A disfunção das glândulas de meibomius (MGD) é uma doença da superfície ocular que acarreta mudanças da lágrima e queixas de desconforto relacionadas ao olho seco (DED). Das várias alternativas para seu tratamento, as compressas mornas possuem importância significativa, no entanto a adesão é difícil, pois precisam ser realizadas diariamente e por um longo período. Portanto, a avaliação da eficácia e segurança do uso de máscaras descartáveis de aquecimento palpebral, foi realizada como uma outra opção.
Métodos
O estudo realizado foi um ensaio clínico randomizado, controlado, não mascarado, incluindo um total de 144 pacientes tratados com as máscaras (grupo de tratamento) ou com compressas mornas (grupo controle) duas vezes ao dia por 12 semanas. A avaliação oftalmológica, incluindo sinais e sintomas da MGD e da DED, foi realizada no início do tratamento, com 4 semanas e depois com 12 semanas. Efeitos adversos e segurança do tratamento também foram avaliados.
Resultados
Na 4ª semana, diferenças estatísticas significativas na avaliação ocular entre os dois grupos (P < 0,05) foram observadas, o grupo de tratamento mostrou uma melhora maior nos sinais e sintomas do que no grupo controle. Na 12ª semana, esses achados se mantiveram, exceto pelo teste de schirmer (avalia a produção de lágrima) com P < 0,05. A taxa de adesão foi 88,6% no grupo que usou máscara e 81,5% no grupo controle. Efeitos adversos foram observados em 27 pacientes no grupo de tratamento e em 21 dos controles, porém nenhum grave foi relatado.
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Discussão
A MGD e a DED evaporativo apresentam alta prevalência na população mundial e tem tido cada vez mais foco, pelo uso crescente de telas tanto para trabalho, quanto para lazer.
É sabido que compressas mornas ajudam na melhora dos sintomas, porém a temperatura e o tempo corretos ainda não estão bem definidos na literatura.
No estudo, as máscaras de aquecimento demonstraram melhor adesão e bons resultados na melhora dos sintomas. A sugestão da implementação de dispositivos que mantenham o efeito do tratamento com uma única aplicação ou um curto período de uso seriam melhores opções para o tratamento.
O estudo apresenta algumas limitações, portanto para melhor validação do uso das máscaras, outras pesquisas caberiam avaliando a temperatura dos olhos antes e depois do tratamento e incluindo uma amostra mais representativa, com pacientes que também apresentam formas mais graves da disfunção glandular.
Conclusão
As máscaras que aquecem as pálpebras são opções promissoras para o controle da MGD com melhora na adesão a este importante pilar do tratamento do olho seco, resultando em bons resultados em seus sinais e sintomas.
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