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Pediatria25 março 2026

Movimento na infância como eixo do desenvolvimento e da saúde intestinal

É por meio do movimento que o cérebro se organiza e se desenvolve, o intestino amadurece, e a criança constrói sua autonomia. Entenda esse ciclo neste videocast!
Por Lygia Lauand

Este conteúdo foi produzido pela Afya em parceria com Daiichi-Sankyo de acordo com a Política Editorial e de Publicidade do Portal Afya.

A constipação infantil afeta cerca de 20% das crianças brasileiras e raramente se limita a um problema mecânico.5,7 Na prática pediátrica, ela integra um ciclo de retroalimentação negativa: a dor evacuatória leva à retenção voluntária, que forma o fecaloma, reduzindo progressivamente o impulso evacuatório.7 O resultado é uma criança que passa a se mover menos, dormir pior e se alimentar de forma inadequada. E, ao se mover menos, agrava ainda mais a motilidade intestinal.

O que torna esse ciclo clinicamente relevante é sua conexão com o neurodesenvolvimento.1,4 Nos primeiros anos de vida, o movimento estimula neurogênese, mielinização e maturação microglial, reforçando conexões pré-frontais e sensório-motoras essenciais para funções executivas e linguagem.1 Quando a criança reduz sua atividade física, seja por sedentarismo, seja pela dor associada à constipação, o impacto não é apenas físico, é sistêmico.3

Neste videocast, as pediatras Lygia Lauand e Sabrina Gois discutem como o eixo cérebro-intestino estrutura esse ciclo,4 de que forma o sedentarismo e a exposição excessiva às telas potencializam o problema, e como intervenções como a lactulose e o mucopolissacarídeo polissulfato podem atuar como facilitadoras do retorno ao ciclo fisiológico saudável — com evidências científicas.5,7

🎧 Este conteúdo faz parte do nosso videocast sobre movimento na infância como eixo do desenvolvimento e da saúde intestinal.

Leia a transcrição do episódio abaixo e, ao final, assista ao vídeo completo.

Olá a todos e sejam muito bem-vindos a este videocast, no qual vamos discutir por que o movimento corporal é um marcador biológico do desenvolvimento infantil e como intervenções simples podem sustentar esse processo. Meu nome é Lygia Lauand, sou pediatra e professora de pediatria na Afya Educacional, e hoje estou acompanhada da doutora Sabrina Gois, também pediatra e homeopata.

Movimento na infância: muito além do aprender a andar

Lygia: Sabrina, para começarmos, quando falamos em movimento na infância, de que fenômeno estamos falando?

Sabrina: Quando falamos em movimento corporal na infância, não estamos falando apenas de aprender a sentar, engatinhar ou correr. O movimento é um fenômeno biológico estruturante. Ele modula sistemas neuroendócrinos, regula a vigilância emocional e participa diretamente da maturação motora e cognitiva.1 Nos primeiros anos de vida, o movimento estimula neurogênese, mielinização e maturação microglial.1 Ele reforça conexões pré-frontais e sensório-motoras, protegendo funções executivas e a linguagem. Além disso, o movimento exerce impacto relevante sobre a saúde gastrointestinal.1,2 Crianças mais ativas apresentam menor retenção fecal e maior motilidade intestinal.2 Ou seja, movimento não é só habilidade, é organização cerebral. E, quando esse estímulo diminui, o impacto não é apenas físico, é sistêmico.1,2

Sedentarismo e telas: o que a literatura mostra

Lygia: Um dos maiores desafios do mundo moderno é manter as crianças fisicamente ativas e longe das telas. Como a exposição excessiva interfere nesse processo de organização sistêmica?

Sabrina: A exposição prolongada às telas reduz o movimento espontâneo, principalmente na primeira infância, e isso não é apenas uma questão comportamental. A literatura mostra que apenas cerca de 11% das crianças pequenas atingem os 180 minutos diários recomendados de movimento, incluindo exercícios vigorosos.3 Quando a criança se movimenta menos, há maior ativação do eixo estresse-HPA, maior liberação de cortisol, menor modulação vagal e impacto negativo na organização emocional e cognitiva.2 Além disso, o comportamento sedentário está associado a atrasos motores, pior desempenho em linguagem e maior desregulação comportamental.3 O tempo de tela não substitui apenas o brincar, ele interfere em sistemas biológicos fundamentais.3

O eixo cérebro-intestino e a motilidade infantil

Lygia: E a relação direta entre movimento e saúde intestinal?

Sabrina: Essa relação é muito interessante. O movimento modula o eixo cérebro-intestino.2,4 Crianças fisicamente mais ativas apresentam menor retenção fecal, maior motilidade intestinal e menor ativação do eixo estresse-HPA, que influencia diretamente o tônus colônico. Além disso, o movimento impacta a microbiota intestinal. A microbiota infantil regula o neurodesenvolvimento, ajusta a sensibilidade visceral, participa da modulação emocional e influencia a maturação do eixo HPA.1,4 Quando a criança se movimenta menos, há maior risco de retenção fecal, maior estresse, mais dor ao evacuar e alteração estrutural da microbiota. Não é exagero dizer que o intestino também precisa se movimentar.1,4

Constipação funcional infantil: o ciclo de retroalimentação negativa

Lygia: A constipação funcional pode interromper esse ciclo virtuoso do movimento?

Sabrina: Sim, sem dúvida. A constipação funcional tem prevalência de cerca de 20% na infância.5,6 E raramente é apenas um problema mecânico. A dor evacuatória leva à retenção voluntária. A retenção leva ao fecaloma, que reduz o impulso evacuatório. Surgem, assim, incontinência fecal, dor recorrente e impacto emocional.7 Essa criança passa a se movimentar menos, evita atividades que aumentam a pressão abdominal, dorme pior e alimenta-se menos.5,6 E movimentar-se menos agrava ainda mais a motilidade intestinal. Forma-se um ciclo de retroalimentação negativa. Por isso, tratar constipação não é apenas aumentar a frequência evacuatória, é restaurar um ciclo fisiológico saudável.5,6

Lactulose: mecanismo, segurança e desmame

Lygia: Qual é o papel da lactulose nesse cenário?

Sabrina: A lactulose é um dissacarídeo osmótico não absorvível. Ela aumenta o teor hídrico das fezes, facilita o trânsito intestinal e melhora a consistência fecal. Estudos mostram frequência evacuatória média entre 5,7 e 6,4 evacuações por semana com seu uso.5 É uma medicação com perfil de segurança preservado, sem impacto significativo em eletrólitos ou função hepática e renal. Pode causar mais fermentação — flatulência e distensão abdominal, especialmente no início — mas é segura e amplamente utilizada.5 Ao reduzir dor e retenção, a lactulose ajuda a criança a perder o medo de evacuar e recondiciona o intestino a funcionar regularmente. A lactulose funciona como facilitadora do retorno ao ciclo fisiológico do movimento.5

Lygia: Muitas pessoas acreditam que a lactulose pode viciar. Isso tem fundamento?

Sabrina: A lactulose não causa dependência farmacológica. Ela é um dissacarídeo não absorvível com ação osmótica. Não atua estimulando diretamente o plexo nervoso intestinal, não gera efeito irritativo crônico e não altera a fisiologia neuromuscular do cólon.7 O que existe na constipação funcional é um ciclo fisiopatológico. Quando a criança melhora e suspende a medicação precocemente, o padrão comportamental de retenção ainda não foi reorganizado e ocorre recaída. Isso não é vício, é tratamento interrompido antes da reorganização funcional completa.7 Estudos recentes sobre estratégias de desmame mostram que tanto a redução gradual da dose quanto a redução da frequência apresentaram taxas semelhantes de sucesso. Crianças em doses adequadas antes do desmame — cerca de 1,5 g/kg/dia — tiveram taxas iniciais de sucesso de cerca de 81%.7 O objetivo sempre é a autonomia intestinal para que a vida seja o mais ativa possível.

Traumas do movimento e o papel do mucopolissacarídeo polissulfato

Lygia: Se queremos que a criança se movimente mais, ela inevitavelmente vai se machucar. Qual a preocupação sobre essas intercorrências?

Sabrina: O movimento implica exploração, que implica quedas, hematomas, edemas e pequenos traumas. Esses eventos podem interromper temporariamente o ciclo de movimento. A dor local reduz a atividade espontânea, e a inflamação local pode alterar o comportamento e o humor. Manejar bem esses episódios e aliviar o desconforto também é promover desenvolvimento. O ideal é que a criança volte a se movimentar rapidamente, retomando o movimento com conforto.3

Lygia: E qual é o papel do mucopolissacarídeo polissulfato nesse retorno?

Sabrina: O mucopolissacarídeo polissulfato é um heparinoide tópico com ação anti-inflamatória local, efeito pró-fibrinolítico e modulador da microcirculação.8 Ele apresenta boa permeabilidade dérmica e age reduzindo o exsudato, o edema e as equimoses, além de favorecer a regeneração tecidual. Existem evidências em equimoses pós-operatórias, em flebites associadas a acessos venosos e em condições inflamatórias locais leves.8,9 As lesões costumam apresentar melhora entre 24 e 72 horas do início do tratamento.8,10 Ele não é apenas um agente para hematoma, é um aliado para manter a criança no fluxo natural do seu desenvolvimento.8,10

Mensagem final para o pediatra

Lygia: Sempre que examino uma criança com joelho ralado e cara de sapeca, falo: essa criança é feliz. Se você tivesse que deixar uma mensagem para os pediatras sobre movimento na puericultura, qual seria?

Sabrina: Movimento é um marcador biológico do desenvolvimento infantil. Ele organiza o cérebro, o intestino, a microbiota, o sono, o comportamento e o aprendizado. Quando protegemos o movimento, protegemos o desenvolvimento global da criança. Intervenções simples, como o manejo adequado da constipação com lactulose ou o cuidado local com mucopolissacarídeo polissulfato em pequenos traumas, podem operar silenciosamente para manter esse ciclo funcionando. No fundo, cuidar do intestino, da pele e, principalmente, manejar bem a dor é garantir que a criança continue fazendo aquilo que ela nasceu para fazer: se movimentar, explorar e se desenvolver.2,3,5,10

Assista ao videocast completo e aprofunde o raciocínio clínico com as especialistas.

Autoria

Foto de Lygia Lauand

Lygia Lauand

Lygia é gastropediatra e médica assistente do departamento de pediatria, puericultura e gastroenterologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e preceptora dos residentes.  Certificada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Federação Brasileira de Gastroenterologia, faz parte do Departamento Científico de Gastroenterologia Pediátrica da Sociedade Paulista de Pediatria.  Desde 2017 é professora de pediatria do grupo Afya Educacional e redatora Pedpapers. 

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Referências bibliográficas

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