Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que as mulheres continuarão sendo as principais afetadas pelo câncer de tireoide no Brasil nos próximos anos. Para cada ano do triênio 2026-2028, a estimativa é de 13.310 novos casos entre mulheres, contra 3.140 entre homens — uma proporção média de quatro diagnósticos femininos para cada masculino.
A maior incidência acompanha uma tendência observada globalmente e está associada tanto a fatores biológicos quanto comportamentais. Questões hormonais e maior procura por cuidados de saúde contribuem para que o diagnóstico seja mais frequente nesse grupo.
Saiba mais: Risco de outros cânceres após radioiodoterapia por câncer de tireoide
Hormônios e acesso ao diagnóstico influenciam incidência
Alterações hormonais ao longo da vida, como gravidez, além de condições clínicas como obesidade, podem interferir no funcionamento da tireoide e influenciar o surgimento da doença. Paralelamente, o maior acesso das mulheres a consultas e exames de rotina também aumenta a chance de identificação de nódulos tireoidianos.
A tireoide, localizada na base do pescoço, é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que regulam o metabolismo, a temperatura corporal, a frequência cardíaca e o gasto energético. Alterações em sua função estão ligadas a quadros como hipotireoidismo e hipertireoidismo, embora a maioria dos tumores não afete diretamente a produção hormonal.
Mesmo sendo o quinto câncer mais frequente entre brasileiras, a doença costuma apresentar bom prognóstico. A forma mais comum, o carcinoma papilífero, representa até 90% dos casos e apresenta alta taxa de cura.
Leia ainda: Risco de câncer de tireoide em sobreviventes de outros cânceres

Diagnóstico precoce do câncer de tireoide depende de avaliação clínica
Na maioria das vezes, o câncer de tireoide é assintomático e não altera exames hormonais de rotina. O diagnóstico costuma ocorrer após identificação de nódulos no pescoço, geralmente por ultrassonografia, seguida de punção aspirativa para análise celular.
Embora não exista recomendação de rastreamento populacional, o acompanhamento é indicado em situações específicas, como síndromes genéticas hereditárias. Fatores de risco incluem histórico familiar, exposição prévia à radiação na infância e presença de nódulos de crescimento rápido.
Quando necessário, o tratamento envolve cirurgia para remoção parcial ou total da glândula, podendo ser complementado por iodoterapia. Em muitos casos, a evolução é favorável, reforçando a importância da avaliação individualizada e do acompanhamento especializado.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.