A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Nurtec ODT®, medicamento indicado tanto para o tratamento agudo quanto para a prevenção da enxaqueca. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União em 25 de maio de 2026 e marca a chegada ao Brasil de uma nova classe de terapias desenvolvidas especificamente para a doença. O medicamento utiliza o rimegepanto como princípio ativo, molécula pertencente à classe dos antagonistas do CGRP, proteína envolvida na transmissão da dor e no processo inflamatório associado às crises de enxaqueca. O remédio atua bloqueando essa substância, ajudando a interromper ou reduzir os sintomas.
As apresentações aprovadas pela Anvisa incluem comprimidos orodispersíveis de 75 mg, disponíveis em cartelas com 2, 8 e 16 unidades. Ainda não há previsão oficial de preço ou data de comercialização no país.
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Nova geração de medicamentos para enxaqueca
Os “gepants” representam uma nova geração de terapias direcionadas especificamente à fisiopatologia da enxaqueca. Diferentemente dos analgésicos tradicionais, essas medicações foram desenvolvidas para agir em mecanismos biológicos diretamente ligados à crise migranosa.
Segundo a neurologista Danielle Calil, os gepants simbolizam uma mudança importante na forma como a doença vem sendo tratada. “Os gepants pertencem a uma classe desenhada especificamente a partir da compreensão da fisiopatologia da própria enxaqueca. O mecanismo central é o bloqueio do CGRP, molécula com papel fundamental na transmissão da dor durante a crise”, explica.
Para a especialista, o rimegepanto chama atenção especialmente por reunir duas possibilidades em um único medicamento: tratamento abortivo e prevenção das crises. A neurologista também destaca que a aprovação ajuda a ampliar a compreensão pública sobre a gravidade da doença. “A enxaqueca é a segunda causa mais incapacitante do mundo segundo a OMS, mas ainda sofre muito estigma por ser vista como algo banal. Aprovações como essa ajudam a legitimar a busca por tratamento adequado”, afirma.
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Quem pode se beneficiar mais do tratamento
Entre os principais beneficiados pela nova medicação estão pacientes que não respondem bem aos tratamentos tradicionais e pessoas com contraindicação cardiovascular.
“Cerca de 30% dos pacientes não apresentam resposta adequada aos triptanos. Além disso, os triptanos têm efeito vasoconstritivo e podem ser contraindicados em pacientes com risco cardiovascular. Os gepants não apresentam esse efeito, o que amplia as possibilidades terapêuticas”, explica Dra. Danielle.
Outro diferencial é justamente a possibilidade de uso tanto durante a crise quanto de forma preventiva, dependendo da indicação médica.
Estudos mostraram melhora da dor em até duas horas
A aprovação foi baseada em estudos clínicos internacionais publicados na revista científica The Lancet. Em uma pesquisa de fase 3, pacientes que utilizaram dose única de 75 mg apresentaram melhora significativa da dor e dos sintomas associados à enxaqueca em até duas horas após o uso.
O estudo mostrou que 21% dos participantes tratados com rimegepanto ficaram sem dor nesse período, contra 11% no grupo placebo. Também houve melhora de sintomas como náusea, sensibilidade à luz e ao som.
Os efeitos adversos mais relatados foram náusea e infecção urinária, ambos considerados incomuns e geralmente leves.
Especialistas alertam para expectativas realistas
Apesar da expectativa em torno da nova terapia, especialistas reforçam que o tratamento da enxaqueca continua exigindo acompanhamento individualizado e manejo global da doença.
Dra. Danielle ressalta que os resultados observados nos estudos são relevantes, mas não representam cura completa para todos os pacientes. “Os estudos mostram que cerca de 20% a 25% dos pacientes têm alívio completo da dor em duas horas. É um resultado importante, mas a maioria ainda terá resposta parcial ou precisará de ajustes terapêuticos”, explica.
A médica destaca ainda que fatores relacionados ao estilo de vida seguem tendo papel central no controle da doença. “Sono, alimentação, estresse e outros gatilhos individuais continuam precisando de acompanhamento. A medicação não substitui o manejo global da enxaqueca.”
Além disso, ela aponta que custo e acessibilidade ainda devem representar desafios importantes no Brasil.
O que o avanço das terapias anti-CGRP revela sobre o futuro
Para especialistas, a chegada do rimegepanto ao país reflete um avanço científico construído ao longo de décadas: “O CGRP foi identificado como alvo terapêutico ainda na década de 1980, mas levou muitos anos para que isso se transformasse em tratamentos clínicos viáveis. Hoje já temos anticorpos monoclonais para prevenção e gepants tanto para tratamento agudo quanto preventivo”.
Segundo a especialista, o próximo desafio será transformar esse avanço científico em acesso real para a população.
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Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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