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Pediatria1 julho 2026

Exposição pré-natal a substâncias: impacto no peso ao nascer

Estudo avalia exposição pré-natal a cannabis e opioides e sua associação com peso ao nascer e percentil para idade gestacional.
Por Roberta Castro

Nos Estados Unidos, a exposição pré-natal a substâncias, como nicotina, álcool, cannabis e opioides, é bastante frequente e tem sido associada a desfechos adversos no nascimento, embora estudos prévios tenham apresentado resultados inconsistentes por limitações metodológicas. O Estudo HEALthy Brain and Child Development (HBCD) consiste no maior estudo longitudinal americano sobre o desenvolvimento cerebral da prole desde o nascimento até a infância. Seu objetivo foi coletar dados prospectivos detalhados sobre a exposição pré-natal a substâncias e seus desfechos na infância. 

Saiba mais: Cannabis na Gestação 

Como foram avaliadas as exposições durante a gestação 

Um estudo publicado na Pediatrics avaliou as associações entre a exposição pré-natal à nicotina, ao álcool, à cannabis e aos opioides e os desfechos do nascimento, incluindo idade gestacional (IG), peso ao nascer (PN) e PN para a IG. 

Os dados foram retirados da versão 1.0 do HBCD, que incluiu todas as visitas concluídas até 1º de julho de 2024. 

Foram incluídas gestantes com idade igual ou superior a 18 anos, falantes de inglês ou espanhol. Os critérios de exclusão foram qualquer intenção de interromper a gestação ou de não manter a guarda da criança. 

Os limiares de recrutamento predefinidos para cada substância foram avaliados utilizando: 

  • autorrelato materno; 
  • resultados de exames toxicológicos maternos; 
  • diagnósticos de exposição a substâncias em recém-nascidos (RN). 

Os desfechos do parto incluíram IG ao nascimento, em semanas; PN, em gramas; e PN para a IG, em percentis. 

Cannabis e opioides foram associados a menor tamanho ao nascer 

Foram incluídos 660 pares mãe-bebê. A amostra era predominantemente composta por brancos não hispânicos (51%), seguidos por negros não hispânicos ou afro-americanos (21%). 

As participantes atingiram os critérios de recrutamento para exposição pré-natal da seguinte forma: 

  • 17% (n = 115): cannabis; 
  • 15% (n = 102): nicotina; 
  • 13% (n = 86): álcool; 
  • 5% (n = 32): opioides. 

O PN mediano foi de 3260 g, com intervalo interquartil (IIQ) de 2920 a 3600 g. 

A IG mediana no parto foi de 39 semanas, com IIQ de 38 a 40 semanas. Oito por cento (n = 53) dos bebês nasceram prematuros. 

O PN médio para a IG foi o percentil 65, com IIQ de 38 a 86. 

Saiba mais: AAP atualiza diretrizes sobre aleitamento para RN muito baixo peso 

Embora os resultados tenham se mostrado sensíveis às diferentes especificações dos modelos estatísticos, considerando modelos ajustados, as exposições pré-natais à cannabis e aos opioides foram associadas, cada uma, a: 

  • menor peso ao nascer: 
    • cannabis: −272,2 g; intervalo de confiança de 95% (IC95%) de −444,6 a −99,8; 
    • opioides: −295,4 g; IC95% de −574,9 a −15,9. 
  • menores percentis de PN para a IG: 
    • cannabis: −8,2 percentis; IC95% de −15,3 a −1,1; 
    • opioides: −14,4 percentis; IC95% de −25,5 a −3,4. 

Com relação à nicotina e ao álcool, as estimativas para exposição pré-natal tiveram uma tendência na mesma direção, porém sem significância estatística. Por fim, não foram observadas associações significativas entre as exposições estudadas e a IG ao parto. 

Saiba mais: Síndrome de abstinência neonatal e iatrogênica em neonatologia – diferenças e semelhanças 

O que os achados sugerem para a rotina do pré-natal 

O estudo mostrou que a exposição pré-natal à cannabis e aos opioides esteve associada a um menor tamanho do RN ao nascer. Dessa forma, os resultados corroboram as recomendações atuais com relação à abstinência de cannabis durante a gravidez, além de reforçar também a necessidade de análises desagregadas da exposição a opioides. 

A mensagem mais prática deste estudo é justamente reforçar a importância da triagem de rotina para o uso de substâncias durante o pré-natal. Infelizmente, existe uma percepção crescente de que a cannabis é uma substância segura, mas esse estudo reforça as recomendações atuais para evitar seu uso na gestação e enfatiza o papel do pré-natal. 

Autoria

Foto de Roberta Castro

Roberta Castro

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.

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