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Saúde5 novembro 2026

USP detecta fentanil em usuários de canabinoides sintéticos

Achado de fentanil em usuários de canabinoides sintéticos expõe limites do autorrelato e reforça a demanda por vigilância toxicológica no Brasil

Em um estudo, publicado em 2026 na Drug and Alcohol Review, pesquisadores da USP detectaram fentanil em usuários de canabinoides sintéticos atendidos em serviços de tratamento da dependência em São Paulo. O opioide surgiu no fluido oral de 32% dos 65 participantes, sendo que nenhum desses positivos declarou uso da substância, o que limita o valor clínico do autorrelato. 

A coleta ocorreu entre agosto de 2024 e agosto de 2025, com análise das amostras de fluido oral por por cromatografia líquida e espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS). O artigo associa o uso de fentanil a maior frequência de náuseas, vômitos e mialgia. Historicamente, o Brasil apresenta baixa prevalência de uso ilícito de opioides com casos isolados de consumo confirmado de fentanil.

Canabinoides sintéticos sobre bancada

Fentanil não declarado surge isolado em 9 de 21 amostras positivas

Dos 21 positivos, 9 tinham só fentanil, 5 também apontaram o canabinoide MDMB-4en-PINACA, 4 cocaína ou metabólitos e 3 as três substâncias. Para os autores, o fentanil em usuários de canabinoides sintéticos pode ter vindo como adulterante dessas drogas, hipótese compatível com dados forenses paulistas. O menor uso relatado de cocaína pelo grupo positivo (0% contra 34%) aponta na mesma direção.

Saiba mais: Chasing the New Dragon: quando o fentanil inalado causa leucoencefalopatia tóxica

O que muda no resgate com naloxona diante da coexposição?

Informe de 2023 do Subsistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), do governo federal, descreve o fentanil como um opioide sintético agonista dos receptores μ-opioides. Segundo o mesmo documento, sua potência analgésica é cerca de 100 vezes a da morfina, sendo uma dose de 2 mg potencialmente letal. 

Dados experimentais citados no estudo indicam que a combinação com canabinoides sintéticos pode agravar a depressão respiratória e dificultar sua reversão com naloxona. Por isso, os autores alertam que doses adicionais do antagonista podem ser necessárias em casos de intoxicação combinada.

Saiba mais: Naloxona: qual a melhor dose para casos de overdose?

Usuários com fentanil relatam mais náuseas e mialgia

Náuseas ou vômitos (90,5% contra 43,2%) e mialgia (61,9% contra 11,4%) foram mais frequentes nos positivos, padrão que pode sinalizar coexposição não reconhecida a opioides. O grupo também tinha mais pessoas em situação de rua (52,4% contra 13,6%), embora nenhum fator tenha se mostrado independente na análise multivariável exploratória. O tamanho reduzido da amostra, segundo os pesquisadores, limita a generalização.

Para acompanhar o fentanil em usuários de canabinoides sintéticos, o estudo defende vigilância toxicológica sentinela e checagem de drogas. O SAR, que em 2026 emitiu um alerta sobre a identificação de fentanil misturado à cocaína, já recomendava em 2023 preparo dos serviços de emergência para atender casos de intoxicação por opioides, com disponibilidade imediata de naloxona.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA. Pós-graduada pela PUC Minas.

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