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Pediatria13 abril 2026

Guideline AAD 2026 - Dermatite atópica em menores de 18 anos

Atualização da Academia Americana de Dermatologia aborda a dermatite atópica em crianças: terapias tópicas, biológicos e inibidores de JAK.

Publicado em abril de 2026, o novo guideline da Academia Americana de Dermatologia (AAD) atualiza as recomendações para o manejo da dermatite atópica em pacientes menores de 18 anos. O documento substitui a versão anterior, de 2014, e reflete uma década de avanços terapêuticos na área.

Entre os principais destaques, estão a incorporação de novas classes de medicamentos, como os imunobiológicos e os inibidores de JAK, que passaram a contar com evidências robustas de eficácia e segurança ao longo dos últimos anos. A atualização acompanha a evolução do tratamento da doença, especialmente nos casos moderados a graves, ampliando as opções disponíveis além das terapias tópicas tradicionais.

Metodologia

O guideline foi elaborado a partir de revisão sistemática conduzida por um grupo multidisciplinar, utilizando a abordagem GRADE para classificar a certeza das evidências e direcionar recomendações a favor ou contra intervenções.

As recomendações priorizaram estudos randomizados e revisões sistemáticas focadas no manejo da dermatite atópica em pacientes menores de 18 anos, avaliando:

Critérios analisados

  • Eficácia: melhora de escores clínicos
  • Segurança: ocorrência de eventos adversos

O documento reflete principalmente a realidade dos Estados Unidos, considerando terapias aprovadas pelo FDA ou estudadas nesse contexto.

Veja também: AAP 2025: Dermatite atópica na prática do consultório

Resultados

Recomendações favoráveis

Terapia de base

  • Hidratantes: uso contínuo, duas vezes ao dia (FORTE 1A)

Corticoides tópicos

  • Baixa potência (2–12 meses): 1x/dia em face e flexuras por até 4 semanas; manutenção intermitente (3x/semana) (FORTE 1A/1B)
  • Média potência (>2 anos): até 2x/dia por até 4 semanas no corpo; manutenção intermitente (FORTE 1A/1B)

Inibidores de calcineurina

  • ≥2 anos: tacrolimus 0,03% e pimecrolimus 1% 2x/dia por até 6 semanas
  • Manutenção: 2x/semana por até 12 meses
  • Tacrolimus 0,1%: ≥16 anos
  • Uso off-label <2 anos com perfil de segurança semelhante (FORTE 1B)

Novas terapias tópicas

  • Crisaborole 2% (≥3 meses): 2x/dia (FORTE 1A)
  • Roflumilast:
    • 0,05% (2–5 anos)
    • 0,15% (≥6 anos), 1x/dia (FORTE 1A)
  • Ruxolitinib 1,5% (≥2 anos): 2x/dia (FORTE 1A)
  • Tapinarof 1% (≥2 anos): 1x/dia (FORTE 1A)

Terapias sistêmicas e biológicas

  • Dupilumab (≥6 meses): doença moderada a grave não responsiva a tópicos (FORTE 1A)
  • ≥12 anos: tralokinumab, lebrikizumab, nemolizumab, upadacitinib, abrocitinib (FORTE 1A)
  • Baricitinib: uso off-label nos EUA (FORTE 1A)

Recomendações condicionais favoráveis

Fototerapia

  • UVB de banda estreita: em casos refratários ao tratamento tópico (2B)

Imunossupressores sistêmicos

  • Ciclosporina, metotrexato, azatioprina e micofenolato
  • Indicação: casos moderados a graves refratários
  • Uso limitado pelo risco de eventos adversos (2B)

Medidas adjuvantes

  • Banhos mornos diários
  • Banhos com hipoclorito
  • Curativos úmidos oclusivos
    (2B/2C)

Recomendações condicionais contra o uso

  • PUVA: ausência de evidência em crianças e adolescentes (2B)
  • Antibióticos tópicos: apenas se infecção comprovada (2B)

Contraindicações

  • Corticoides sistêmicos: não recomendados para uso regular devido a eventos adversos
  • Podem ser considerados por curtos períodos em exacerbações graves (FORTE 1B)

Conclusão

Por conta da carência de estudos de alta qualidade sobre tromboembolismo venoso em Pediatria, os únicos grupos com recomendação direta de prescrição de anticoagulação profilática primária foram os  pacientes em uso de NPT por mais de 60 dias e secundária foram os pacientes com Síndrome Anticorpo Antifosfolipídeo. Para os demais pacientes ainda é necessário avaliar os riscos individuais de cada paciente para tromboembolismo venoso versus risco de sangramento na decisão da prescrição de anticoagulação profilática primária.

Autoria

Foto de Jandrei Rogério Markus

Jandrei Rogério Markus

Médico Graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Residência Médica em Pediatria e Infectologia Pediátrica pela UFPR. Especialização em Dermatologia Pediatria - pela UFPR. Mestrado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Infectologia Pediátrica. Doutorado em Saúde da Criança e do Adolescente com área na Dermatologia Pediátrica. Pós-graduado em Controle de Infecções Hospitalar pelo Centro Universitário do Vale da Ribeira. Atuando como médico_ infectologista pediátrico no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e do Hospital Geral Público de Palmas (HGPP). Médico do Serviço de Controle de Infecções da UTI Neonatal do HMDR, UTI Pediátrica do HGPP e da UTI adulto do HGPP. Professor de Pediatria da Afya Faculdade de Ciências Médicas - Porto Nacional-TO. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Pediátrica. Presidente do Departamento Cientifico de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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