Apesar de a deficiência de vitaminas A e D ser considerada um fator contribuinte para a displasia broncopulmonar (DBP) em neonatos prematuros, ainda não se sabe quais doses de suplementação dessas vitaminas podem oferecer proteção contra essa doença pulmonar parenquimatosa grave, que afeta prematuros e piora seu prognóstico. Para responder a essa questão, Yu e colaboradores realizaram uma meta-análise, publicada em 2026 na revista Medicine. Neste artigo, resumimos as principais contribuições do estudo.
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Como a meta-análise avaliou as doses de vitaminas A e D
Os autores realizaram uma busca nas bases de dados PubMed, Ovid, Cochrane Library, Web of Science, CNKI e Wanfang, desde a criação de cada base até 30 de novembro de 2024, para identificar ensaios clínicos randomizados que investigaram o papel das vitaminas A e D na prevenção da DBP em neonatos prematuros e especificaram as doses utilizadas. Os dados foram extraídos para uma meta-análise em rede. Foram analisados dados demográficos, incidência de DBP, mortalidade e duração da ventilação mecânica.
A meta-análise incluiu cinco intervenções: vitamina D em alta dose (≥ 800 UI/dia), vitamina D em baixa dose (< 800 UI/dia), vitamina A em baixa dose (< 3.330 UI/dia), vitamina A em alta dose (≥ 3.330 UI/dia) e placebo.
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Qual estratégia apresentou melhor classificação para DBP?
Dos 1.352 estudos identificados nas bases de dados, 277 foram excluídos por duplicidade. Após a seleção, foram incluídos 20 ensaios clínicos randomizados, com 4.357 pacientes.
Os autores observaram que a vitamina D em alta dose (≥ 800 UI/dia) apresentou a melhor classificação para redução da incidência de DBP na análise da área sob a curva de classificação cumulativa (SUCRA), com 3,7%, seguida por vitamina A em baixa dose (31%), vitamina D em baixa dose (42,1%), vitamina A em alta dose (74,2%) e placebo (98,9%).
Mortalidade e duração da ventilação mecânica
A vitamina A em baixa dose (LDVA, < 3.330 UI/dia) apresentou a melhor classificação para mortalidade, com SUCRA de 22,6%, seguida por vitamina D em alta dose (26%), vitamina A em alta dose (53,9%), placebo (63,4%) e vitamina D em baixa dose (84%). Entretanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas na mortalidade entre as estratégias de suplementação e o placebo.
A vitamina A em alta dose (≥ 3.330 UI/dia) foi associada à menor duração da ventilação mecânica.
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O que os achados sugerem para a prática?
A meta-análise sugere que a suplementação com vitamina D em alta dose (≥ 800 UI/dia) pode ser o regime mais eficaz para a prevenção da DBP em neonatos prematuros, seguida pela vitamina A em baixa dose (< 3.330 UI/dia). A vitamina A em alta dose (≥ 3.330 UI/dia), por sua vez, foi associada a menor duração da ventilação mecânica. À luz desses dados, os autores sugerem considerar vitamina D em alta dose e vitamina A em baixa dose para a prevenção da DBP em recém-nascidos prematuros. Ainda assim, não houve evidência de diferença na mortalidade.
Autoria

Renata Carneiro
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pediatra pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Intensivista pediátrica pelo INCA e AMIB, mestra em Saúde Materno-Infantil pela UFRJ. Além da atuação na Afya, atende em consultório particular e é servidora plantonista do CTI do IPPMG-UFRJ e servidora do CEFET-RJ.
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