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Pediatria13 abril 2026

ASH e ISTH atualizam diretrizes sobre anticoagulação profilática em pediatria

Uma revisão sistemática usou a abordagem GRADE para avaliar o grau de evidência e para formular as novas recomendações de 2026.

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma causa relevante de morbidade em crianças hospitalizadas e naquelas com doenças crônicas. Apesar disso, ainda há lacunas importantes quanto ao uso de anticoagulação profilática nesse grupo.

Com o objetivo de orientar essa prática, a American Society of Hematology (ASH) e a International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH) publicaram, em abril de 2026, novas diretrizes na revista Blood Advances.  Confira abaixo os principais pontos das novas recomendações.

Metodologia

Foi realizada uma revisão sistemática da literatura, utilizando a abordagem GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation) para classificar a qualidade das evidências e formular as recomendações.

O guideline focou em:

  • Profilaxia primária (sem tromboembolismo prévio)
  • Profilaxia secundária apenas em pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolipídeo

Não foram abordadas:

  • Terapias antiplaquetárias (ex.: aspirina, clopidogrel)
  • Tromboprofilaxia mecânica (ex.: compressão pneumática)

Veja também: Tromboprofilaxia em adolescentes

Recomendações das diretrizes

Leucemia/Linfoma linfoblástico

  • A decisão sobre anticoagulação profilática deve ser individualizada (recomendação condicional)

Subgrupos com possível benefício

  • Idade ≥10 anos
  • Obesidade
  • Imunofenótipo de células T
  • Leucemia linfoblástica aguda de alto risco
  • História pessoal ou familiar de trombose

Fatores de risco para sangramento

  • Idade mais jovem
  • Sangramento prévio
  • Trombocitopenia grave
  • Disfunção renal

Considerações práticas

  • Utilizar durante ciclos com asparaginase
  • Suspender após resolução do risco pró-trombótico
  • Interromper no perioperatório
  • Ajustar/suspender em plaquetopenia moderada a grave

Antitrombina

  • Não se recomenda suplementação em pacientes com leucemia/linfoma linfoblástico

Tumores sólidos

  • Não indicar anticoagulação profilática para todos

Possíveis candidatos

  • Adolescentes
  • Uso de anticoncepcional oral
  • Compressão/invasão vascular tumoral
  • Cirurgia oncológica de grande porte
  • Cateter venoso central (CVC)
  • Imobilidade
  • Trombofilia ou história prévia de TEV

Nutrição parenteral total (NPT)

  • Recomenda-se anticoagulação profilática em uso por >60 dias
  • Exclui neonatos e uso <60 dias

Cateter venoso central (CVC)

Curta duração (≤7 dias)

  • Não recomendar para todos
  • Considerar em alto risco:
    • Doença crítica
    • Ventilação mecânica invasiva
    • Imobilidade prolongada
    • Infecção grave

Médio/longo prazo (≥8 dias, sem câncer/NPT)

  • Não recomendar profilaxia de rotina

Síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAF)

  • Recomenda-se profilaxia secundária

APLA positivo sem trombose

  • Não recomendar profilaxia primária
  • Avaliação individual é essencial

Trauma

  • Não indicar para todos

Considerar se alto risco

  • Choque
  • Idade >12 anos
  • Imobilidade
  • Intubação
  • Presença de CVC

Pacientes hospitalizados

  • Não recomendar anticoagulação profilática de rotina

Avaliar individualmente

  • Imobilidade
  • Uso de estrogênio
  • Infecção
  • Obesidade
  • Inflamação

Pacientes críticos

  • Não indicar para todos

Possível benefício

  • ≥1 ano com CVC não tunelizado
  • Em ventilação mecânica invasiva

Cirurgia não cardíaca

  • Não recomendar profilaxia de rotina

Fatores de risco

  • Cirurgias prolongadas
  • Imobilização
  • CVC >7 dias
  • Obesidade
  • Trombofilia
  • Uso de anticoncepcional oral

Limitações

Ainda há escassez de estudos de alta qualidade sobre anticoagulação profilática em pediatria, o que impacta a força das recomendações.

Mensagem prática

Devido à limitação das evidências, poucos grupos apresentam recomendação direta para anticoagulação profilática:

  • Profilaxia primária: pacientes em NPT por mais de 60 dias
  • Profilaxia secundária: pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolipídeo

Nos demais casos, a decisão deve ser individualizada, considerando o equilíbrio entre risco de tromboembolismo venoso e risco de sangramento.

Autoria

Foto de Renata Carneiro da Cruz

Renata Carneiro da Cruz

Editora médica de Pediatria da Afya ⦁ Mestre em Saúde Materno-Infantil pela UFRJ ⦁ Residência em Pediatria Geral pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Residência em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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