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PediatriaJUN 2024

Estudo relaciona vegetação urbana, pólen e incidência de asma em crianças

O estudo de coorte retrospectivo analisou 214.211 nascidos vivos entre 2006 e 2014, em Toronto, no Canadá.

Em um estudo recente publicado no European Respiratory Journal, pesquisadores investigaram como a vegetação urbana e a exposição ao pólen estão relacionados à incidência de asma infantil. 

Contexto 

Pesquisas indicam múltiplos fatores que contribuem para a asma infantil, como estilo de vida, genética e exposições ambientais. O interesse dos cientistas agora é avaliar o potencial papel da exposição à vegetação urbana na prevenção da doença. 

Estudos anteriores sugeriam que áreas verdes poderiam reduzir exposições ambientais prejudiciais, como poluição atmosférica e sonora, além de incentivar que mais atividades fossem feitas ao ar livre. Outro benefício seria o aumento da exposição a uma maior variedade de microbiota, o que também ajuda na saúde respiratória. 

No entanto, essa mesma vegetação urbana também pode expor as crianças a alérgenos aerotransportados, como pólen, o que aumenta potencialmente o risco surgimento da asma infantil. 

Metodologia 

O estudo de coorte retrospectivo analisou 214.211 nascidos vivos entre 2006 e 2014, em Toronto, no Canadá. Foram avaliados dados coletados sobre endereços residenciais, níveis de vegetação das áreas mapeadas, casos de asma infantil, exposição ao pólen aerotransportado, poluição do ar, características maternas e socioeconômicas. A análise estatística usou os modelos de regressão de Cox e ajuste para variáveis de confusão. 

Alguns dos resultados encontrados: 

  • Maior NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) associado a um risco aumentado de asma infantil (HR 1,029); 
  • Maior cobertura de copas de árvores associado a um efeito protetor contra asma infantil (HR 0,976); 
  • Exposição pré-natal ao pólen aumentou o risco de asma (HR 1,021), principalmente no final do primeiro ao início do terceiro trimestre de vida; 
  • Exposição ao pólen total e ao pólen de árvores no primeiro ano de vida também aumentaram o risco de asma; 
  • O efeito protetor das copas de árvores diminuiu com o aumento do pólen, enquanto o risco de asma por NDVI alto aumentou. 
  • O efeito protetor das copas de árvores foi mais forte para nascimentos ocorridos no outono. 

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Conclusão 

Os resultados indicam que esses fatores interagem de maneira complexa. Áreas arborizadas parecem proteger as crianças contra a asma, ao mesmo tempo em que a exposição ao pólen contido, muitas vezes, nessa vegetação pode anular esses benefícios. 

No entanto, de acordo com especialistas, mais pesquisas são necessárias para medir a vegetação com mais precisão, considerar fatores de risco individuais e desenvolver melhores ferramentas de diagnóstico para asma em crianças pequenas. 

O estudo considera que compreender o equilíbrio entre exposições ambientais benéficas e prejudiciais é crucial para o planejamento urbano e intervenções de saúde pública para reduzir a asma infantil. 

*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya. 

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Referências bibliográficas

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