteram em usuários. Além disso, entre adolescentes de 14 a 17 anos, 8,7% relataram uso do dispositivo no último ano, em comparação com 5,4% entre os adultos com 18 anos ou mais, demonstrando alta prevalência dos DEFs entre adolescentes.
Entre os adolescentes, o produto foi mais consumido por meninas: 12,3% já utilizaram DEFs em algum momento da vida. Esse número é invertido quando se trata de adultos, tendo o sexo masculino com a maior prevalência de uso (11,6%).
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Exposição na infância e riscos à saúde dos cigarros eletrônicos
O levantamento mostrou que 45,25% dos adolescentes entrevistados revelou ter pelo menos um dos pais fumantes. Entre os adultos, 61,2% alegaram ter sido expostos ao fumo parental durante a infância e adolescência. Apesar da aparente diminuição geracional da exposição ao fumo parental, o número de adolescentes que vive em um domicílio onde alguém fuma dentro de casa (16,5%) é maior quando comparado a adultos (11,7%).
A exposição passiva ao tabaco na infância está associada a problemas de saúde como asma, bronquite, asma, infecções respiratórias e outros agravos pulmonares. Além disso, essa exposição pode ser responsável pela tendência de o jovem iniciar o uso ativo do tabaco.
Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade de Michigan em parceria com centros no Reino Unido e nos EUA revelou que jovens que usam vapes têm 30 vezes mais chances de se tornarem fumantes semanais quando comparados com adolescentes que nunca experimentaram o dispositivo. O uso de cigarros eletrônicos traz diversos riscos à saúde como danos ao desenvolvimento cerebral de adolescentes, aumento de chances de doenças cardiovasculares e desenvolvimento de câncer.
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