Um estudo da Fiocruz Bahia indica que o Brasil não conseguirá atingir a meta da Organização Mundial da Saúde de redução da tuberculose até 2030. Publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, a pesquisa analisou registros da doença entre 2018 e 2023 e projetou tendências para os próximos anos.
Os dados mostram que, em 2023, a incidência da tuberculose no país foi de 39,8 casos por 100 mil habitantes, bem acima da meta da OMS, que é de 6,7 casos por 100 mil. As projeções sugerem que esse número pode aumentar para 42,1 por 100 mil até o fim da década, evidenciando que as políticas atuais são insuficientes para conter a doença.
Principais fatores e desafios
Os pesquisadores identificaram como principais fatores para a alta incidência da tuberculose o encarceramento e a coinfecção com HIV e diabetes mellitus. Além disso, desafios como acesso limitado à saúde, baixa adesão ao tratamento, impacto da pandemia de covid-19 e falta de investimentos em inovação dificultam a eliminação da doença.
Soluções integradas podem reduzir casos de tuberculose
A pesquisa aponta que um aumento na cobertura da terapia diretamente observada (DOT), na adesão ao tratamento preventivo (TPT) e na investigação de contato poderia reduzir a incidência para 18,5 casos por 100 mil habitantes. Esse número, embora abaixo das projeções, ainda ficaria acima da meta estabelecida pela OMS. As intervenções propostas poderiam reduzir a incidência projetada em 25,1% até 2025 e 56,1% até 2030.
O estudo também destaca a necessidade de reforçar programas de controle em presídios, melhorar a triagem e o acesso ao TPT, além de aprimorar a gestão de casos de coinfecção com HIV e diabetes.
Os dados utilizados foram extraídos dos sistemas oficiais de notificação da tuberculose, como o SINAN-TB, Site-TB e IL-TB. Os resultados evidenciam a necessidade de medidas mais eficazes para conter a doença e atingir as metas globais de eliminação.
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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya
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