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Pediatria13 janeiro 2026

Recomendações da AAP para teste e ao tratamento da gripe na temporada 2025-2026 

Neste artigo trataremos das recomendações da Academia Americana de Pediatria para a temporada de gripe de 2025–2026.

Nessa segunda parte, abordamos as recomendações da Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP) referentes ao teste e ao tratamento da gripe na temporada 2025-2026.  

Teste de influenza  

A AAP destaca que as recomendações para o teste são baseadas no contexto e no impacto previsto no manejo clínico do paciente.  

  1. O teste deve ser realizado em crianças com sinais e sintomas quando os resultados puderem impactar o manejo clínico, como para orientar a decisão de iniciar tratamento antiviral ou evitar antibioticoterapia, realizar outros exames diagnósticos, iniciar medidas de prevenção e controle de infecções ou diferenciar de outros vírus respiratórios com manifestações clínicas semelhantes;
    • Teste para gripe aviária ou outras cepas novas: deve ser realizado sob orientação das autoridades de saúde pública. O questionamento sobre a exposição a animais doentes ou mortos, particularmente aves silvestres, aves domésticas ou vacas leiteiras, deve ser considerado para avaliar a necessidade de teste para gripe aviária. 
  2. Pacientes internados com manifestações clínicas de gripe devem ser testados com um teste de amplificação de ácido nucleico com alta sensibilidade e especificidade (por exemplo, reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa [RT-PCR]), quando houver circulação de influenza na comunidade; 
  3. Testes caseiros: disponíveis para crianças a partir de dois anos, porém há limitação de dados em pacientes pediátricos. Entretanto, podem orientar as decisões de tratamento com base na sensibilidade e especificidade, na prevalência da gripe na comunidade, na presença e duração de quadro clínico compatível e nos fatores de risco e comorbidades individuais.

Leia também: Recomendações da AAP para a prevenção e o controle da gripe em crianças (2025/26)

Recomendações da AAP para teste e ao tratamento da gripe na temporada 2025-2026 

Tratamento da gripe 

O uso de fármacos antivirais consiste em um importante fator para o controle da gripe, mas não substitui a vacinação. O seu papel na prevenção e no tratamento em crianças depende da gravidade da doença e das considerações de risco. Os melhores resultados são observados quando a criança é tratada dentro de 48h após o início dos sintomas, contudo, a terapia antiviral ainda deve ser considerada após 48h em determinadas condições.  

  1. Os pacientes com suspeita de gripe devem ser identificados rapidamente para o início oportuno do tratamento antiviral, quando indicado, para reduzir a morbidade e a mortalidade. O tratamento de pacientes que não apresentam alto risco de complicações em ambiente ambulatorial deve ser baseado na tomada de decisão compartilhada entre o médico e o responsável da criança; 
  2. Um teste positivo para influenza não é obrigatório para se indicar a terapia antiviral quando o vírus está circulando na comunidade. O início da terapia deve ser baseado em sinais e sintomas consistentes com gripe, fatores de risco do paciente e fatores epidemiológicos, como exposição conhecida e presença do vírus influenza circulando na comunidade, por exemplo;  
  3. O oseltamivir é considerado pela AAP como o antiviral preferido para pacientes com influenza A e B devido à experiência acumulada com este medicamento em crianças, ao custo relativamente baixo e à facilidade de administração. 

Quimioprofilaxia 

Considere a quimioprofilaxia dentro de 48 h após a exposição: 

 

 

 

 

 

Criança assintomática com exposição conhecida ou suspeita 

Crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta apresentam alto risco de complicações 

Crianças não vacinadas que tenham um familiar ou contato próximo com alto risco de complicações da gripe e que não possam ser protegidas eficazmente contra a gripe de outra forma 

Crianças vacinadas com alto risco de complicações que podem não ter desenvolvido uma resposta imune 

Crianças vacinadas apresentam alto risco de complicações quando a cepa da vacina não corresponde ou é ineficaz contra as cepas circulantes 

 

Contato próximo assintomático com exposição conhecida ou suspeita 

Familiares não vacinados e pessoas que tiveram contato próximo com crianças não vacinadas apresentam alto risco de complicações, assim como crianças não vacinadas com menos de 24 meses de vida 

Familiares e pessoas próximas de crianças com alto risco de complicações quando a cepa da vacina não corresponde ou é ineficaz contra as cepas circulantes 

Considere o tratamento: 

 

Não há limite de tempo para começar o tratamento 

 Criança com sintomas e infecção conhecida ou suspeita. Assim que os resultados dos testes estiverem disponíveis, o tratamento poderá ser adaptado de acordo 

Crianças com contatos domiciliares apresentam alto risco 

Crianças com contato domiciliar com menos de 6 meses de vida 

Dentro de 48 h após o início dos sintomas Outras crianças com sintomas semelhantes aos da gripe 

Recomenda-se o tratamento: 

 

 

 

Não há limite de tempo para começar o tratamento 

  

Criança com sintomas e infecção conhecida ou suspeita. Assim que os resultados dos testes estiverem disponíveis, o tratamento poderá ser adaptado de acordo 

Crianças com doenças graves 
Crianças com doenças complexas 
Crianças com doenças progressivas 
Crianças com maior risco de complicações (menores de 5 anos de idade ou com alguma condição subjacente) 
Não há prazo limite para iniciar o tratamento, embora o ideal seja iniciá-lo o mais cedo possível após o início dos sintomas. Crianças hospitalizadas 

Oseltamivir (doses recomendadas para tratamento e quimioprofilaxia) 

Lactentes prematuros: 

Idade pós-menstrual 

Tratamento 

Dose 

Duração 

<38 semanas  

1 mg/kg/dose, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 

 

5 dias 

38-40 semanas 

1,5 mg/kg/dose, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 

>40 semanas 

3 mg/kg/dose, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação. 

Legenda: VO – via oral. 

Nota: Lactentes prematuros podem ter menor depuração de oseltamivir devido à função renal imatura, e as doses recomendadas para bebês a termo podem levar a concentrações muito altas do fármaco nessa faixa etária. Para bebês extremamente prematuros (<28 semanas), um infectologista pediátrico deve ser consultado. A profilaxia pós-exposição (PPE) geralmente não é recomendada devido aos dados limitados, a menos que seja considerada essencial para o controle de surtos com base no julgamento clínico. No entanto, a dosagem ideal não foi definida nesse contexto.  

Lactentes a termo com idade inferior a 12 meses: 

 

Idade 

Tratamento Quimioprofilaxia 
Dose Duração Dose Duração 
A termo 0-8 meses 3 mg/kg/dose, 2 vezes/dia, VO ou por sonda de alimentação  

 

5 dias 

3,5 mg/kg/dose, 1 vez/dia  

 

7 dias 

9-11 meses 3,5 mg/kg/dose, 2 vezes/dia, VO ou por sonda de alimentação 3–8 meses: 3 mg/kg/dose, 1 vez/dia 

Legenda: VO – via oral. 

Nota: O oseltamivir é aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento da gripe em crianças com duas semanas de vida ou mais e pode ser usado desde o nascimento em neonatos a termo e prematuros quando os benefícios superam os riscos potenciais, apesar dos dados de segurança limitados. O FDA não o aprovou para PPE em crianças com menos de 1 ano e não é recomendado pela AAP ou pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC) para quimioprofilaxia em bebês com menos de 3 meses devido à insuficiência de dados de segurança e eficácia. Para o tratamento, as recomendações de dosagem diferem: a AAP recomenda uma dose maior para bebês de 9 a 11 meses para atingir a exposição alvo ao medicamento, enquanto o CDC recomenda 3,0 mg/kg duas vezes ao dia para todos os bebês <12 meses, com as diretrizes da Infectious Diseases Society of America (IDSA) reconhecendo ambas as abordagens. 

Eventos adversos comuns: reações cutâneas e diarreia.  

Crianças com idade igual ou superior a 12 meses: 

 

Peso 

Tratamento Quimioprofilaxia 
Dose Duração Dose Duração 
≤15 kg 30 mg, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação   5 dias 30 mg, 1 vez/dia   7 dias 
>15–23 kg 45 mg, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 45 mg, 1 vez/dia 
>23–40 kg 60 mg, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 60 mg, 1 vez/dia 
>40 kg 75 mg, 2 vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 75 mg, 1 vez/dia 

Legenda: VO – via oral. 

Eventos adversos comuns: náuseas, vômitos e cefaleia.  

Adultos: 

Tratamento Quimioprofilaxia 
Dose Duração Dose Duração 
75 mg, duas vezes ao dia, VO ou por sonda de alimentação 5 dias 75 mg, 1 vez/dia 7 dias 

Legenda: VO – via oral. 

Autoria

Foto de Roberta Esteves Vieira de Castro

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra

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