Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 divulgados nesta quarta-feira (25/03) pelo IBGE mostraram que o uso de cigarro eletrônico aumentou entre estudantes de 13 a 17 anos. Contudo o consumo de cigarro, álcool e drogas ilícitas caiu entre 2019 e 2024.
De acordo com o IBGE, a PeNSE 2024 abordou a idade da experimentação e o uso recente de cigarro, narguilê, cigarro eletrônico (vaper, pod, e-cigarrette) e outras formas de consumo do tabaco, além da forma de obter o produto e da exposição indireta. Os resultados apontaram que a experimentação do cigarro eletrônico passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024., sendo que essa “iniciação” foi mais frequente entre meninas (31,7%, contra 27,4% entre os meninos).
Ainda que a comercialização, importação e propaganda sejam proibidas no Brasil, o cigarro eletrônico tem se tornado nos últimos anos um grande desafio de saúde pública. “Apesar dos sucessos obtidos com a política e as campanhas para a redução do consumo do cigarro, o cigarro eletrônico cresce sob uma propaganda enganosa de ser de baixa toxicidade, com seu cheiro e sabor atraente para os jovens e as crianças”, comentou o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi.
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Em relação ao consumo de cigarros comuns, a pesquisa apontou que 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos fumaram alguma vez na vida, esse percentual representa uma queda em relação a 2019 (quando o índice estava em 22,6%). Quando avaliado o uso contínuo do produto (30 dias anteriores à pesquisa) foi observada uma queda quando comparada a pesquisa anterior, de 6,8% para 5,6%, com maior consumo entre estudantes de escola pública do que particulares (6,1% e 2,8%, respectivamente).
Álcool
A PeNSE 2024 também colheu dados sobre o experimentação de bebidas alcoólicas:
- 53,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já consumiram álcool
- 46,4% entre jovens de 13 a 15 anos; e
- 66,3% nos de 16 e 17 anos.
Há uma prevalência maior de consumo entre meninas 57,5% contra 49,7% dos meninos.
Em relação ao consumo abusivo, 17,7% dos estudantes homens confirmaram o costume e 24,2% das estudantes mulheres. Esse tipo de consumo quando comparado aos dados da pesquisa anterior teve uma queda significativa, em 2019 os percentuais eram de 26,8% e 33,0%.
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Consumo de outras drogas por estudantes
Em relação ao último quadriênio (2015-2019) ocorreu uma queda no percentual de experimentação de drogas ilícitas, de 13% para 8,3%. Essa diminuição também foi observada no consumo recente, de 5,1% na pesquisa de 2019 para 3,1% na mais atual.
Considerando um corte de idade para primeira experiência com drogas, o número de estudantes de 13 anos que tiveram contato com substâncias ilícitas caiu de 4,3% para 2,7%. Sendo a iniciação mais prevalente entre meninos (3,1%) do que meninas (2,2%) e mais comum na rede pública (3,0%) do que na privada (1,3%).
Iniciação da vida sexual e uso de contraceptivos entre adolescentes
A pesquisa também coletou dados sobre a vida sexual de adolescentes e revela que em 2024, 20,7% dos estudantes de 13 a 15 anos e 47,6% dos de 16 e 17 anos já haviam iniciado a vida sexual. O que acende um alerta é que apenas, 61,7% relataram o uso de camisinha na primeira relação, o que representa uma queda de 1,6% em relação a 2019.
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Em relação a contracepção, a pílula anticoncepcional foi o método mais mencionado (51,1%), seguida pela pílula do dia seguinte (11,7%). A categoria “outros métodos” correspondeu a 15,0% das respostas, essa categoria incluiu implantes, diafragma, DIU e adesivo, além de métodos pouco efetivos, como tabelinha, coito interrompido. Adicionalmente, 11,6% dos estudantes disseram ter utilizado anticoncepcional injetável na última relação.
Gravidez na adolescência
Os dados mostraram que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram alguma vez (7,3% das que já tiveram relação sexual), sendo que 98,7% eram estudantes de escolas públicas, uma proporção quase oito vezes maior em comparação com o ensino privado.
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*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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