A estratégia treat-to-target transformou o tratamento da artrite reumatoide (AR), reforçando a necessidade de controlar a atividade inflamatória e alcançar remissão ou baixa atividade da doença. Nesse cenário, o metotrexato (MTX) permanece como o DMARD sintético convencional de escolha e, sempre que possível, deve ser mantido em associação às terapias biológicas ou aos inibidores de JAK.
No entanto, a prática clínica mostra que essa combinação nem sempre é viável. Intolerância, contraindicações, baixa adesão, comorbidades e preferência do paciente fazem com que uma parcela significativa dos indivíduos utilize terapias-alvo em monoterapia. Diante dessa realidade, compreender quando essa estratégia pode ser adotada e quais evidências sustentam sua utilização torna-se cada vez mais relevante.
Por que o metotrexato continua sendo a primeira escolha?
As principais diretrizes internacionais, como EULAR e American College of Rheumatology (ACR), continuam recomendando o metotrexato como tratamento inicial da artrite reumatoide. Quando o paciente permanece fora da meta terapêutica, a orientação é adicionar um DMARD biológico ou um inibidor de JAK, preferencialmente mantendo o MTX.
Essa recomendação é baseada em benefícios já bem estabelecidos. Além do efeito clínico, o metotrexato reduz a imunogenicidade dos anti-TNF, contribuindo para maiores concentrações séricas do medicamento e menor formação de anticorpos antidroga, fatores associados à maior persistência terapêutica.
Apesar disso, nem todos os pacientes conseguem manter o uso do MTX ao longo do tratamento.
Quando a monoterapia pode ser considerada?
Embora a associação entre MTX e terapias-alvo seja a estratégia preferencial, as diretrizes reconhecem situações em que a monoterapia passa a ser uma alternativa adequada.
Entre elas estão:
- intolerância ao metotrexato;
- contraindicações clínicas ao seu uso;
- baixa adesão ao tratamento combinado;
- comorbidades que limitam a associação terapêutica;
- preferência do paciente por esquemas mais simples.
Estudos observacionais mostram que a monoterapia já faz parte da prática clínica em uma proporção importante de pacientes com artrite reumatoide, especialmente quando o metotrexato não pode ser utilizado.
O papel do fator reumatoide na resposta ao tratamento
Outro aspecto discutido nas evidências mais recentes é a influência da sorologia na resposta terapêutica.
Pacientes com títulos elevados de fator reumatoide costumam apresentar maior atividade inflamatória, pior prognóstico funcional e necessidade mais frequente de escalonamento terapêutico. Além disso, estudos recentes sugerem que níveis elevados de fator reumatoide podem reduzir a efetividade de alguns anti-TNF ao favorecer mecanismos relacionados à imunogenicidade e à redução das concentrações séricas do medicamento.
Esses achados reforçam a importância da individualização terapêutica e da avaliação das características clínicas e sorológicas durante a tomada de decisão.
O que diferencia o certolizumabe pegol?
Entre os anti-TNF disponíveis, o certolizumabe pegol apresenta uma característica estrutural particular: a ausência da porção Fc do anticorpo.
Segundo estudos experimentais e clínicos recentes, essa característica pode reduzir mecanismos relacionados à formação de anticorpos antidroga, contribuindo para menor imunogenicidade e maior estabilidade das concentrações séricas do medicamento.
Além disso, análises recentes sugerem que a eficácia do certolizumabe pegol tende a sofrer menor influência dos títulos elevados de fator reumatoide quando comparada a outros anti-TNF que possuem região Fc.
O que mostram as evidências sobre a monoterapia com certolizumabe pegol?
Embora os estudos iniciais tenham priorizado o uso combinado ao metotrexato, publicações mais recentes reforçam a viabilidade da monoterapia em situações selecionadas.
Ensaios clínicos demonstraram que pacientes com baixa atividade sustentada da doença puderam manter esse controle mesmo após a retirada do metotrexato, permanecendo apenas com certolizumabe pegol. Outros estudos de extensão e dados de vida real também observaram manutenção da resposta clínica, melhora funcional e boa persistência terapêutica em pacientes tratados em monoterapia.
Esses resultados apoiam o uso dessa estratégia quando o metotrexato não é adequado, sempre mantendo o acompanhamento clínico e a estratégia treat-to-target.
Individualização continua sendo a chave da decisão terapêutica
A decisão entre manter ou retirar o metotrexato deve considerar o contexto clínico de cada paciente. Intolerância, contraindicações, perfil sorológico e resposta ao tratamento fazem parte dessa avaliação.
Nesse cenário, as evidências recentes ampliam o entendimento sobre a monoterapia com certolizumabe pegol, mostrando que ela pode representar uma alternativa válida em pacientes selecionados, sem perder de vista os objetivos terapêuticos estabelecidos para a artrite reumatoide.
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Minibula:
CIMZIA® (certolizumabe pegol) Solução injetável. Indicações: Doença de Crohn – Redução dos sinais e sintomas da doença de Crohn e manutenção da resposta clínica em pacientes adultos com doença ativa de moderada a grave, que tiveram resposta inadequada à terapia convencional. Artrite Reumatoide – Em associação com metotrexato (MTX), é indicado para o tratamento da artrite reumatoide (AR) ativa, moderada a grave, em doentes adultos, quando a resposta a fármacos modificadores da evolução da doença reumática (DMARD), incluindo o MTX, foi inadequada. Pode ser utilizado em monoterapia no caso de intolerância ao MTX ou quando o tratamento continuado com MTX é inadequado; no tratamento da AR grave, ativa e progressiva em adultos que não tenham sido tratados previamente com MTX ou outros DMARD. Artrite Psoriásica – CIMZIA em combinação com metotrexato é indicado para o tratamento com artrite psoriásica ativa em adultos quando a resposta anterior com terapia com DMARDs tenha sido inadequada. CIMZIA pode ser administrado como monoterapia em casos de intolerância ao metotrexato, ou quando o tratamento contínuo com metotrexato for inadequado. Espondiloartrite axial – Indicado para o tratamento de pacientes adultos com espondiloartrite axial ativa grave, compreendendo: Espondilite anquilosante (EA): adultos com espondilite anquilosante ativa grave que tiveram resposta inadequada, ou são intolerantes à fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINES); e Espondiloartrite axial sem evidência radiográfica de EA: adultos com espondiloartrite axial ativa grave sem evidência radiográfica de EA, porém, com sinais evidentes de inflamação detectados por proteína C-reativa (PCR) elevada e/ou ressonância magnética (RM), que tiveram resposta inadequada, ou são intolerantes, à AINES. Psoríase em placa: CIMZIA é indicado para o tratamento de pacientes adultos com psoríase em placa moderada a grave que são candidatos à terapia sistêmica. Contraindicações: hipersensibilidade ao certolizumabe pegol ou a qualquer outro componente da formulação. Tuberculose ativa ou outras infecções graves como sepse, abscessos e infecções oportunistas. Insuficiência cardíaca moderada a grave (classe III/IV NYHA). Cuidados e Advertências: Advertências: Infecções graves: infecções graves e algumas vezes fatais causadas por bactérias, micobactérias, fungos invasivos, vírus ou patógenos foram relatadas em pacientes tratados com antagonistas TNF, incluindo CIMZIA. O tratamento com CIMZIA não deve ser iniciado em pacientes com infecções ativas, incluindo infecções crônicas ou localizadas. Tuberculose: Como observado com outros antagonistas TNF, casos de reativação de infecções ou de nova tuberculose (incluindo pulmonar, extrapulmonar e disseminada) foram relatados em pacientes recebendo CIMZIA, incluindo óbitos. Os pacientes devem ser avaliados sobre fatores de risco para tuberculose e testados para infecções de tuberculose latente antes do início do tratamento com CIMZIA. Se diagnosticada tuberculose, iniciar o tratamento da tuberculose antes do início do tratamento com CIMZIA. Se durante o tratamento com CIMZIA for diagnosticada tuberculose ativa, deve-se interromper o uso de CIMZIA e iniciar o tratamento apropriado da tuberculose. Reativação do vírus da Hepatite B: o uso de antagonistas TNF, incluindo CIMZIA, pode aumentar o risco de reativação do vírus da hepatite B (HBV). Malignidades: a possibilidade do risco de desenvolvimento de linfoma ou outra malignidade em pacientes tratados com antagonistas TNF não pode ser excluída. CIMZIA não é indicado para uso em pacientes pediátricos. Câncer de pele: exames periódicos de pele são recomendados para todos os pacientes, particularmente aqueles com fatores de risco para câncer de pele. Insuficiência Cardíaca Congestiva: casos de agravamento da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e novos casos de ICC foram relatados com antagonistas TNF, incluindo CIMZIA. Reações de hipersensibilidade: sintomas compatíveis com reações de hipersensibilidade foram raramente relatados após a administração do 2 CIMZIA: angioedema, dispneia, hipotensão, rash, doença do soro e urticária. Se alguma destas reações ocorrerem, o tratamento deve ser descontinuado e deve-se estabelecer tratamento adequado. Sensibilidade ao látex: o envoltório da agulha, que não entra em contato direto com o paciente ou profissional que estiver administrando o produto, contém 7% de um derivado de látex de borracha natural. Um risco potencial de reações de hipersensibilidade não pode ser completamente excluído em indivíduos sensíveis ao látex. Reações neurológicas: deve-se ter cautela ao considerar o uso do CIMZIA em pacientes com doenças desmielinizantes do sistema nervoso central recentes ou pré-existentes. Reações hematológicas: embora nenhum grupo de alto risco tenha sido identificado, deve-se ter cautela em pacientes sendo tratados com CIMZIA que estejam em curso ou tenham histórico de alterações hematológicas significativas. Uso com drogas biológicas antirreumáticas modificadoras da doença: uso de CIMZIA associado com outros fármacos biológicos antirreumáticos modificadores do curso da doença não é recomendado. Autoimunidade: tratamento com CIMZIA pode resultar na formação de autoanticorpos e, raramente, no desenvolvimento da síndrome semelhante ao lúpus. Se um paciente desenvolver sintomas sugestivos de síndrome semelhante ao lúpus durante o tratamento com CIMZIA, este deve ser descontinuado. Imunizações: Não administrar vacinas vivas ou atenuadas durante o tratamento com CIMZIA. Imunossupressão: existe a possibilidade dos antagonistas do TNF, incluindo CIMZIA, causarem imunossupressão, afetando as defesas do hospedeiro contra as infecções e doenças malignas. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): deve ter-se precaução quando se usar qualquer antagonista do TNF em pacientes com DPOC, assim como em pacientes com risco acrescido para doenças malignas devido à história de consumo intenso de tabaco. Gravidez – Categoria de risco na gravidez: B. Mulheres com potencial para engravidar devem conversar com seu médico a respeito de métodos de contracepção adequados para evitar uma gravidez e continuar a sua utilização durante pelo menos 5 meses após a última dose de CIMZIA. Lactação: CIMZIA pode ser usado durante a amamentação. Efeitos sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas: Não foram realizados estudos para verificar os efeitos do certolizumabe pegol sobre a capacidade de dirigir veículos e operar máquinas. Interações medicamentosas: o tratamento concomitante com metotrexato, corticosteroides, anti-inflamatórios não esteroidais, analgésicos, análogos do ácido 5-aminosalicílico ou anti-infecciosos, não exerceu efeito na farmacocinética do CIMZIA. Testes laboratoriais: O certolizumabe pegol pode causar resultados erroneamente elevados no teste de TTPA em pacientes sem anomalias de coagulação. Não há evidência de que o tratamento com CIMZIA tenha efeito na coagulação in vivo. Reações adversas: as reações adversas mais graves observadas em estudos clínicos de CIMZIA para o tratamento de doença de Crohn e artrite reumatoide foram infecções graves, malignidades e insuficiência cardíaca. Em ensaios controlados, antes da comercialização, de todas as populações de pacientes combinadas, as reações adversas mais comuns (≥ 8%), que foram infecções respiratórias superiores (18%), rash cutâneo (9%) e infecções do trato urinário (8%). Posologia: Doença de Crohn: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 400 mg a cada quatro semanas. Artrite Reumatoide: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg cada por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou, alternativamente, pode ser considerada a dose de 400 mg de CIMZIA a cada quatro semanas. Artrite Psoriásica: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou 400 mg a cada quatro semanas. Espondiloartrite axial: dose de indução: 400 mg (administradas como duas injeções de 200 mg por via subcutânea) inicialmente e nas semanas 2 e 4; dose 3 de manutenção: 200 mg a cada duas semanas ou 400 mg a cada quatro semanas. Após pelo menos 1 ano de tratamento com CIMZIA, em pacientes com remissão sustentada, uma dose de manutenção reduzida de 200 mg a cada 4 semanas pode ser considerada. Psoríase em placa: A dose recomendada de CIMZIA para pacientes adultos com psoríase em placa é 400 mg a cada 2 semanas. Em pacientes com peso corporal ≤90kg pode ser considerada uma dose inicial de 400 mg (nas Semanas 0, 2 e 4) seguida por dose de 200 mg a cada duas semanas. Apresentação: solução injetável em seringa preenchida, contendo 200 mg/mL de certolizumabe pegol em cada seringa. Embalagens com 2 seringas preenchidas + 2 lenços umedecidos em álcool. USO ADULTO ACIMA DE 18 ANOS. VIA SUBCUTÂNEA. VENDA SOB PRESCRIÇÃO. SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. Para maiores informações, consulte a bula completa do produto. ☎ SAC 0800 016 6613 ✉ [email protected]. www.ucb-biopharma.com.br. Registro: 1.2361.0087 (R6_Março/2025) CONTRAINDICAÇÕES: HIPERSENSIBILIDADE AO CERTOLIZUMABE PEGOL OU A QUALQUER OUTRO COMPONENTE DA FORMULAÇÃO. TUBERCULOSE ATIVA OU OUTRAS INFECÇÕES GRAVES COMO SEPSE, ABSCESSOS E INFECÇÕES OPORTUNISTAS. INSUFICIÊNCIA CARDÍACA MODERADA A GRAVE (CLASSE III/IV NYHA). INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: O TRATAMENTO CONCOMITANTE COM METOTREXATO, CORTICOSTEROIDES, ANTIINFLAMATORIOS NÃO ESTEROIDAIS, ANALGÉSICOS, ANÁLOGOS DO ÁCIDO 5-AMINOSALICÍLICO OU ANTI-INFECCIOSOS, NÃO EXERCEU EFEITO NA FARMACOCINÉTICA DE CIMZIA.
Este material é destinado exclusivamente a profissionais de saúde. BR-CZ-2600014. Abril/2026.
Autoria

Thiago Branco
Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com residência médica em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia Clínica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Membro titular da Sociedade Clínica de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Oncologia Torácica (GBOT). Além da atuação na Afya, também é pesquisador em Oncologia Torácica, Oncologista na empresa Américas Oncologia e no serviço público.
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