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Saúde27 fevereiro 2026

Fiocruz inicia estudo clínico para tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Iniciativa busca incorporar opção de terapia genética avançada no SUS para tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de 2025, o primeiro estudo clínico de terapia genética voltada para o tratamento de Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1 (SMA1) foi iniciado pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde e a Gemma Biotherapeutics, Inc. (GEMMABio), detentora da tecnologia, Intrials Pesquisa Clínica Ltda., a Casa dos Raros e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Sobre o estudo do tratamento da AME

O estudo avaliará o tratamento da doença com GB221, na primeira fase será avaliada a segurança e a tolerância do produto com inclusão gradativa de pacientes. O primeiro paciente a receber o tratamento foi um bebê com diagnóstico de AME tipo 1, a forma mais grave da doença genética, em procedimento foi realizado em janeiro no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

“Nos próximos meses já devemos incluir um segundo paciente. O estudo inovador reflete o papel estratégico de instituições públicas na ciência de vanguarda no Brasil”, explicou o professor do HCPA, Jonas Saute.

O produto de terapia genética, GB221, é aplicado uma única vez, com impactos já no curto prazo, melhorando a qualidade de vida do paciente e com potencial para beneficiar o paciente por toda a vida. A terapia é aplicada via intracisterna magna (ICM) que leva o medicamento diretamente ao sistema nervoso central, permitindo que ele atinja mais regiões do cérebro e da medula espinhal, reduzindo possíveis efeitos adversos em outros órgãos. “Esta via ainda permite administrar o medicamento inclusive em pacientes que tenham anticorpos contra o vírus utilizado na terapia”, explicou Jonas Saute.

Saiba mais: Atrofia muscular espinhal (AME): Fronteiras terapêuticas 

Fiocruz inicia estudo clínico para tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME)

Objetivos e impactos do estudo

De acordo com a Fiocruz, o acordo para realização do estudo busca não só atender às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), mas o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), “A incorporação da tecnologia representa um salto disruptivo para a ciência brasileira. Nosso compromisso em Bio-Manguinhos é converter inovação de ponta em acesso real com a segurança e a sustentabilidade da fabricação nacional”, afirmou Rosane Cuber diretora de Bio-Manguinhos/Fiocruz.

Para a instituição o domínio da técnica confere ao Brasil um potencial de protagonismo global nesta nova fronteira tecnológica. O processo de transferência tecnológica busca ainda dar ao país as bases científico-tecnológicas, de produção e assistenciais necessárias à disponibilização de produtos para terapias avançadas no SUS, diminuindo os custos em relação a terapias similares praticadas no exterior. “O estudo clínico em andamento abre uma frente de ação que pode transformar a vida de famílias e crianças que lidam no dia a dia com a doença”, destacou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.

Leia também: Crianças com fraqueza muscular, como investigar e o que pode estar por trás 

*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.

Autoria

Foto de Augusto Coutinho

Augusto Coutinho

Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.

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