Para avaliar se o sulfato de magnésio é eficaz no tratamento de bronquiolite em menores de 2 anos de idade, Rosas e colaboradores fizeram uma revisão sistemática publicada em março de 2026 na Cochrane Database of Systematic Reviews. Neste artigo, destacaremos como foi feita e quais foram as principais contribuições dessa revisão sistemática.
Metodologia
Foram incluídos estudos randomizados controlados e estudos não randomizados usando sulfato de magnésio (sozinho ou com outro tratamento) comparado com o placebo ou com outro tratamento em menores de 2 anos de idade com bronquiolite aguda encontrados nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Embase, LILACS, CINAHL e dois estudos clínicos até 23 de novembro de 2024.
Os desfechos analisados foram tempo de recuperação, mortalidade intra-hospitalar, tempo de internação hospitalar, escore de gravidade em 0 a 24 horas e 25 a 49 horas após o tratamento, e taxa de readmissão hospitalar em 30 dias da alta hospitalar.
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Resultados
Foram incluídos sete ensaios clínicos (n= 816 pacientes). Nenhum estudo incluiu o tempo de recuperação.
O sulfato de magnésio foi comparado a(ao):
- Placebo em um ensaio controlado randomizado (n=160): não houve alteração na mortalidade, em eventos adversos, no tempo de internação hospitalar ou na gravidade clínica (escore de Wang). Entretanto, o sulfato de magnésio pode aumentar as taxas de readmissão hospitalar em até 30 dias após a alta (RR 3,16, IC de 95% 1,20 a 8,27; 158 crianças; evidência de baixa certeza). Sem outros desfechos mensurados;
- Solução salina hipertônica em um ECR (n=220): sem diferença significativa na duração da internação hospitalar (dias) (DM 0,00, IC 95% −0,28 a 0,28) ou na gravidade clínica, avaliada pelo Índice de Avaliação da Angústia Respiratória (RDAI), entre 25 e 48 horas (DM 0,10, IC 95% −0,39 a 0,59). Não avaliaram mortalidade nem eventos adversos;
- Salbutamol em um ECR (n= 37) sem relato de morte ou eventos adversos em nenhuma das intervenções; RR não estimável), o efeito dessas intervenções foi incerto na duração da internação. Não mediram outros desfechos;
- Associado à salbutamol comparado com nenhum tratamento ou solução salina normal + salbutamol em um ECR (n=37): não houve morte nem eventos adversos nos dois grupos, seu efeito na duração da internação hospitalar foi incerto (sulfato de magnésio + salbutamol: 20 horas (IC 95% 15,3 a 39,0); salbutamol: 24 horas (IC 95% 23,4 a 76,9)) são muito incertos. Não avaliaram outros desfechos.
- Sulfato de magnésio + epinefrina comparado com nenhum tratamento ou solução salina normal + epinefrina em um ECR (n=120): Não houve diferença significativa na duração da internação hospitalar ou na gravidade clínica (escores RDAI). Não avaliaram mortalidade, eventos adversos ou outros desfechos;
- Sulfato de magnésio + tratamento padrão comparado ao tratamento padrão em dois ECRs (n=164): não teve eventos adversos nas duas intervenções nem diferença significativa na duração da internação hospitalar, na gravidade clínica (escores de Wang e RDAI) ou nas taxas de readmissão hospitalar em até 30 dias após a alta. Não foram avaliados a mortalidade nem outros desfechos.
Nenhum estudo comparou: (1) sulfato de magnésio com epinefrina; (2) sulfato de magnésio + solução salina hipertônica com nenhum tratamento ou solução salina normal + solução salina hipertônica.
Limitações
São necessários mais ensaios clínicos randomizados bem delineados que para estudar os efeitos do sulfato de magnésio na bronquiolite aguda.
Mensagem prática
Essa revisão sistemática não mostrou evidências que o sulfato de magnésio é eficaz no tratamento de bronquiolite em menores de 2 anos de idade. O tratamento da bronquiolite é de suporte clínico e a prevenção com nirsevimabe promete mudar a história epidemiológica da bronquiolite.
Autoria

Renata Carneiro da Cruz
Editora médica de Pediatria da Afya ⦁ Mestre em Saúde Materno-Infantil pela UFRJ ⦁ Residência em Pediatria Geral pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Residência em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
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