Estudo publicado em 2026 no The Lancet Global Health analisa a atividade física entre adolescentes e identifica estagnação mundial desde 2010. A pesquisa reuniu 389 levantamentos de 140 países e 3,2 milhões de participantes, trazendo informações sobre dias ativos e diferenças entre meninas e meninos.
Os pesquisadores examinaram respostas de jovens de 11 a 17 anos sobre dias com pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa. Esse indicador permite comparar populações, mas não avalia integralmente as recomendações atuais da OMS.

Um em quatro adolescentes relata zero dias ativos
Em 2025, aproximadamente 240 milhões de adolescentes, equivalentes a 24,9% da população mundial nessa faixa etária, não atingiram 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana. Em contrapartida, apenas 13,9% alcançaram esse patamar nos sete dias, enquanto a média global permaneceu em 2,7 dias ativos semanais.
Os resultados indicam diferenças importantes na frequência de atividade física, especialmente entre os adolescentes menos ativos. O indicador, contudo, não representa ausência completa de movimento, pois considera somente os dias com pelo menos 60 minutos de atividade moderada a vigorosa.
Entre 2010 e 2025, os pesquisadores não identificaram melhora significativa no cenário mundial. Caso essa tendência continue, a proporção de adolescentes com menos de sete dias ativos permanecerá em 86,1% em 2030, acima da meta de 73,1%.
Nenhum país apresenta trajetória compatível com a meta global de atividade física para 2030, segundo as projeções do estudo. Mesmo países com médias mais elevadas, como Canadá, Irlanda, Finlândia, Sérvia e Cazaquistão, permanecem fora do ritmo necessário. Os pesquisadores defendem ampliar oportunidades de movimento e enfrentar barreiras sociais, culturais e ambientais, com prioridade para adolescentes menos ativos.
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Meninas apresentam menor frequência de atividade física
As desigualdades entre os sexos aparecem de forma consistente nos resultados globais. Em 2025, as meninas registraram média de 2,4 dias ativos por semana, contra 3,0 entre os meninos. Além disso, 28,4% das adolescentes não alcançaram 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana, percentual superior aos 21,7% observados entre os meninos.
A diferença também aparece entre os adolescentes mais ativos. Enquanto 16,7% dos meninos relataram pelo menos 60 minutos de atividade física nos sete dias da semana, essa proporção foi de apenas 11% entre as meninas. No Brasil, a diferença entre os sexos foi ainda mais expressiva, com os meninos registrando, em média, de 1,1 a 1,2 dia ativo a mais por semana.
Outro achado relevante envolve a idade. Globalmente, a média de dias ativos entre as meninas diminuiu de 2,6 aos 11 anos para 2,2 aos 17 anos. Entre os meninos, permaneceu relativamente estável, variando de 2,9 a 3,0 dias semanais. Os autores recomendam cautela nas comparações por idade, pois poucos levantamentos cobriram toda a faixa de 11 a 17 anos. Também destacam limitações do autorrelato e da cobertura dos dados, provenientes principalmente de pesquisas escolares.
Segundo os autores, normas de gênero restritivas, preocupações com segurança e oportunidades incompatíveis com as preferências das adolescentes podem dificultar sua participação. O estudo defende intervenções que considerem essas barreiras, com participação das próprias jovens na elaboração das estratégias. Também destaca a importância de combinar iniciativas escolares com ações mais amplas, em vez de depender exclusivamente de mudanças individuais de comportamento.
Como o médico pode orientar a atividade física na adolescência
O Guia de Atividade Física para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde, oferece parâmetros para orientar crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. O documento recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física, preferencialmente com intensidade suficiente para aumentar a frequência cardíaca e respiratória.
Para Dr. José Kffuri, cardiologista e professor da Afya, as atividades têm papel fundamental na prevenção cardiovascular. Segundo o médico, “a atividade física desde cedo melhora o condicionamento e ajuda no controle da pressão, do peso e da glicose. Manter esse hábito ao longo dos anos é importante. Sabemos que a baixa aptidão física na adolescência está associada a maior risco cardiovascular futuro, com aumento de eventos clínicos como infarto e AVC”.
A orientação do Guia também inclui atividades de fortalecimento muscular e ósseo em três ou mais dias da semana. Saltos, exercícios de empurrar e puxar e modalidades esportivas estão entre as possibilidades apresentadas pelo guia.
Para adolescentes que ainda não alcançam a recomendação, o Ministério da Saúde orienta aumentar progressivamente o tempo e a intensidade das atividades. Caminhadas, passeios de bicicleta, danças, jogos e esportes podem integrar a rotina. “Na consulta, tentando aumentar a adesão, vale perguntar o que impede o jovem de se movimentar e combinar metas possíveis, com atividades de que ele goste. Começar com pouco e progredir já tem grande impacto”, afirma o cardiologista.
Outro aspecto relevante é a redução do comportamento sedentário. O guia recomenda interromper períodos prolongados em frente às telas e sugere pelo menos cinco minutos de movimento a cada hora. Para pais e responsáveis, também propõe limitar, sempre que possível, o tempo diário diante das telas a duas horas.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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