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Carreira13 maio 2024

Desafios da atuação do médico nas emergências climáticas

Inúmeros desafios são impostos aos profissionais de saúde durante as catástrofes, contudo, devem antever soluções para socorrer as vítimas
Por Gustavo Balbi

As graves inundações que afligem o Rio Grande do Sul estão sendo noticiadas diariamente na imprensa, e todos nós estamos acompanhando as enormes dificuldades impostas ao sistema de saúde e ao atendimento médico da população que está sofrendo as consequências dessa catástrofe. 

Nesse cenário, inúmeros desafios e dilemas se impõem aos médicos e demais profissionais de saúde, que necessitam agir de maneira ética, com o objetivo de atender apropriadamente o maior número possível de pessoas, sem que, no entanto, adoeçam ou sofram as consequências psíquicas de um trabalho tão extenuante em um ambiente inóspito. 

 

Leptospirose é um risco das áreas afetadas por enchentes e inundações. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Dilema ético e segurança dos profissionais de saúde 

A primeira dificuldade que surge é a potencial incapacidade do contingente de médicos disponíveis para atender a todas as demandas de saúde, que aumentam drasticamente nesse momento. Isso inclui tanto doenças e injúrias agudas relacionadas à catástrofe em si quanto os demais agravos de saúde, sejam crônicos ou agudos, que continuam a acontecer dentro do esperado para o período e para a região.  

Em situações de catástrofe, isso pode gerar um grande dilema ético, já que, frente às limitações de pessoas e de infraestrutura, o médico pode se ver em uma situação de ter que selecionar quais pacientes serão atendidos ou não. Nesses casos, a preferência é dada de acordo com a urgência do quadro e a capacidade de sobrevivência e recuperação. 

Uma outra questão que é relevante no contexto das catástrofes é a segurança dos médicos e profissionais de saúde que estão prestando atendimento à população. Uma das premissas do atendimento de urgência e emergência é a garantia da segurança do ambiente para que o atendimento possa ser realizado, já que um ambiente inseguro pode levar ao aumento no número de vítimas e, consequentemente, redução no número de profissionais qualificados para a assistência. 

 Leia mais: Enchentes e contaminação: como abordar as doenças causadas pela água?

Estrutura hospitalar improvisada 

Além disso, a própria catástrofe ambiental/climática pode levar ao dano estrutural a hospitais e unidades de atendimento em saúde. Nesses casos, os médicos e demais profissionais de saúde se veem obrigados a realizar atendimento em unidades improvisadas, que não são os ambientes nos quais estão habituados a trabalhar e que largamente não possuem todos os recursos necessários para o atendimento completo de todos os casos.

Isso pode gerar angústia nos profissionais, visto que sempre existe a necessidade de um certo período de tempo para se adaptar a uma nova realidade, mas que, nesse cenário, geralmente está disponível, devido à premente demanda por atendimentos. 

As emergências climáticas levam à perda de grande quantidade de insumos e medicamentos, que não conseguem ser repostos de maneira apropriada, uma vez que as vias de acesso ao local geralmente estão muito comprometidas. Sendo assim, mesmo que os médicos e demais profissionais de saúde estejam à disposição no local e possuam treinamento técnico adequado para os atendimentos, muitas vezes ficam de mãos atadas, já que os recursos necessários podem não estar disponíveis para serem empregados. 

 Leia também: Cheias no Rio Grande do Sul: qual o papel do médico em grandes desastres naturais?

Conclusão 

Com todas as questões levantadas, é importante que o médico que atua nessas situações de calamidade seja capaz de antever as dificuldades e tentar buscar soluções criativas para solucioná-las, sempre tomando os cuidados necessários com sua saúde e segurança, de modo a fornecer atendimentos de maneira contínua aos necessitados. 

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