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Psiquiatria12 outubro 2023

Prevalência do transtorno do espectro autista em crianças

O aumento do número de crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista reforça a necessidade de redes de cuidado para suporte.

Por Tayne Miranda

O Autism and Developmental Disabilities Monitoring (ADDM) Network é um programa de vigilância ativa que fornece estimativas da prevalência de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre crianças de 8 anos. A rede do ADDM é composta de 11 localidades (Arizona, Arkansas, Califórnia, Geórgia, Maryland, Minnesota, Missouri, Nova Jersey, Tennessee, Utah e Wisconsin) e há alguns anos vem publicando dados atualizados sobre a frequência do diagnóstico de TEA.

A equipe do programa avalia registros médicos e educacionais e considera que uma criança atende a definição de um caso de TEA caso tenha uma declaração do diagnóstico em uma avaliação ou a presença de um CID de TEA, além de uma indicação para educação especial por conta do transtorno.

Leia também: Transtorno opositivo desafiador (TOD)

Transtorno do Espectro Autista

Achados da avaliação de prevalência do transtorno do espectro autista em crianças

A prevalência geral de TEA foi de 27,6 por 1.000 crianças de 8 anos (uma a cada 36) e foi 3,8 vezes maior em meninos do que em meninas (43 vs 11,4). Isso significa que, em 2020, aproximadamente 4% dos meninos e 1% das meninas com 8 anos de idade possuíam diagnóstico de transtorno do espectro autista.

As informações encontradas neste trabalho é 22% maior do que o dado encontrado no trabalho anterior, publicado em dezembro de 2021 (naquele, 1 em cada 44 crianças de 8 anos possuíam o diagnóstico de TEA).

É a primeira vez que a prevalência de TEA foi menor entre crianças brancas do que entre outros grupos raciais e étnicos, revertendo a direção das diferenças raciais e étnicas na prevalência de TEA observadas no passado e que podem sinalizar uma diferença assentada no menor acesso de grupos minoritários aos serviços de saúde.

No entanto, ainda observamos uma maior propensão de crianças negras com TEA terem deficiência intelectual concomitante (50,8% das crianças negras vs 31,8% das crianças brancas). Além disso, em três localidades a  prevalência de TEA foi associada à menor renda familiar. À medida que crescem as evidências de maior acesso ao diagnóstico, a atenção necessariamente precisará ser direcionada para quais determinantes sociais da saúde podem levar a taxas mais altas de incapacidade entre certas populações.

Limitações

Algumas limitações dos dados apresentados é sua dependência da qualidade dos registros médicos e da disponibilidade de informações escolares que não abrange toda a população das localidades. Além disso, a categorização foi realizada considerando o sexo designado ao nascimento e não a identidade de gênero. Por fim, a pandemia de covid-19 dificultou o acesso aos dados de algumas localidades.

Como as localidades não foram escolhidas para serem representativas dos Estados nos quais se situam, o achado não é generalizável a todas as crianças de 8 anos dos EUA (e não deve ser generalizado para a frequência de autismo em outros países), devendo ser interpretado com cautela.

Veja ainda: Fatores genéticos, ambientais e maternos no desenvolvimento do TEA

O aumento do número de crianças diagnosticadas com TEA, especialmente entre grupos minoritários, reforça a necessidade das redes de cuidado e os profissionais de saúde e educação estarem adequadamente treinados para reconhecer as pessoas com o diagnóstico e preparados para assegurar tratamento e suporte para um desenvolvimento equânime das crianças com transtorno do espectro autista.

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Referências bibliográficas

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