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Anestesiologia5 novembro 2026

Bloqueio paravertebral não superou peridural na prevenção da dor crônica em estudo

Ensaio com 770 pacientes avaliou controle da dor, complicações e resultados de duas técnicas de anestesia regional após cirurgia torácica.
Por Gabriela Costa

Pesquisadores do estudo TOPIC-2 compararam bloqueio paravertebral e analgesia peridural torácica na prevenção da dor crônica pós-toracotomia. O ensaio randomizado envolveu 770 adultos de 15 centros do Reino Unido, recrutados entre 2019 e 2023. Os resultados foram publicados na revista científica The BMJ. 

Entre os participantes, 737 foram submetidos à toracotomia e integraram a análise principal. As duas estratégias utilizaram anestésico local por cateter durante até 48 horas após a cirurgia.

Bloqueio paravertebral não reduziu dor crônica aos seis meses

Aos seis meses, 22% dos pacientes avaliados no grupo paravertebral apresentaram dor torácica moderada ou intensa, contra 16% no grupo peridural. A diferença não foi estatisticamente significativa (p=0,12), sem comprovação de superioridade do bloqueio paravertebral.

A dor crônica foi definida por pontuação de pelo menos 40 milímetros em escala visual analógica de 100 milímetros, considerando a pior dor na semana anterior.

De acordo com a Dra Isabela Antunes, anestesiologista e editora da Afya, apesar da ausência de significância estatística, a peridural demonstrou alívio discretamente maior da dor, e, em vista da alta morbidade associada à dor crônica pós-toracotomia (com piora da qualidade de vida do paciente). 

“É importante repensar as técnicas anestésicas, ponderando dar preferência para Peridural quando não houver contra-indicação relativa ou absoluta para realização de punção do neuroeixo, como coagulopatias, uso de anticoagulantes, impossibilidade anatômica e de posicionamento. Assim, pode-se reservar o bloqueio paravertebral para casos em que haja contraindicação à Peridural que não impossibilitem também o bloqueio”, aponta a médica.

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Como a analgesia peridural torácica afeta a dor aguda?

No primeiro dia após a operação, a peridural proporcionou alívio discretamente maior. A diferença ajustada na pior dor foi de 7,7 milímetros na escala de 100 milímetros, abaixo do limiar de relevância clínica discutido pelos autores.

Não houve diferença identificável na intensidade da dor entre as técnicas no segundo e terceiro dias pós-operatórios.

Complicações anestésicas apresentam perfis distintos

O bloqueio paravertebral apresentou menos hipotensão, definida por pressão sistólica inferior a 90 mmHg, que a peridural (12% contra 18%). Também houve menos prurido (4% contra 12%), mas mais retenção urinária (12% contra 6%).

Os autores ressaltam que a maior utilização de cateter urinário no grupo peridural pode ter influenciado a comparação da retenção urinária. As complicações pulmonares e cirúrgicas foram semelhantes.

“Na rotina anestésica, quando trata-se de paciente em quadro vigente de infecção, sepse, fragilidade, desidratação intensa, comorbidades cardiovasculares, a hipotensão e vasodilatação causada pela Peridural pode ser danosa ao paciente. O prurido e a retenção urinária, apesar de parecerem menos relevantes, podem atrapalhar o pós-operatório, em idosos frágeis por exemplo, a retenção urinária está associada a maior incidência de delirium e picos hipertensivos”, explica a especialista. “Assim, é importante ter em mente os efeitos adversos esperados e avaliar caso a caso, individualizando a técnica. Bem como conversar com o paciente (se possível), orientando sobre os efeitos esperados e o benefício da analgesia potente, contando que a dor pós-operatória possui morbidade maior”. 

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Na cirurgia torácica, ambas as técnicas seguem como opções

Para a prática clínica, os resultados sustentam o uso de ambas as técnicas na analgesia após toracotomia, sem demonstrar redução adicional da dor crônica com a estratégia paravertebral.

O estudo foi aberto e teve amostra inferior à inicialmente planejada. Além disso, o protocolo paravertebral incluiu bloqueio antes da incisão, característica importante ao interpretar a aplicabilidade dos resultados.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Gabriela Costa

Gabriela Costa

Jornalista em formação pela Universidade Federal Fluminense.

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