Embora sete em cada dez brasileiras prefiram o parto normal no início da gestação, muitas acabam submetidas a cesáreas. Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado em 13 de julho de 2026, indica que essa diferença não depende apenas da escolha individual da mulher, mas também de fatores sociais, familiares e estruturais dos serviços de saúde.
Intitulada “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes”, a pesquisa ouviu 131 pessoas, entre gestantes, puérperas e profissionais de saúde, em Belém e São Paulo. Também foram revisados 77 artigos científicos e documentos institucionais.
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Informação e rede de apoio influenciam decisões
Entre as principais barreiras identificadas estão orientações superficiais durante o pré-natal, desconhecimento sobre o Plano de Parto e baixa participação dos parceiros. Relatos de mães, avós e outras mulheres da família também podem influenciar as expectativas das gestantes.
Segundo o estudo, acompanhantes pouco envolvidos no pré-natal podem ter dificuldade para compreender o trabalho de parto e pressionar pela cesárea diante da dor ou da duração do processo.
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Estrutura dos serviços também pesa
O acesso restrito à analgesia pode levar algumas mulheres a considerarem a cesariana como única alternativa para evitar a dor. No setor privado, a organização do trabalho médico, a possibilidade de agendar o procedimento e os custos de equipes durante partos prolongados também podem favorecer cesáreas sem indicação clínica.
A pesquisa aponta ainda que Centros de Parto Normal, doulas, obstetrizes e enfermeiras obstetras podem ampliar o acesso ao parto vaginal e fortalecer a autonomia das gestantes.
UNICEF recomenda mudanças no pré-natal
O UNICEF defende a qualificação das orientações sobre trabalho de parto, manejo da dor, direitos e planejamento reprodutivo, além da maior participação dos acompanhantes no pré-natal.
A entidade também recomenda ampliar o acesso à analgesia, fortalecer os Centros de Parto Normal e revisar modelos de financiamento e remuneração que possam incentivar cesarianas sem indicação médica. Os achados deram origem à campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, voltada a gestantes, famílias e profissionais de saúde.
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