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Reumatologia28 agosto 2026

Monoterapia na artrite reumatoide: quando considerar o certolizumabe pegol?

Entenda quando a monoterapia com certolizumabe pegol pode ser considerada na artrite reumatoide, o papel do metotrexato e as evidências mais recentes
Por Thiago Branco

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com UCB de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

A estratégia treat-to-target transformou o tratamento da artrite reumatoide (AR), reforçando a necessidade de controlar a atividade inflamatória e alcançar remissão ou baixa atividade da doença. Nesse cenário, o metotrexato (MTX) permanece como o DMARD sintético convencional de escolha e, sempre que possível, deve ser mantido em associação às terapias biológicas ou aos inibidores de JAK.  

No entanto, a prática clínica mostra que essa combinação nem sempre é viável. Intolerância, contraindicações, baixa adesão, comorbidades e preferência do paciente fazem com que uma parcela significativa dos indivíduos utilize terapias-alvo em monoterapia. Diante dessa realidade, compreender quando essa estratégia pode ser adotada e quais evidências sustentam sua utilização torna-se cada vez mais relevante.  

Por que o metotrexato continua sendo a primeira escolha? 

As principais diretrizes internacionais, como EULAR e American College of Rheumatology (ACR), continuam recomendando o metotrexato como tratamento inicial da artrite reumatoide. Quando o paciente permanece fora da meta terapêutica, a orientação é adicionar um DMARD biológico ou um inibidor de JAK, preferencialmente mantendo o MTX.  

Essa recomendação é baseada em benefícios já bem estabelecidos. Além do efeito clínico, o metotrexato reduz a imunogenicidade dos anti-TNF, contribuindo para maiores concentrações séricas do medicamento e menor formação de anticorpos antidroga, fatores associados à maior persistência terapêutica.  

Apesar disso, nem todos os pacientes conseguem manter o uso do MTX ao longo do tratamento. 

Quando a monoterapia pode ser considerada? 

Embora a associação entre MTX e terapias-alvo seja a estratégia preferencial, as diretrizes reconhecem situações em que a monoterapia passa a ser uma alternativa adequada. 

Entre elas estão: 

  • intolerância ao metotrexato;  
  • contraindicações clínicas ao seu uso;  
  • baixa adesão ao tratamento combinado;  
  • comorbidades que limitam a associação terapêutica;  
  • preferência do paciente por esquemas mais simples.  

Estudos observacionais mostram que a monoterapia já faz parte da prática clínica em uma proporção importante de pacientes com artrite reumatoide, especialmente quando o metotrexato não pode ser utilizado.  

O papel do fator reumatoide na resposta ao tratamento 

Outro aspecto discutido nas evidências mais recentes é a influência da sorologia na resposta terapêutica. 

Pacientes com títulos elevados de fator reumatoide costumam apresentar maior atividade inflamatória, pior prognóstico funcional e necessidade mais frequente de escalonamento terapêutico. Além disso, estudos recentes sugerem que níveis elevados de fator reumatoide podem reduzir a efetividade de alguns anti-TNF ao favorecer mecanismos relacionados à imunogenicidade e à redução das concentrações séricas do medicamento.  

Esses achados reforçam a importância da individualização terapêutica e da avaliação das características clínicas e sorológicas durante a tomada de decisão. 

O que diferencia o certolizumabe pegol? 

Entre os anti-TNF disponíveis, o certolizumabe pegol apresenta uma característica estrutural particular: a ausência da porção Fc do anticorpo. 

Segundo estudos experimentais e clínicos recentes, essa característica pode reduzir mecanismos relacionados à formação de anticorpos antidroga, contribuindo para menor imunogenicidade e maior estabilidade das concentrações séricas do medicamento.  

Além disso, análises recentes sugerem que a eficácia do certolizumabe pegol tende a sofrer menor influência dos títulos elevados de fator reumatoide quando comparada a outros anti-TNF que possuem região Fc.  

O que mostram as evidências sobre a monoterapia com certolizumabe pegol? 

Embora os estudos iniciais tenham priorizado o uso combinado ao metotrexato, publicações mais recentes reforçam a viabilidade da monoterapia em situações selecionadas. 

Ensaios clínicos demonstraram que pacientes com baixa atividade sustentada da doença puderam manter esse controle mesmo após a retirada do metotrexato, permanecendo apenas com certolizumabe pegol. Outros estudos de extensão e dados de vida real também observaram manutenção da resposta clínica, melhora funcional e boa persistência terapêutica em pacientes tratados em monoterapia.  

Esses resultados apoiam o uso dessa estratégia quando o metotrexato não é adequado, sempre mantendo o acompanhamento clínico e a estratégia treat-to-target. 

Individualização continua sendo a chave da decisão terapêutica 

A decisão entre manter ou retirar o metotrexato deve considerar o contexto clínico de cada paciente. Intolerância, contraindicações, perfil sorológico e resposta ao tratamento fazem parte dessa avaliação. 

Nesse cenário, as evidências recentes ampliam o entendimento sobre a monoterapia com certolizumabe pegol, mostrando que ela pode representar uma alternativa válida em pacientes selecionados, sem perder de vista os objetivos terapêuticos estabelecidos para a artrite reumatoide.  

Assista à masterclass completa 

🎧 Este conteúdo faz parte da nossa masterclass sobre monoterapia na artrite reumatoide. 

Assista ao vídeo completo e aprofunde seu conhecimento sobre as evidências recentes envolvendo o certolizumabe pegol, o impacto do fator reumatoide alto e os principais aspectos que orientam a tomada de decisão quando o metotrexato não pode ser utilizado.

Minibula:

CIMZIA® (certolizumabe pegol) Solução injetável. Indicações: Doença de Crohn – Redução dos sinais e sintomas da doença de Crohn e manutenção da resposta clínica em pacientes adultos com doença ativa de moderada a grave, que tiveram resposta inadequada à terapia convencional. Artrite Reumatoide – Em associação com metotrexato (MTX), é indicado para o tratamento da artrite reumatoide (AR) ativa, moderada a grave, em doentes adultos, quando a resposta a fármacos modificadores da evolução da doença reumática (DMARD), incluindo o MTX, foi inadequada. Pode ser utilizado em monoterapia no caso de intolerância ao MTX ou quando o tratamento continuado com MTX é inadequado; no tratamento da AR grave, ativa e progressiva em adultos que não tenham sido tratados previamente com MTX ou outros DMARD. Artrite Psoriásica – CIMZIA em combinação com metotrexato é indicado para o tratamento com artrite psoriásica ativa em adultos quando a resposta anterior com terapia com DMARDs tenha sido inadequada. CIMZIA pode ser administrado como monoterapia em casos de intolerância ao metotrexato, ou quando o tratamento contínuo com metotrexato for inadequado. Espondiloartrite axial – Indicado para o tratamento de pacientes adultos com espondiloartrite axial ativa grave, compreendendo: Espondilite anquilosante (EA): adultos com espondilite anquilosante ativa grave que tiveram resposta inadequada, ou são intolerantes à fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINES); e Espondiloartrite axial sem evidência radiográfica de EA: adultos com espondiloartrite axial ativa grave sem evidência radiográfica de EA, porém, com sinais evidentes de inflamação detectados por proteína C-reativa (PCR) elevada e/ou ressonância magnética (RM), que tiveram resposta inadequada, ou são intolerantes, à AINES. Psoríase em placa: CIMZIA é indicado para o tratamento de pacientes adultos com psoríase em placa moderada a grave que são candidatos à terapia sistêmica. Contraindicações: hipersensibilidade ao certolizumabe pegol ou a qualquer outro componente da formulação. Tuberculose ativa ou outras infecções graves como sepse, abscessos e infecções oportunistas. Insuficiência cardíaca moderada a grave (classe III/IV NYHA). Cuidados e Advertências: Advertências: Infecções graves: infecções graves e algumas vezes fatais causadas por bactérias, micobactérias, fungos invasivos, vírus ou patógenos foram relatadas em pacientes tratados com antagonistas TNF, incluindo CIMZIA. O tratamento com CIMZIA não deve ser iniciado em pacientes com infecções ativas, incluindo infecções crônicas ou localizadas. Tuberculose: Como observado com outros antagonistas TNF, casos de reativação de infecções ou de nova tuberculose (incluindo pulmonar, extrapulmonar e disseminada) foram relatados em pacientes recebendo CIMZIA, incluindo óbitos. Os pacientes devem ser avaliados sobre fatores de risco para tuberculose e testados para infecções de tuberculose latente antes do início do tratamento com CIMZIA. Se diagnosticada tuberculose, iniciar o tratamento da tuberculose antes do início do tratamento com CIMZIA. Se durante o tratamento com CIMZIA for diagnosticada tuberculose ativa, deve-se interromper o uso de CIMZIA e iniciar o tratamento apropriado da tuberculose. Reativação do vírus da Hepatite B: o uso de antagonistas TNF, incluindo CIMZIA, pode aumentar o risco de reativação do vírus da hepatite B (HBV). Malignidades: a possibilidade do risco de desenvolvimento de linfoma ou outra malignidade em pacientes tratados com antagonistas TNF não pode ser excluída. CIMZIA não é indicado para uso em pacientes pediátricos. Câncer de pele: exames periódicos de pele são recomendados para todos os pacientes, particularmente aqueles com fatores de risco para câncer de pele. Insuficiência Cardíaca Congestiva: casos de agravamento da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e novos casos de ICC foram relatados com antagonistas TNF, incluindo CIMZIA. Reações de hipersensibilidade: sintomas compatíveis com reações de hipersensibilidade foram raramente relatados após a administração do 2 CIMZIA: angioedema, dispneia, hipotensão, rash, doença do soro e urticária. Se alguma destas reações ocorrerem, o tratamento deve ser descontinuado e deve-se estabelecer tratamento adequado. Sensibilidade ao látex: o envoltório da agulha, que não entra em contato direto com o paciente ou profissional que estiver administrando o produto, contém 7% de um derivado de látex de borracha natural. Um risco potencial de reações de hipersensibilidade não pode ser completamente excluído em indivíduos sensíveis ao látex. Reações neurológicas: deve-se ter cautela ao considerar o uso do CIMZIA em pacientes com doenças desmielinizantes do sistema nervoso central recentes ou pré-existentes. Reações hematológicas: embora nenhum grupo de alto risco tenha sido identificado, deve-se ter cautela em pacientes sendo tratados com CIMZIA que estejam em curso ou tenham histórico de alterações hematológicas significativas. Uso com drogas biológicas antirreumáticas modificadoras da doença: uso de CIMZIA associado com outros fármacos biológicos antirreumáticos modificadores do curso da doença não é recomendado. Autoimunidade: tratamento com CIMZIA pode resultar na formação de autoanticorpos e, raramente, no desenvolvimento da síndrome semelhante ao lúpus. Se um paciente desenvolver sintomas sugestivos de síndrome semelhante ao lúpus durante o tratamento com CIMZIA, este deve ser descontinuado. Imunizações: Não administrar vacinas vivas ou atenuadas durante o tratamento com CIMZIA. Imunossupressão: existe a possibilidade dos antagonistas do TNF, incluindo CIMZIA, causarem imunossupressão, afetando as defesas do hospedeiro contra as infecções e doenças malignas. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): deve ter-se precaução quando se usar qualquer antagonista do TNF em pacientes com DPOC, assim como em pacientes com risco acrescido para doenças malignas devido à história de consumo intenso de tabaco. Gravidez – Categoria de risco na gravidez: B. Mulheres com potencial para engravidar devem conversar com seu médico a respeito de métodos de contracepção adequados para evitar uma gravidez e continuar a sua utilização durante pelo menos 5 meses após a última dose de CIMZIA. Lactação: CIMZIA pode ser usado durante a amamentação. Efeitos sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas: Não foram realizados estudos para verificar os efeitos do certolizumabe pegol sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas. Interações medicamentosas: o tratamento concomitante com metotrexato, corticosteroides, anti-inflamatórios não esteroidais, analgésicos, análogos do ácido 5-aminosalicílico ou anti-infecciosos, não exerceu efeito na farmacocinética do CIMZIA. Testes laboratoriais: O certolizumabe pegol pode causar resultados erroneamente elevados no teste de TTPA em pacientes sem anomalias de coagulação. Não há evidência de que o tratamento com CIMZIA tenha efeito na coagulação in vivo. Reações adversas: as reações adversas mais graves observadas em estudos clínicos de CIMZIA para o tratamento de doença de Crohn e artrite reumatoide foram infecções graves, malignidades e insuficiência cardíaca. Em ensaios controlados, antes da comercialização, de todas as populações de pacientes combinadas, as reações adversas mais comuns (≥ 8%), que foram infecções respiratórias superiores (18%), rash cutâneo (9%) e infecções do trato urinário (8%). Posologia: Doença de Crohn: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 400 mg a cada quatro semanas. Artrite Reumatoide: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg cada por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou, alternativamente, pode ser considerada a dose de 400 mg de CIMZIA a cada quatro semanas. Artrite Psoriásica: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou 400 mg a cada quatro semanas. Espondiloartrite axial: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose 3 de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou 400 mg a cada quatro semanas. Após pelo menos 1 ano de tratamento com CIMZIA, em pacientes com remissão sustentada, uma dose de manutenção reduzida de 200 mg a cada 4 semanas pode ser considerada. Psoríase em placa: A dose recomendada de CIMZIA para pacientes adultos com psoríase em placa é 400 mg a cada 2 semanas. Em pacientes com peso corporal ≤90kg pode ser considerada uma dose inicial de 400 mg (nas Semanas 0, 2 e 4) seguida por dose de 200 mg a cada duas semanas. Apresentação: solução injetável em seringa preenchida, contendo 200 mg/mL de certolizumabe pegol em cada seringa. Embalagens com 2 seringas preenchidas + 2 lenços umedecidos em álcool. USO ADULTO ACIMA DE 18 ANOS. VIA SUBCUTÂNEA. VENDA SOB PRESCRIÇÃO. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. Para maiores informações, consulte a bula completa do produto. ☎ SAC 0800 016 6613 ✉ [email protected]. www.ucb-biopharma.com.br. Registro: 1.2361.0087 (R6_Março/2025) CONTRAINDICAÇÕES: HIPERSENSIBILIDADE AO CERTOLIZUMABE PEGOL OU A QUALQUER OUTRO COMPONENTE DA FORMULAÇÃO. TUBERCULOSE ATIVA OU OUTRAS INFECÇÕES GRAVES COMO SEPSE, ABSCESSOS E INFECÇÕES OPORTUNISTAS. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA MODERADA A GRAVE (CLASSE III/IV NYHA). INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: O TRATAMENTO CONCOMITANTE COM METOTREXATO, CORTICOSTEROIDES, ANTIINFLAMATORIOS NÃO ESTEROIDAIS, ANALGÉSICOS, ANÁLOGOS DO ÁCIDO 5-AMINOSALICÍLICO OU ANTI-INFECCIOSOS, NÃO EXERCEU EFEITO NA FARMACOCINÉTICA DE CIMZIA.

Este material é destinado exclusivamente a profissionais de saúde. BR-CZ-2600014. Abril/2026.

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.

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