Pesquisadores chineses identificaram uma redução de complicações respiratórias perioperatórias com o uso de máscara laríngea em crianças submetidas à cirurgia de amígdalas e adenoides. O ensaio clínico randomizado, publicado no The BMJ em novembro de 2026, comparou essa técnica à intubação endotraqueal em quatro hospitais da China.
O estudo incluiu 400 crianças entre dois e seis anos, distribuídas igualmente entre os grupos. Todas apresentavam classificação I ou II da American Society of Anesthesiologists (ASA), e os procedimentos ocorreram sob anestesia geral.

Complicações respiratórias perioperatórias caíram com máscara laríngea
A ocorrência de pelo menos um evento respiratório foi de 22,5% com máscara laríngea e 57,5% com tubo endotraqueal. A diferença absoluta de 35 pontos percentuais foi estatisticamente significativa (p<0,001).
O desfecho composto incluiu laringoespasmo, broncoespasmo, dessaturação, obstrução das vias aéreas, tosse intensa e estridor. A redução ocorreu tanto durante a cirurgia, de 17,5% para 9%, quanto na recuperação anestésica, de 49,5% para 16,5%.
A redução relativa do risco de eventos respiratórios foi de 61% (RR 0,39; IC 95% 0,25–0,60). Considerando a diferença absoluta entre os grupos, o número necessário para tratar (NNT) foi de aproximadamente três crianças. Isso significa que, nas condições do estudo, a utilização da máscara laríngea em cerca de três pacientes, em vez da intubação endotraqueal, evitaria um evento respiratório perioperatório adicional.
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Como a intubação endotraqueal se compara à máscara laríngea?
A máscara laríngea apresentou menores frequências de dessaturação (15% versus 28%), obstrução respiratória (3,5% versus 12,5%) e tosse intensa (10,5% versus 42%).
Uma possível explicação para essa diferença está na menor estimulação das mucosas laríngea e traqueal. Segundo os pesquisadores, a manipulação das vias aéreas durante a cirurgia pode provocar lesões, sangramento e aumento das secreções. Como a máscara laríngea fica posicionada acima da glote, seu uso pode limitar o contato das vias aéreas inferiores com sangue e secreções, além de reduzir a estimulação dessas estruturas.
O laringoespasmo ocorreu em 3% das crianças intubadas e não foi registrado no grupo com máscara laríngea. Não houve diferença significativa para broncoespasmo, nem eventos adversos graves em qualquer grupo.
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Recuperação pós-anestésica exige menos intervenções
Após a retirada do dispositivo, 12% das crianças com máscara laríngea necessitaram de manobras respiratórias de resgate, contra 37% das intubadas.
A saturação mínima média também foi superior no grupo com máscara laríngea. No dia seguinte, 65,5% não apresentavam dor, contra 52% no grupo endotraqueal.
O tempo mediano para estabelecer a via aérea também foi menor com a máscara laríngea, de 17 segundos, contra 33 segundos com tubo endotraqueal (p<0,001). A duração mediana da cirurgia foi de 22 e 25 minutos, respectivamente. Entretanto, os autores ressaltam que essa diferença pode estar relacionada à maior proporção de adenoidectomias isoladas no grupo com máscara laríngea, procedimento geralmente mais curto.
Apesar das diferenças observadas no período perioperatório, não houve diferenças estatisticamente significativas na duração da internação ou na ocorrência de pneumonia até 30 dias após a cirurgia. Esses achados indicam que os benefícios demonstrados se concentraram principalmente na anestesia e na recuperação imediata.
Quando a anestesia pediátrica exige cautela na escolha do dispositivo?
Os resultados dependem de equipes experientes e não devem ser extrapolados diretamente para menores de dois anos ou crianças com apneia obstrutiva grave, excluídas do estudo.
A conversão para intubação foi necessária em três pacientes por ventilação inadequada. Para a prática clínica, os autores destacam seleção adequada, treinamento e coordenação entre anestesiologista e cirurgião.
Outro aspecto relevante é que os participantes não realizaram necessariamente o mesmo procedimento. No grupo com máscara laríngea, 54% foram submetidos à adenoidectomia isolada e 44,5% à adenotonsilectomia. No grupo com tubo endotraqueal, essas proporções foram de 44% e 55%, respectivamente. Os pesquisadores identificaram uma interação entre o tipo de cirurgia e o efeito da intervenção, o que exige cautela na interpretação dos resultados para cada procedimento.
Entre as limitações metodológicas, destaca-se a impossibilidade de manter anestesiologistas, cirurgiões e avaliadores sem conhecimento do dispositivo utilizado, o que pode ter influenciado a identificação dos eventos respiratórios. Também não houve monitoramento instrumental da profundidade anestésica, e as estratégias de indução, manutenção e retirada dos dispositivos não foram completamente padronizadas. Além disso, dois dos quatro centros interromperam o recrutamento antes do previsto, sem que fosse possível determinar o impacto dessa decisão nos resultados.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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