Logotipo Afya
Anúncio
Ortopedia20 abril 2022

A injeção de corticoide intramuscular é inferior à intra-articular para controle da dor em pacientes com artrose de joelho?

Um ensaio clínico com follow-up de 24 semanas investigou se a injeção intramuscular de corticoides não é inferior à injeção intramuscular.

A osteoartrose é uma das maiores causas de déficit funcional e o joelho é a articulação mais afetada. Estratégias de tratamento como perda de peso e fisioterapia são geralmente combinadas com medicamentos para controle da dor e manejo clínico da osteoartrose. Entre essas medicações, o uso intra-articular (IA) de glicocorticoides mostrou efeito de redução da dor moderada a grave a curto prazo em pacientes que não responderam à terapia oral. Entretanto, estudos com follow-up maior que 2 anos demonstraram propensão à maior perda cartilaginosa nesses pacientes, além de riscos mais elevados de artrite séptica ou infecção pós-operatória.

Leia mais: Uso de vancomicina intraóssea para a redução das infeções após próteses de joelho

A injeção intramuscular (IM) desses corticoides é uma opção que elimina os riscos diretos à cartilagem e de artrite séptica, além de ser de mais fácil aplicação, tendo sido estudada em trabalhos anteriores e confirmada como benéfica no alívio da dor em artrose de quadril, ou da mão ou lesão do manguito rotador. Entretanto, nenhum estudo até hoje havia demonstrado o efeito da injeção intramuscular para a artrose de joelho ou comparando com injeção intra-articular.

A injeção de corticoide intramuscular é inferior à intra-articular para controle da dor em pacientes com artrose de joelho?

O estudo

Foi publicado esse mês no “Journal of American Medical Association – JAMA” um ensaio clínico randomizado com follow-up de 24 semanas com o objetivo primário de investigar se a injeção intramuscular de corticoides não é inferior à injeção intramuscular na redução da dor no joelho em 4 semanas após o procedimento. Foram randomizados entre março de 2018 e fevereiro de 2020 145 pacientes de hospitais do sudeste da Holanda entre os grupos IM (74 pacientes) e IA (71 pacientes).

Melhorias clinicamente relevantes na dor no joelho foram alcançadas até 12 semanas após a injeção em ambos os grupos. Em 4 semanas, a diferença média estimada no Knee Injury and Osteoarthritis Outcome Score entre os 2 grupos foi de -3,4 (IC 95%, -10,1 a 3,3). A não inferioridade não pôde ser declarada porque o limite inferior excedeu a margem de não inferioridade. A injeção intramuscular não foi inferior à injeção IA em 8 (diferença média, 0,7; IC 95%, -6,5 a 7,8) e 24 (diferença média, 1,6; IC 95%, -5,7 a 9,0) semanas. Nenhuma diferença significativa foi encontrada entre todos os desfechos secundários.

Esses resultados foram semelhantes para a análise de sensibilidade em uma população com intenção de tratar. Os eventos adversos mais frequentemente relatados foram fogachos (IM, 7 [10%] vs IA, 14 [21%]) e cefaleia (IM, 10 [14%] vs IA, 12 [18%]), e todos os eventos foram classificados como não graves.

Saiba mais: O treinamento de força de alta intensidade é benéfico aos pacientes com osteoartrose de joelho?

Conclusão

Os achados do estudo sugerem que, entre pacientes em ambientes de cuidados primários com OA de joelho sintomática, uma injeção de glicocorticoide IM pode apresentar um efeito inferior na redução da dor em nosso desfecho primário de 4 semanas, em comparação com uma injeção IA. Ambos os tipos de injeção devem ser considerados estratégias eficazes, e este estudo fornece evidências para a tomada de decisão compartilhada entre médicos e pacientes, levando em consideração as vantagens e desvantagens de ambas as estratégias de tratamento.

Anúncio

Assine nossa newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Ao assinar a newsletter, você está de acordo com a Política de Privacidade.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Referências bibliográficas

Compartilhar artigo