A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta semana, documento técnico tratando das consequências da utilização de ferramentas de inteligência artificial para guiar decisões sobre política públicas de saúde. O texto da OMS (Artificial intelligence and evidence-informed policy – emerging challenges and opportunities) examina a interseção entre IA e políticas baseadas em evidências enfatizando que a IA não substitui o julgamento humano, mas possui potencial para expandir a base de evidências e apoiar uma tomada de decisão mais oportuna, responsiva e iterativa em contextos complexos de saúde.
“O debate político sobre IA tem se concentrado na prática clínica. Este documento redireciona a atenção para onde a base de evidências está sendo efetivamente construída: como os problemas são definidos, como as opções são elaboradas e como o impacto é avaliado.”, afirmou o Dr. Alain Labrique, Diretor de Dados, Saúde Digital, Análise e IA da OMS.
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As questões da IA nas políticas de saúde
Para a OMS, a inteligência artificial oferece capacidades analíticas significativas para o processo de políticas públicas. Contudo, ao mesmo tempo, gera riscos específicos a cada fase do ciclo de desenvolvimento dessas políticas. Por exemplo:
- Um viés nos dados pode distorcer a definição do problema.
- A otimização excessiva de objetivos mensuráveis pode restringir a concepção de soluções.
- Divisões digitais e as vulnerabilidades de segurança cibernética podem prejudicar a implementação.
- Vieses nas ferramentas de monitoramento podem gradualmente desviar as políticas de seus objetivos originais.
Outra preocupação expressa no documento da OMS é a tendência de sistemas de IA de privilegiar evidências quantificáveis e ricas em dados, marginalizando a experiência humana, o conhecimento local, o saber e a perspectiva da comunidade.
IA na prática
O documento identifica pontos onde as ferramentas existentes para a formulação de políticas baseadas em evidências e a necessidade de estruturas de governança para IA já se fazem necessárias:
- transparência;
- engajamento participativo;
- proteção de direitos e supervisão baseada em riscos.
Utilizando diretrizes de ética em IA da OMS, estruturas para tomada de decisão, princípios de dados FAIR e princípios para IA da OCDE, entre outros, o objetivo do documento é ajudar os formuladores de políticas a adaptar os instrumentos existentes para um mundo organizado por IA.
De acordo com a OMS, o documento foi estruturado com o seguinte princípio: “a IA deve complementar, e não automatizar”. Ainda cabe aos humanos a responsabilidade pela formulação das perguntas, avaliação das evidências e interpretação dos resultados, levando em consideração o contexto e questões éticas.
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Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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