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Anestesiologia27 julho 2026

Neurodesenvolvimento e exposição a anestesia geral em crianças

Estudo investigou se múltiplas exposições à anestesia geral na primeira infância estavam associadas a piores desfechos de neurodesenvolvimento

A exposição a anestesia geral nos primeiros anos de vida vem gerando especulações em relação a alterações do neurodesenvolvimento nesses pacientes. Muitos estudos vêm sendo realizados a fim de estabelecer ligação entre a administração de anestesia geral e distúrbios cognitivos em crianças.

Esses estudos são referenciados como GAS study (comparação entre exposição a anestesia geral e anestesia espinhal em crianças) e constituem a maior data-base internacional randomizada de investigação de comparações entre anestesia geral e anestesia espinhal em relação a efeitos no neurodesenvolvimento infantil. Esses estudos específicos levam em consideração fatores como neurodesenvolvimento e função cognitiva, alterações comportamentais, desenvolvimento de linguagem, duração a exposição a anestesia e complicações perioperatórias.

Esse estudo em questão, utilizando informações da GAS, teve como objetivo entender as múltiplas exposições a anestesia geral em comparação com uma ou nenhuma exposição anestésica na primeira infância possuiu ou não associação a piores resultados no desenvolvimento neurológico dos pacientes pediátricos de até 5 anos de idade.

Neurodesenvolvimento e exposição a anestesia geral em crianças

Imagem de DC Studio/magnific

Métodos utilizados

Crianças com múltiplas exposições a anestesia geral e crianças com nenhuma exposição a anestesia geral foram identificadas pelo banco de dados da GAS de sete diferentes países. O estudo teve como objetivo determinar a associação entre múltiplas exposições a anestesia geral precocemente na infância, e o desenvolvimento neurológico infantil.

A primeira análise foi realizada pela escala de quoeficiente de inteligência (QI) pela Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence aos 5 anos de idade e análises secundárias visaram testes neurocognitivos direcionados em questionários enviados aos cuidadores de cada criança focados na parte emocional e comportamental. 

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Principais achados

Foram analisados um total de 90 crianças, maioria masculina, submetidas a mais de duas anestesias gerais (grupo 1) e 141 crianças submetidas a uma única exposição ou a nenhuma exposição a anestesia geral (grupo 2). Todas com idade abaixo de 5 anos.

Quando comparados os grupos, as crianças do grupo 1 apresentaram um score de quase 6 pontos a menos na escala da Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence (-5,8; 95%CI, -10,2 a -1,4; P=0,011). Esse grupo também demonstrou uma performance (-5,6;95%CI, -10,3 a -1,0) e desenvolvimento verbal (-6,9;95%CI, -11,3 a -2,5) diminuídos nos testes de QI.

A exposição a múltiplas anestesias também estavam associadas a uma maior dificuldade global em executar funções em geral e um aumento nas dificuldades emocionais e de comportamento também foram observadas nesse grupo com scores T consistentemente elevados.

O que podemos levar para casa?

Apesar dos estudos GAS concluírem que uma única exposição a anestesia geral não promove alteração significativa na evolução neurocognitiva de crianças quando comparado com a exposição a anestesia espinhal, com esse estudo específico pode-se chegar à conclusão de que múltiplas exposições a anestesia geral em idade inferior a 5 anos estão associadas a diminuição da performance em geral e a diminuição do score de inteligência e de alguns aspectos do neurodesenvolvimento infantil.

Porém, o significado clínico desse estudo deve ser interpretado de forma cautelosa, devido à algumas limitações encontradas como principalmente o tamanho da amostra analisada e ao fato de o número total de anestesias não estar disponível em alguns casos.

Mais estudos comparativos envolvendo múltiplas exposições a anestesia geral especificamente, devem ser realizados, em amostras e populações infantis mais diversas para que se possa chegar a uma conclusão definitiva da casualidade da exposição e declínio cognitivo infantil.

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Autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC). Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA). Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). Membro da American Academy of Pain Medicine.

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Referências bibliográficas

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