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Inatividade física entre adolescentes, IA na dermatologia e os impactos da seca na gestação
O Afya News de hoje aborda a inatividade física entre adolescentes em todo o mundo, uma ferramenta de inteligência artificial para identificação de doenças de pele no SUS e os efeitos da exposição à seca durante a gestação. Confira os dados e as implicações desses temas para a prática médica.
Matérias citadas no episódio de hoje:
- Um em cada quatro adolescentes não teve nenhum dia ativo na última semana
- Einstein e Ministério da Saúde desenvolvem inteligência artificial para doenças de pele
- Exposição à seca na gestação eleva risco de prematuridade e afeta o crescimento do bebê
O que importa hoje: inatividade física atinge um em cada quatro adolescentes
Novas estimativas globais da OMS mostram que cerca de 240 milhões de adolescentes de 11 a 17 anos não acumularam 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa em nenhum dia da semana anterior. A análise reuniu 389 inquéritos populacionais de 140 países e territórios, com mais de 3,2 milhões de jovens. Em média, os adolescentes foram ativos em apenas 2,7 dias por semana, e somente 14% atingiram a meta diariamente.
O cenário permaneceu praticamente inalterado em 15 anos. Entre as meninas, 28% não tiveram nenhum dia ativo, em comparação com 22% dos meninos.
Para médicos, os dados reforçam a importância de investigar a prática de atividade física durante as consultas de rotina de adolescentes. A inatividade é fator de risco para doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e alguns cânceres. A atenção deve ser maior com as meninas, menos ativas em quase todos os países. A OMS defende ações conjuntas envolvendo escolas, transporte e planejamento urbano.
O que muda na prática: IA apoia identificação de doenças de pele no SUS
O Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveram o CUTIS-AI, ferramenta de inteligência artificial criada para apoiar profissionais da rede pública na triagem e identificação de doenças de pele. O aplicativo cruza imagens das lesões com dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos da população brasileira, além de funcionar mesmo sem acesso à internet.
Entre as condições contempladas estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea e lesões provocadas por picada de aranha-marrom. Ainda em estudo, a ferramenta já reuniu cerca de 1,4 mil pacientes e mais de 4 mil imagens, com taxa de acerto próxima de 80%.
Na atenção primária, o recurso pode apoiar o raciocínio diagnóstico, especialmente em regiões com poucos dermatologistas e onde doenças negligenciadas ainda são reconhecidas tardiamente. A proposta é complementar a atuação médica, sem substituir a avaliação clínica. A inclusão de diferentes fototipos na base de dados é um diferencial, considerando que modelos treinados em outras populações podem apresentar desempenho inferior.
Radar: exposição à seca na gestação está associada à prematuridade
Estudo do Cidacs/Fiocruz Bahia, publicado no The Lancet Regional Health Americas, analisou 29,8 milhões de nascimentos ocorridos no Brasil entre 2001 e 2020. Os pesquisadores associaram a exposição à seca durante a gestação ao aumento de partos prematuros e de bebês pequenos para a idade gestacional, classificados como PIG.
A seca esteve associada a 1,4 a 1,7 caso adicional de prematuridade por mil nascimentos e a 0,8 a 1,5 caso adicional de PIG. O risco aumentou conforme a severidade da seca. Os efeitos foram mais intensos em municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano e variaram entre os biomas brasileiros. Houve mais prematuridade na Amazônia, no Cerrado e no Pampa, enquanto a ocorrência de PIG foi maior na Caatinga e na Amazônia.
Para médicos, o estudo inclui os eventos climáticos extremos entre os fatores que devem ser considerados no acompanhamento pré-natal, sobretudo em territórios vulneráveis. Os autores defendem o fortalecimento da atenção primária nessas regiões e a preparação da rede de saúde para eventos extremos. Por se tratar de um estudo observacional, os resultados demonstram associação, não causalidade.
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Autoria
Redação Afya News
Podcasts e videocasts produzidos com curadoria médica especializada, conduzida pelo Dr. Guilherme Rodrigues (CRM-RJ 1049461 | RQE 37692), chefe do Departamento de Catarata do Instituto Benjamin Constant (RJ) e Editor-Chefe de Conteúdo Médico da Afya Educação Médica, além de Professor do curso de Inteligência Artificial da Afya. Todo o conteúdo é gravado com apoio de tecnologias de Inteligência Artificial, assegurando eficiência produtiva, qualidade técnica e escalabilidade, sem abrir mão do rigor científico e da relevância clínica.
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