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Pediatria25 março 2026

SCCM publica diretrizes de cuidados paliativos em UTIs neonatal e pediátrica

Diretriz da SCCM 2026 orienta cuidados paliativos em UTIN/UTIP, com foco em família, equidade e manejo sistemático de sintomas.

Em 20 de março de 2026, o periódico Pediatric Critical Care Medicine publicou as diretrizes de 2026 da Society of Critical Care Medicine (SCCM) sobre cuidados paliativos (CP) para recém-nascidos (RN), lactentes e crianças criticamente enfermos em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e Pediátrica (UTIP).

Essas recomendações foram desenvolvidas por meio de revisão sistemática (com dados até novembro de 2025) e um painel multidisciplinar de especialistas, utilizando a metodologia GRADE.

Focadas em cinco questões PICO, as diretrizes enfatizam desfechos centrados no paciente e na família, além de viabilidade e equidade em saúde. Como resultado, foram elaboradas cinco recomendações condicionais e uma declaração de boas práticas.

No entanto, a força dessas recomendações é limitada pela baixa certeza das evidências, influenciada por vieses, indiretividade, desfechos não padronizados e imprecisão.

Recomendações principais

Planejamento antecipado de cuidados

O painel sugere a implementação de um processo de planejamento antecipado de cuidados para pacientes pediátricos e pais de RN, lactentes e crianças com doenças potencialmente fatais ou que limitam a vida (recomendação condicional, evidência de certeza muito baixa).

Consulta com especialista em cuidados paliativos

Recomenda-se a consulta com um especialista em cuidados paliativos pediátricos para pacientes com doenças que ameaçam ou limitam a vida (recomendação condicional, evidência de certeza muito baixa).

Avaliação e manejo sistemático de sintomas

O painel sugere a utilização de uma abordagem sistemática para avaliação e manejo dos sintomas, alinhada aos objetivos do paciente e da família, em vez de intervenções pontuais.

Capacitação dos profissionais de saúde

Sugere-se a formação em cuidados paliativos para profissionais que assistem RN, lactentes e crianças com doenças graves (recomendação condicional, evidência de certeza muito baixa).

Apoio ao luto

O painel recomenda a implementação de um processo estruturado de apoio ao luto para pacientes e suas famílias/cuidadores durante ou após o falecimento.

Veja também: Delirium em UTI Neonatal

Declaração de boas práticas

Enfrentamento das desigualdades no acesso aos cuidados paliativos

Os profissionais de saúde neonatais e pediátricos devem atuar ativamente na redução das disparidades em cuidados paliativos, promovendo acesso equitativo e de qualidade.

Isso inclui:

  • Reconhecimento e mitigação de preconceitos pessoais, com prática de humildade cultural;
  • Identificação e combate ao racismo estrutural e à discriminação institucional;
  • Inclusão das perspectivas do paciente, da família e da comunidade no cuidado.

A diretriz destaca a necessidade de atenção especial a populações marginalizadas, considerando fatores como raça, etnia, idioma, país de origem, identidade de gênero, orientação sexual, religião e espiritualidade.

Conclusão

Lacunas de evidência e prioridades de pesquisa

As diretrizes da SCCM 2026 reforçam a necessidade de fortalecer a base de evidências em cuidados paliativos no contexto de UTIN, UTIP e unidades cardíacas.

Entre as principais prioridades de pesquisa estão:

  • Desenvolvimento e validação de ferramentas para avaliação da carga de sintomas e da experiência de pacientes e famílias;
  • Realização de estudos longitudinais e focados em implementação;
  • Avaliação de custo-benefício, equidade e adaptação das intervenções em diferentes contextos de saúde.

Esses avanços são essenciais para consolidar práticas mais eficazes, centradas no paciente e sustentadas por evidências mais robustas.

Autoria

Foto de Roberta Esteves Vieira de Castro

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra

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Referências bibliográficas

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