Estudo norte-americano publicado no JAMA em 5 de novembro de 2026 associou a ausência de profilaxia com vitamina K a sangramentos neonatais. A pesquisa analisou registros eletrônicos de saúde de 5,2 milhões de bebês, incluindo hemorragia intracraniana e mortalidade com sangramento.
A coorte reuniu nascimentos registrados entre 2017 e 2025 nos Estados Unidos, com acompanhamento dos desfechos hemorrágicos até os seis meses. Nesse intervalo, a proporção sem administração intramuscular aumentou de 3,1% para 6,8%. Outro estudo, publicado no JAMA Pediatrics, identificou aumento dos diagnósticos de deficiência de vitamina K e sangramento associado.

Hemorragia intracraniana atinge 33 por 10 mil recém-nascidos sem vitamina K
Entre os recém-nascidos sem profilaxia, a taxa de hemorragia intracraniana foi de 33 casos por 10 mil, contra 13,2 entre os que receberam vitamina K. O desfecho analisado incluiu hemorragias intracranianas e intraventriculares, conforme a definição adotada pelos pesquisadores. O risco relativo ajustado foi de 2,43 (IC 95%: 2,26 a 2,62), considerando os primeiros seis meses de vida.
Durante a internação do nascimento, foram registrados 30,3 episódios por 10 mil bebês sem profilaxia, ante 12 por 10 mil no grupo que recebeu vitamina K. Após a alta hospitalar, até os seis meses, as taxas foram de 4 e 1,4 por 10 mil, respectivamente. Nesse segundo período, o risco relativo ajustado alcançou 2,73 (IC 95%: 2,20 a 3,39).
A associação também apareceu na análise de qualquer sangramento, com 288 ocorrências por 10 mil bebês sem profilaxia, contra 185,9 no grupo que recebeu vitamina K. O risco relativo ajustado foi de 1,47 (IC 95%: 1,43 a 1,51). Esse desfecho incluiu diferentes diagnósticos hemorrágicos, não necessariamente atribuídos à deficiência de vitamina K.
Por se tratar de um estudo observacional, os resultados demonstram associação, mas não estabelecem causalidade. Os pesquisadores também destacam que os registros eletrônicos não permitiram determinar com precisão o momento, a gravidade ou a causa dos episódios hemorrágicos.
Saiba mais: Vitamina K no recém-nascido: profilaxia e risco de sangramento
Mortalidade com sangramento ocorre mais sem profilaxia
A ausência de profilaxia com vitamina K também esteve associada à maior mortalidade acompanhada de diagnóstico hemorrágico durante a internação do nascimento. Foram registrados 2,9 óbitos por 10 mil recém-nascidos sem profilaxia, contra 1,1 por 10 mil entre aqueles que receberam vitamina K intramuscular.
O risco relativo ajustado foi de 2,69 (IC 95%: 2,09 a 3,47), após controle de características maternas, neonatais e sociodemográficas. Na população analisada, ocorreram 69 óbitos com diagnóstico concomitante de sangramento entre 234.825 bebês sem profilaxia. No grupo que recebeu vitamina K, foram registrados 531 óbitos entre 5.005.955 recém-nascidos.
A análise considerou exclusivamente mortes ocorridas durante a hospitalização do nascimento e acompanhadas de algum diagnóstico hemorrágico. Portanto, os resultados não representam a mortalidade total nos primeiros seis meses de vida. Os pesquisadores também destacam que o número relativamente pequeno de óbitos exige cautela na interpretação das estimativas.
Saiba mais: Diretriz NICE 2026 atualiza recomendações para os cuidados pós-parto
Diretrizes brasileiras recomendam vitamina K ao nascer
O Ministério da Saúde recomenda a administração intramuscular de 1 mg de vitamina K em dose única para todos os recém-nascidos. A medida integra as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, publicadas em 2017, para prevenir a doença hemorrágica neonatal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda 1 mg por via intramuscular após o nascimento. A orientação prevê a administração depois da primeira hora de contato pele a pele entre mãe e bebê, com início da amamentação.
As diretrizes brasileiras estabelecem a via oral como alternativa quando os pais recusam a aplicação intramuscular. Nesse caso, o esquema prevê 2 mg ao nascimento e outra dose de 2 mg entre o quarto e o sétimo dia. Para bebês em aleitamento materno exclusivo, recomenda-se uma dose adicional de 2 mg após quatro a sete semanas. O documento ressalta a necessidade de seguir as recomendações do fabricante e completar todas as doses.
No Brasil, um resumo de congresso publicado no Boletim Científico de Pediatria, em 2022, identificou 167 mortes neonatais por doença hemorrágica entre 2017 e 2021. A pesquisa utilizou informações do Painel de Monitoramento da Mortalidade Infantil e Fetal, disponibilizadas pela Secretaria de Vigilância em Saúde.
Do total de óbitos, 103 (61,7%) ocorreram em recém-nascidos do sexo masculino e 133 (79,6%) no período neonatal precoce. O Nordeste concentrou 72 mortes (43,1%), seguido pelo Sudeste, com 46 registros (27,5%). O ano de 2018 apresentou o maior número de ocorrências, com 44 óbitos.
O levantamento brasileiro apresenta limitações para comparação com os estudos norte-americanos. O resumo científico não informa quantos recém-nascidos receberam profilaxia com vitamina K. Portanto, não permite associar diretamente os óbitos registrados à ausência da administração preventiva.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.