A Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP) atualizou, em 2026, o relatório clínico para promoção do leite humano (LH) e aleitamento materno (AM) para recém-nascidos de muito baixo peso (RNMBP) ao nascer, publicado em 2021. A seguir, sintetizamos os pontos principais dessa atualização.

Pontos principais
- A fonte nutricional ideal para o RNMBP é o leite materno (LM) como base da dieta, que diminui o risco de diversas complicações significativas da prematuridade. As taxas de enterocolite necrosante (ECN) são mais baixas quando a dieta é baseada em LM;
- É fundamental priorizar o suporte máximo à lactação como um componente essencial do cuidado integral na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), já que existe uma relação dose-resposta entre o fornecimento de LM exclusivo e os melhores desfechos para o RN durante todo o período de internação na UTIN e após a alta;
- Quando o LM comum não estiver disponível, for insuficiente em volume ou estiver contraindicado, o LHOPD é recomendado. É razoável fazer a transição do LHOPD para fórmula infantil para prematuros no momento da maturação em que o risco de desenvolver ECN for baixo, o que ocorre, aproximadamente, entre 34 e 36 semanas de idade pós-menstrual;
- O uso de fórmula infantil para prematuros é recomendado para RNMBP ao nascer quando o LM ou o LHOPD não estiverem disponíveis ou quando os pais recusarem o uso do LH doado;
- O LM necessita de fortificação para atender às necessidades nutricionais de RNMBP ao nascer hospitalizados. Atualmente, as evidências não sustentam a recomendação de utilizar leite fortificado derivado de LH ao invés de leite fortificado derivado de leite bovino hidrolisado nos bebês alimentados com LM como dieta base;
- As famílias de RNMBP ao nascer devem receber informações culturalmente adequadas sobre lactação e os benefícios do LM para a saúde do RN, começando no pré-natal;
- O cuidado na UTIN para RNMBP ao nascer inclui a definição e o apoio às metas de amamentação materna. Consultoras de lactação com experiência nas necessidades de neonatos prematuros e suas famílias desempenham um papel fundamental;
- Bombas de extração de leite elétricas duplas, eficazes, eficientes e confortáveis para mães de RNMBP ao nascer, aumentam a probabilidade de sucesso na extração de leite no hospital e em casa. Recomenda-se fortemente o acesso materno a essas bombas para uso doméstico e o treinamento em seu uso antes da alta hospitalar para minimizar a interrupção do estabelecimento da produção de leite;
- A assistência técnica para a extração precoce de leite deve estar disponível para as mães dentro de 6 a 8 horas após o nascimento de qualquer RNMBP, devido à necessidade de extração precoce e frequente de leite para manter a produção;
- Para manter o suprimento de leite para seus bebês, as mães devem ser incentivadas a extrair o LM com a frequência necessária, geralmente a cada 3 a 4 horas;
- Protocolos escritos e instruções para a família sobre coleta, armazenamento e transporte de LM otimizam a segurança da alimentação do bebê. Procedimentos hospitalares de preparo e gerenciamento do LM, orientados por políticas, melhoram a segurança do armazenamento e do preparo do leite, além de atender aos requisitos regulatórios hospitalares;
- O apoio ao contato pele a pele, à sucção não nutritiva e ao AM direto, quando apropriado à condição médica do RNMBP ao nascer;
- A administração oral de colostro pode melhorar os desfechos sem causar efeitos adversos;
- As desigualdades socioeconômicas no acesso ao LM para RNMBP ao nascer persistem e a melhor forma de combatê-las pode ser localmente, sempre que possível, por meio de programas de empréstimo de bombas de extração, apoio à amamentação entre pares, disponibilidade de serviços de intérprete e suporte para necessidades básicas não atendidas das famílias que afetam a amamentação, como o transporte;
- O planejamento ideal para a alta da UTIN inclui planos de alimentação definidos que consideram e abordam os objetivos de lactação da família, juntamente com um plano de fortificação do LM;
- A infecção por citomegalovírus (CMV) pode ser adquirida através do LM. No entanto, as evidências atuais são insuficientes para justificar a suspensão do AM apenas por causa desse risco;
- Não existem dados suficientes para definir o risco de transmissão do HIV associado à alimentação de RNMBP ao nascer com LM quando a carga viral da mãe é inferior a 50 cópias/mL. Na ausência de dados, a conduta mais segura pode ser oferecer LHOPD.
Autoria

Roberta Esteves Vieira de Castro
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra
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