Novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado hoje (28/04) na Cúpula Mundial da Hepatite afirma que os esforços globais para combater a hepatite viral estão apresentando progressos na redução de infecções e mortes. Entre os avanços listados no relatório estão diminuição de novas infecções de hepatite B (32%) e queda nas mortes por hepatite C (12%).
De acordo com a agência, essas conquistas se devem a adoção das metas de eliminação da hepatite viral da OMS pelos Estados-Membros em 2016. Contudo, o relatório também traz o alerta de que as taxas atuais de progresso são insuficientes para atingir todas as metas de eliminação para 2030.
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Hepatites Virais
Os dados mais recentes da organização apontam que as hepatites virais B e C — responsáveis por 95% das mortes relacionadas à hepatite em todo o mundo — causaram 1,34 milhão de mortes em 2024, sendo o carcinoma hepatocelular e cirrose as principais causas relacionadas.
Segundo a OMS, 287 milhões de pessoas viviam com infecções crônicas de hepatite B ou foram infectadas pelo vírus da hepatite C em 2024. Os índices de tratamento ficaram em 5% para pacientes com Hepatite B e apenas 20% para aqueles com hepatite C.
Para o Dr. Tedros Adhanom, Diretor-Geral da OMS: “Ao mesmo tempo, este relatório mostra que o progresso é muito lento e desigual. Muitas pessoas permanecem sem diagnóstico e sem tratamento devido ao estigma, sistemas de saúde frágeis e acesso desigual aos cuidados. Embora tenhamos as ferramentas para eliminar a hepatite como uma ameaça à saúde pública, é necessário um aumento urgente na escala de prevenção, diagnóstico e tratamento para que o mundo atinja as metas de 2030.”

Soluções comprovadas no combate as hepatites virais
Entre as ferramentas altamente eficazes a OMS destaca:
- a vacina contra hepatite B, que protege mais de 95% das pessoas vacinadas contra infecções agudas e crônicas;
- o tratamento antiviral de longo prazo para hepatite B pode ajudar a controlar eficazmente a infecção crônica e prevenir doenças hepáticas graves; e
- a terapia curativa de curta duração para hepatite C, com duração de 8 a 12 semanas, pode curar mais de 95% das infecções.
O relatório também apela para um maior comprometimento político e financiamento, principalmente em regiões mais afetadas. Em 2024, dez países concentraram 69% das mortes relacionadas a hepatite B (Bangladesh, China, Etiópia, Gana, Índia, Indonésia, Nigéria, Filipinas, África do Sul e Vietnã) e 58% do total de mortes globais por hepatite C (China, Índia, Indonésia, Japão, Nigéria, Paquistão, Federação Russa, África do Sul, Estados Unidos da América e Vietnã).
“Os dados mostram que o progresso é possível, mas também revelam onde estamos falhando. Cada diagnóstico perdido e infecção não tratada devido à hepatite viral crônica representa uma morte evitável”, disse a Dra. Tereza Kasaeva, Diretora do Departamento de HIV, Tuberculose, Hepatite e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS.
O relatório completo pode ser acessado através deste link.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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