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Pediatria26 junho 2026

ESPGHAN 2026: probióticos em prematuros e risco de enterocolite

Discussão do ESPGHAN 2026 abordou probióticos em prematuros e associação com menor enterocolite necrosante grave.
Por Jôbert Neves

Durante a reunião anual da European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (ESPGHAN 2026),  realizada em junho de 2026, em Lille, França, foram apresentados dados observacionais robustos sobre o impacto do uso de probióticos em prematuros muito pequenos. A análise foi conduzida por um pesquisador com atuação em neonatologia e epidemiologia perinatal, vinculado ao Tours University Hospital e ao INSERM, com colaboração do Karolinska Institutet. 

O estudo avaliou uma coorte nacional de 4.695 recém-nascidos pré-termo acompanhados entre 2017 e 2024, explorando o efeito da implementação de uma recomendação nacional que passou a incorporar probióticos como padrão de cuidado a partir de 2020. 

ESPGHAN 2026

Coorte nacional avaliou prematuros muito pequenos 

Os resultados mostraram associação consistente entre o uso de probióticos e a redução de desfechos clínicos relevantes. 

  • Observou-se menor mortalidade entre os pacientes expostos e redução nas taxas de enterocolite necrosante, especialmente nas formas mais graves. 
  • Um dos achados mais marcantes foi a expressiva redução da enterocolite necrosante cirúrgica, com apenas 1 caso no grupo que recebeu probióticos em comparação com 40 casos no grupo sem probióticos, o que corresponde a 0,1% versus 1,3%. 

Esse dado sugere não apenas redução de incidência, mas também impacto na gravidade da doença. 

Saiba mais: Prematuridade – Avanços e perspectivas no manejo da Enterocolite Necrosante 

Segurança foi ponto central na análise apresentada 

A segurança é um ponto central quando se discute o uso de probióticos em neonatologia, especialmente em pacientes de alto risco. Neste estudo, as taxas de sepse permaneceram estáveis ao redor de 3% ao longo do período avaliado, independentemente do uso de probióticos. Além disso, não foram identificados casos de sepse atribuídos aos microrganismos utilizados, mesmo entre mais de 1.500 recém-nascidos expostos. 

Limites do estudo exigem cautela na interpretação 

Os dados apresentados representam evidência de mundo real em larga escala e refletem o impacto da implementação de uma política nacional baseada em diretrizes científicas. 

A consistência com estudos prévios e metanálises fortalece a associação entre probióticos e redução de enterocolite necrosante. No entanto, trata-se de um estudo observacional, o que implica risco de fatores de confusão não mensurados, mesmo diante da boa comparabilidade entre grupos. 

Outro ponto relevante é o uso de formulações específicas de probióticos, com cepas definidas, o que limita a extrapolação para produtos diferentes. 

Saiba mais: Ensaio avaliou os efeitos de simbióticos na enterocolite necrosante em neonatos 

O que esses dados acrescentam à prática? 

O estudo reforça o papel dos probióticos como uma das poucas intervenções com potencial real de modificar desfechos relevantes em prematuros extremos, especialmente na prevenção de enterocolite necrosante grave. 

A magnitude do efeito observado, particularmente na redução de casos cirúrgicos, é clinicamente relevante e dialoga diretamente com a prática em unidades neonatais. 

Discussão institucional no contexto brasileiro 

No Brasil, o uso de probióticos em prematuros ainda não é uniforme e frequentemente esbarra em questões como padronização de cepas, qualidade dos produtos disponíveis e segurança regulatória. 

A experiência sueca mostra que, quando há implementação estruturada, com definição clara de protocolos e produtos, é possível obter benefícios significativos sem aumento de eventos adversos. 

Esse ponto é central para a discussão institucional, mais do que individual, e reforça a necessidade de protocolos bem definidos. 

Saiba mais: Probióticos na prática: como interpretar diretrizes divergentes 

Confira a cobertura completa do ESPGHAN 2026!

Autoria

Foto de Jôbert Neves

Jôbert Neves

Conteudista médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Realizou residência em Pediatria e especialização em Gastroenterologia Pediátrica pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP). Possui Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e experiência internacional como observer no SickKids, University of Toronto. Atuou ainda como Coordenador Young LASPGHAN do Grupo de Trabalho em Probióticos e Microbiota.

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