Análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) com base em dados de 194 países entre 2000 e 2021, estimou que 866 milhões de casos de casos de doenças transmitidas por alimentos contaminados com 1,5 milhões de mortes por ano. A análise considerou 42 agentes de contaminação, incluindo bactérias, vírus, parasitas e substâncias químicas e, de acordo com os resultados, crianças com menos de cinco anos possuem um risco três vezes maior de serem vítimas.
IA na medicina: OMS publica documento sobre impacto em políticas de saúde
De acordo com a OMS, as crianças pequenas sofrem principalmente com doenças diarreicas, que podem ser fatais para essa faixa etária, e possuem maior exposição a elementos químicos perigosos, como metilmercúrio e chumbo presentes nos alimentos. Substâncias que podem prejudicar o desenvolvimento cerebral e gerar problemas neurológicos permanentes.

Mais parâmetros para contaminação de alimentos
As estimativas da OMS incluíram riscos como metais, rotavírus e Trypanosoma cruzi (o parasita causador da doença de Chagas), substâncias químicas provenientes de fontes naturais e atividades humanas. Pela primeira vez as estimativas da organização revelaram o impacto de doenças cardiovasculares, cânceres e deficiência intelectual resultantes da exposição alimentar a metais.
Em 2021, substâncias químicas foram responsáveis por 73% das mortes devido à contaminação de alimentos. Sendo a maioria delas ligada ao arsênio inorgânico (42%) e ao chumbo (31%), principalmente porque essas exposições aumentam o risco de doenças cardíacas e câncer.
Leia também: OMS lança manual para acelerar eliminação das hepatites virais até 2030
Uma vez que essas substâncias entram na cadeia alimentar, muitas vezes é difícil ou impossível removê-las. Assim, a OMS busca trabalhar com os governos locais na prevenção da contaminação já na origem, com melhores práticas agrícolas, controles industriais mais rigorosos e regulamentações ambientais mais fortes.
Falhas na Prevenção
Ainda que muitas enfermidades ligadas aos alimentos possam ser prevenidas com medidas como melhorias no acesso à água, saneamento e higiene, práticas de segurança alimentar como a pasteurização e acesso a cuidados de saúde para populações vulneráveis, e que o impacto dessas doenças esteja diminuindo desde o ano 2000, a OMS afirma que as desigualdades regionais persistem, principalmente na África e no Sudeste Asiático, que representam quase três quartos de todas as doenças transmitidas por alimentos e 60% das mortes globais.
Entenda: Alimentos ultraprocessados e saúde mental infantojuvenil
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.