O Brasil tem avançado no enfrentamento da tuberculose e já identifica cerca de 89% dos casos estimados da doença, aproximando-se da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. O resultado reflete a ampliação do diagnóstico e a incorporação de novas estratégias assistenciais no Sistema Único de Saúde.
Após impactos significativos durante a pandemia de covid-19, que reduziram a detecção de casos, o país recuperou sua capacidade diagnóstica a partir de 2023. Desde então, houve aumento expressivo no uso de testes moleculares, além do fortalecimento do diagnóstico da tuberculose drogarresistente, com maior acesso a esquemas terapêuticos mais curtos e eficazes.
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Novas tecnologias e estratégias ampliam o cuidado
Entre os avanços recentes, destaca-se a incorporação de testes rápidos, como o LF-LAM, indicado principalmente para pessoas vivendo com HIV e imunossupressão. O exame, feito a partir da urina, permite diagnóstico mais ágil em casos de maior risco, contribuindo para o início precoce do tratamento.
Também houve expansão do tratamento preventivo da tuberculose, com mais de 46 mil pessoas iniciando a terapia e taxas de adesão superiores a 75%. Esquemas mais curtos ganharam espaço, facilitando o seguimento e reduzindo o risco de abandono.
Na população pediátrica, novas formulações, como comprimidos dispersíveis, têm melhorado a adesão ao tratamento de infecção latente, especialmente em crianças com maior vulnerabilidade.
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Desafio persistente e foco em populações vulneráveis
Apesar dos avanços, a tuberculose segue como um importante problema de saúde pública. O Brasil ainda está entre os 30 países com maior carga da doença, com cerca de 84 mil novos casos anuais e mais de 6 mil mortes por ano.
A coinfecção com HIV permanece como um desafio relevante, exigindo estratégias integradas de diagnóstico e tratamento. Nesse contexto, a ampliação da testagem para HIV entre pacientes com tuberculose tem contribuído para reduzir a mortalidade.
Transmitida por via aérea, a tuberculose tem cura, desde que o tratamento, que é oferecido gratuitamente pelo SUS, seja seguido corretamente. Além disso, a vacinação com BCG segue como medida essencial para prevenir formas graves da doença, especialmente na infância.
O cenário atual indica que a eliminação da tuberculose é possível, mas depende da continuidade dos investimentos, da inovação tecnológica e da ampliação do acesso ao cuidado, sobretudo nas populações mais vulneráveis.
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Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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