O governo anunciou na última sexta-feira (06/02) ter dado início ao processo de substituição da insulina humana (NPH) pela insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde considera a ação um avanço por ampliar as opções terapêuticas disponíveis na rede pública para pacientes diabéticos.
A glargina é uma insulina de ação prolongada (até 24 horas) e de aplicação única, o que facilita a manutenção dos níveis de glicose.
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Implementação do uso da insulina análoga de ação prolongada
A transição começará nos estados do Amapá, Paraná e Paraíba e no Distrito Federal, a transição para cada paciente será avaliada individualmente, mas o foco inicial do projeto será em crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A expectativa do governo é beneficiar 50 mil pessoas nessa primeira fase.
Segundo o Ministério da Saúde, haverá treinamento para auxiliar os profissionais de saúde da Atenção Primária sobre o uso adequado das canetas aplicadoras de insulina e a administração correta do medicamento.
Após os primeiros meses, os resultados serão avaliados para expansão do projeto para o resto do país. “A escolha dos territórios considerou critérios de representatividade regional e capacidade de implementação, permitindo a avaliação de diferentes realidades do país.”, informou a pasta.
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Aumento da oferta de tratamento pelo SUS
De acordo com o Ministério da saúde, atualmente, o SUS disponibiliza quatro tipos de insulina: humanas NPH e Regular, e análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para o tratamento do diabetes mellitus.
Para o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a expansão da oferta com a inclusão da glargina fortalece o complexo industrial farmacêutico do país ao utilizar o poder de compra do SUS para garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população. O ministro destacou que “Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país. Isso traz garantia e segurança para os pacientes”.
Essa expansão é resultado de parceria envolvendo o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a chinesa Gan & Lee. Em 2025, 6 milhões de unidades do medicamento foram entregues e o governo espera que esse número chegue a 36 milhões até o final de 2026.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista formado pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) em 2009, com extensão em Produção Editorial (UNESP) e Planejamento Digital (M2BR Academy).
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