Logotipo Afya

Conteúdo Patrocinado

UCBintersect
Anúncio
Reumatologia6 maio 2026

Fator reumatoide (FR)

Fator reumatoide e certolizumabe pegol: uma relação que pode redefinir a resposta aos Anti-TNFs

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com UCB de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

O fator reumatoide (FR) é um autoanticorpo dirigido contra a porção Fc da imunoglobulina G (IgG), com maior afinidade pela subclasse IgG1. Ele é predominantemente do tipo IgM, embora isotipos IgA e IgG também possam ser detectados.1,2 No contexto fisiopatológico da artrite reumatoide (AR), o FR forma imunocomplexos grandes, que se ligam a receptores Fcγ em macrófagos, ativam o complemento e perpetuam a inflamação sinovial.1,2,3

Está presente em 70% a 80% dos pacientes com AR, mas também pode ocorrer em infecções crônicas, doenças autoimunes e até em indivíduos saudáveis, especialmente idosos.1,4 No entanto, quando associado à AR, ele reflete uma resposta imune mais agressiva e maior risco de dano articular e extra-articular.1Metanálises recentes demonstram que títulos elevados de FR estão relacionados a pior prognóstico clínico e radiográfico, independentemente da presença de anticorpos anti-CCP.4,5

 

FR COMO MODULADOR DA EFICÁCIA DOS ANTI-TNFS

Essas propriedades do FR têm implicações diretas na farmacocinética dos agentes biológicos, especialmente os inibidores de TNF-alfa.3 O FR reconhece e se liga à porção Fc das moléculas de IgG, o que significa que pode interagir com anti-TNFs que possuem domínio Fc, como adalimumabe, infliximabe, golimumabe e etanercepte.2 Esta interação leva à formação de imunocomplexos maiores, aumentando o clearance do fármaco e reduzindo a concentração sérica ativa.3,5

Em contrapartida, o certolizumabe pegol (CZP) é um fragmento Fab peguilado que não contém a porção Fc, o que faz ele não ser reconhecido pelo FR. Essa característica molecular impede a formação de imunocomplexos mediados por FR e confere ao CZP um perfil farmacocinético mais estável.3

Em análises pós-hoc de seis estudos clínicos randomizados, incluindo os trials RAPID, C-OPERA e EXXELERATE, Tanaka et al. demonstraram que a combinação CZP + metotrexato (MTX) manteve taxas de remissão e baixa atividade da doença semelhantes entre todos os quartis de FR nas semanas 12 e 24, sem redução de eficácia nos pacientes com títulos elevados.2

No estudo EXXELERATE,5 comparando CZP e adalimumabe em pacientes com AR ativa e fatores de mau prognóstico, observou-se que apenas o CZP apresentou eficácia e níveis séricos independentes dos títulos de FR. Já para adalimumabe, níveis altos de FR, especialmente se > 203 UI/mL, se associaram à menor probabilidade de resposta DAS28 e à maior variabilidade de concentração sérica.5

Esses achados foram reforçados pelo estudo multicêntrico de Nagayasu et al.,3 com mais de mil pacientes em uso de diferentes anti-TNFs, nos quais altos títulos de FR não impactaram a resposta clínica ao CZP, mas reduziram significativamente as taxas de resposta entre os usuários de biológicos com Fc.3

De forma convergente, diretrizes internacionais recentes6,7 reconhecem o impacto dos autoanticorpos, incluindo o FR, na estratificação prognóstica e na individualização terapêutica. Embora não indiquem um biológico específico com base no FR, as evidências acumuladas sugerem que a ausência da porção Fc pode ter relevância clínica na manutenção da resposta terapêutica em pacientes com títulos elevados.4,6,7

Assim, o FR deixa de ser apenas um marcador diagnóstico e passa a ter importância na farmacocinética e na resposta clínica aos biológicos.1 Em especial, o certolizumabe pegol (CZP), que se destaca por não possuir domínio Fc, não ser reconhecido pelo FR e manter eficácia estável independentemente dos títulos séricos.2,3 Esse conhecimento deve orientar o raciocínio terapêutico do reumatologista, integrando biologia molecular e prática clínica baseada em evidências.

Autoria

Foto de Ana Paula Bazilio

Ana Paula Bazilio

Ana Paula Bazílio é médica formada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (SP), com residência em Clínica Médica pelo Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, e residência em Reumatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. É doutora em Reumatologia pela Faculdade de Medicina da USP e possui título de especialista em Clínica Médica (RQE 36555)e em Reumatologia (RQE 36556), reconhecidos pelas respectivas sociedades médicas e pelo Conselho Regional de Medicina. @draanabazilio  

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Mais Vídeos